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2019-05-20T08:20:19-03:00
Estadão Conteúdo
Risco de rompimento

Vale realiza obras para conter lama da barragem de Cocais

Deslizamento na mina de Gongo Soco pode provocar abalo sísmico suficiente para um rompimento da barragem

19 de maio de 2019
17:54 - atualizado às 8:20
Mina de Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, Minas Gerais
Mina de Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, Minas GeraisImagem: Reprodução/YouTube

A Vale iniciou obras para erguer um muro e tentar conter a lama da barragem da mineradora em Barão de Cocais (MG) caso a estrutura se rompa. A empresa afirma ter começado na última quinta-feira, 16, a terraplenagem para a "construção da contenção em concreto". As obras estão sendo feitas a seis quilômetros da barragem, entre a estrutura e a cidade de Barão de Cocais.

A barragem da Vale no município, chamada Superior Sul, teve declarado nível de segurança 3 em 22 de março, depois de auditores se negarem a emitir laudo de estabilidade para a estrutura. O status significa que a represa pode ruir a qualquer momento. Menos de dois meses depois, no último dia 13, a mineradora informou as autoridades que o talude da mina de Gongo Soco, que fica a 1,5 quilômetro da barragem, corre risco de sofrer deslizamento.

Caso isso ocorra, existe a possibilidade de que a queda do material provoque abalo sísmico com intensidade suficiente para provocar o rompimento da estrutura.

"Além dessa estrutura que, após concluída, fará a retenção de grande parte do volume de rejeitos da barragem Sul Superior em caso de rompimento, a Vale está realizando intervenções de terraplenagem, contenções com telas metálicas e posicionamento de blocos de granito. Essa obra atuará como barreira física no sentido de reduzir a velocidade de avanço de uma possível mancha, contendo o espalhamento do material a uma área mais restrita", diz a empresa, em nota.

O texto afirma ainda que "o objetivo é reduzir os possíveis impactos às pessoas e ao meio ambiente no cenário extremo de um rompimento da estrutura. Em função da intervenção, haverá um aumento na circulação de caminhões e equipamentos pela cidade com destino à mina de Gongo Soco, o que poderá causar eventuais transtornos ao trânsito".

A construção do muro foi admitida pela Defesa Civil de Minas Gerais durante reunião preparatória para o primeiro simulado de rompimento de barragem, ocorrido em Barão de Cocais em 25 de março. À época, porém, a empresa não confirmou que realizaria a obra. Conforme informações obtidas pelo Ministério Público junto à Vale, o talude da mina de Gongo Soco pode sofrer deslizamento entre hoje, 19, e o próximo dia 25.

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