Reforma da Previdência: o jogo político começou
Rodrigo Maia tira governo da inércia e obriga uma intensificação da articulação em torno do que manter e ceder na proposta enviada ao Congresso

Ainda é quarta-feira, mas já vale fazer uma recapitulação do noticiário político envolvendo as negociações em torno da reforma da Previdência. É esse jogo que vai definir o grau de diluição da proposta, que prevê uma economia de R$ 1,1 trilhão ao longo de dez anos. Esse é o ponto mais relevante para criar a percepção de sustentabilidade das contas públicas que se busca com a medida.
Ainda é muito cedo para apontar ganhadores e perdedores, mas se o governo tiver de ceder apenas nos dois pontos mais citados no noticiário político, que são a aposentadoria rural e o BPC, pago a idosos e deficientes pobres, o grau de diluição seria baixo.
No entanto, sabemos que esse é apenas o início de um processo que tem tudo para se desenrolar até o segundo semestre e o vai e vem da política terá impacto direto no humor dos mercados.
A reforma foi apresentada na semana passada, com ida de Jair Bolsonaro ao Congresso, extensa coletiva de imprensa para explicar o plano e um pronunciamento do presidente à nação.
Depois o tema parece ter perdido um pouco de fôlego, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), colocou a bola em