Marcação a mercado: o “fenômeno” que pode fazer você perder dinheiro ou ter retornos de dois dígitos com renda fixa e fundos
Não entende por que seus títulos públicos valorizaram tanto? Ou então porque o seu fundo de debêntures incentivadas está dando retorno negativo? A marcação a mercado explica

Você abre o seu extrato do Tesouro Direto e percebe que o seu saldo em Tesouro IPCA+ está menor do que na semana anterior. Ué, mas não é renda fixa? Eu já não contratei uma rentabilidade de x% acima do IPCA? Quando pergunta para o seu assessor de investimentos ou faz uma rápida pesquisa no Google, descobre o nome do “fenômeno” responsável pelo resultado negativo: a marcação a mercado.
Mas afinal, que negócio é esse? Se você ainda não entende o que é essa tal de marcação a mercado de que tanto falam por aí, hoje é o seu dia.
A marcação a mercado é a atualização, normalmente diária, do preço de um ativo de renda fixa ou da cota de um fundo de investimento. Grosso modo, ela permite que você saiba o preço de mercado atual do ativo, isto é, quanto obteria se o vendesse ou o resgatasse hoje.
Embora seja comum a todos os títulos de renda fixa e fundos de investimento, a marcação a mercado fica mais evidente para quem investe em títulos públicos e debêntures prefixados ou atrelados à inflação, bem como nos fundos que aplicam nesses ativos.
Isso porque muita gente se surpreende ao ver seu saldo eventualmente minguar nesses investimentos, uma vez que a maioria das pessoas não espera que seja possível perder dinheiro na renda fixa. Mas é.
Marcação a mercado na renda fixa
Os títulos de renda fixa, públicos ou privados, têm a sua rentabilidade já conhecida no momento do investimento. Eles podem ser pós-fixados, pagando a variação de uma taxa de juros (Selic/DI); prefixados, pagando um percentual pré-determinado; ou uma mistura das duas coisas, pagando uma taxa prefixada e a variação de um índice de inflação.
Leia Também
A marcação a mercado dos títulos pós-fixados atrelados às taxas básicas de juros em geral não gera sobressaltos nos investidores. Como o valor aplicado nesses ativos é atualizado diariamente pela Selic ou pela taxa DI, a tendência é que os preços - e o saldo investido - cresçam diariamente.
Assim, no vencimento, o investidor recebe um valor maior do que investiu, em termos nominais. Mas seu retorno também será positivo caso ele faça a venda ou resgate do papel antes do vencimento. Ao menos é assim que funciona num país em que as taxas de juros são positivas, como no Brasil.
Agora, a marcação a mercado de títulos prefixados e atrelados à inflação pode causar muita confusão nos investidores.
Estou falando de títulos públicos como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado (NTN-Bs, LTNs e NTN-Fs), bem como as debêntures, títulos de dívida emitidos por empresas. Ao menos para ficar em exemplos que costumam ser mais acessados pela pessoa física.
A marcação a mercado desses papéis evidencia que seus preços podem tanto subir quanto cair. Isso se deve à maneira como esses títulos de renda fixa são precificados, isto é, como seus preços são calculados.
Eu já expliquei aqui no Seu Dinheiro a lógica de precificação dos títulos públicos e privados de renda fixa, caso você ainda não esteja familiarizado com ela.
Mas, resumidamente, os preços atuais desses títulos são determinados pela remuneração que eles pagam; esta, por sua vez, é influenciada pelas expectativas do mercado para as taxas de juros - notadamente a taxa DI - até a data de vencimento de cada título.
Estes papéis já pagam uma quantia definida no vencimento. Seu preço de mercado atual consiste no seu preço futuro descontada a sua remuneração no vencimento.
Assim, se a expectativa é de uma taxa de juros mais alta, as remunerações dos títulos tendem a subir, e seus preços atuais tendem a cair; quando a expectativa é de queda nos juros, as remunerações dos títulos tendem a cair, e seus preços atuais sobem.
A marcação a mercado é simplesmente o processo que atualiza diariamente essas perspectivas de mercado nos preços dos títulos.
Se você ficar com um título prefixado ou atrelado à inflação até o vencimento, receberá exatamente a rentabilidade acordada na hora da compra. Mas se o vender antes do final do prazo, pode receber um retorno maior ou menor - em certos casos, até negativos. Afinal, o título é vendido sempre pelo seu preço de mercado atual.
Essa volatilidade dos papéis de renda fixa permite que os investidores possam ter não só retornos passivos, como também negociar os títulos ativamente, obtendo retornos dignos de bolsa. Nesta outra matéria, eu falei sobre a hora certa de comprar títulos públicos.
Em suma, sua carteira de títulos de renda fixa será marcada a mercado. Mas se sua intenção for ficar com os papéis até o vencimento, você não precisa se preocupar muito com isso.
Marcação a mercado dos fundos de investimento
Os fundos de investimento têm seu patrimônio dividido em cotas, pedacinhos que são comprados pelos investidores, os cotistas.
Assim como os títulos de renda fixa, as cotas dos fundos de investimento também sofrem marcação a mercado, para que os cotistas sempre recebam a remuneração correta no resgate, sem que haja transferência de lucro ou prejuízo entre eles.
A marcação a mercado, portanto, garante que as cotas dos fundos sejam sempre negociadas pelo seu valor de mercado.
O preço da cota de um fundo numa determinada data reflete o preço de mercado de todos os ativos que compõem a carteira do fundo naquele dia. Basicamente, o preço da cota é o resultado da marcação a mercado da carteira do fundo.
Assim, somam-se os valores diários de todos os ativos da carteira, e este resultado é dividido pelo número de cotas. Vem daí o desempenho positivo ou negativo dos fundos de investimento.
Os preços de mercado diários de alguns ativos são divulgados publicamente. É o caso dos preços dos títulos públicos, divulgados diariamente pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Ou ainda dos preços das ações, baseados nos valores médios diários de negociação dos papéis, divulgados pela B3.
Fundos que investem em outros fundos tomam por base os preços das cotas dos fundos nos quais investem. Já os ativos que não são negociados em mercado regulado ou que não tenham liquidez devem ser precificados pelo administrador do fundo.
A marcação a mercado das cotas de um fundo de ações, por exemplo, é mais intuitiva para os investidores, uma vez que todos estamos acostumados a ver os preços das ações subirem e descerem todos os dias.
O preço da cota de um fundo de ações em determinada data simplesmente resulta da valorização ou desvalorização das ações que compõem sua carteira naquele dia.
Já os fundos de renda fixa e os multimercados que investem em títulos de renda fixa prefixados e atrelados à inflação sofrem a flutuação típica dos preços desse tipo de ativo.
É o caso dos fundos IMA-B, também chamados de fundos de inflação, ou dos fundos de debêntures incentivadas, cada vez mais populares entre as pessoas físicas.
Alguns desses fundos focam em lucrar com a valorização dos papéis da carteira, fazendo gestão ativa dos títulos; outros focam em lucrar com a rentabilidade contratada, levando os títulos até o vencimento. Mas mesmo estes últimos precisam passar pela marcação a mercado, tendo o preço das suas cotas atualizado todos os dias.
OPORTUNIDADE À VISTA
Estes fundos estão pagando IPCA+ 14% ao ano com isenção total de imposto de renda; vale a pena investir?
19 de agosto de 2026 - 18:42A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Fim da isenção de LCI e LCA pode estar próximo, e quem vai pagar a conta é o investidor, dizem bancos
17 de agosto de 2026 - 17:03ONDE INVESTIR
O dinheiro do Tesouro IPCA+ 2026 caiu na conta? Estrategista do BTG indica onde reinvestir essa bolada
17 de agosto de 2026 - 7:05ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
Do Tesouro Direto para outros investimentos? Veja onde reinvestir o Tesouro IPCA+ 2026 para ter renda passiva
15 de agosto de 2026 - 10:04RENDA FIXA
Você está investindo no banco ou na garantia? Como o caso Master mexeu com o FGC e o seu bolso
13 de agosto de 2026 - 18:52SD ENTREVISTA
Quem saiu das debêntures isentas para se refugiar no CDI cometeu um erro, diz gestor da Absolute; entenda
13 de agosto de 2026 - 6:05PARA ONDE IR
Tesouro IPCA+ 2026 paga quase R$ 13 bilhões aos investidores na próxima semana; o que fazer com a bolada?
12 de agosto de 2026 - 6:04CONTORNANDO PROBLEMAS
Investidores recorrem a soluções criativas para reaver aplicações em títulos de empresas em recuperação judicial ou extrajudicial
11 de agosto de 2026 - 6:20SELIC COM TEMPERO DE IPCA+
Reserva de emergência ‘turbinada’? Conheça os ETFs de renda fixa que prometem ser mais baratos que o Tesouro Selic e os CDBs
10 de agosto de 2026 - 6:04RENDA MENSAL
CDI, dividendos e isenção de IR: Empiricus recomenda fundo de renda fixa que traz combo preferido dos brasileiros
7 de agosto de 2026 - 19:03CARTEIRA RECOMENDADA
CDI, prefixado ou IPCA+? Veja onde investir na renda fixa com a Selic em 14%
6 de agosto de 2026 - 17:35RENDA FIXA
Tesouro IPCA+ 8%: vale mais a pena travar as taxas altas por seis anos ou por algumas décadas?
6 de agosto de 2026 - 6:03RENDA FIXA
Quanto rendem R$ 100 mil na poupança, Tesouro Selic, CDB e LCI com a Selic em 14,00%
5 de agosto de 2026 - 19:30ADEUS, APP
Tesouro Direto dá adeus ao aplicativo para celular; o que muda nos seus investimentos?
31 de julho de 2026 - 14:01RETORNO DO ARROZ COM FEIJÃO
Tesouro Direto e CDB voltam a roubar espaço de debêntures, CRIs e CRAs; veja por que o investidor está migrando
29 de julho de 2026 - 19:32TÍTULOS PÚBLICOS
Tesouro IPCA+ paga juro real recorde de 8%, mas grandes investidores não estão comprando. Qual é o risco?
29 de julho de 2026 - 11:01RENDA FIXA
Entre cofrinhos e CDBs, banco Bmg lança campanha que paga até 114% do CDI
27 de julho de 2026 - 13:03MELHOR PROTEÇÃO
‘Tesouro IPCA+ está dizendo que se os juros não caírem, o país vai quebrar’, diz João Landau, da Vista Capital
25 de julho de 2026 - 9:32REPORTAGEM ESPECIAL
O risco oculto da isenção de IR: por que debêntures incentivadas parecem nem sempre se comportar como renda fixa
23 de julho de 2026 - 6:03CRÉDITO PRIVADO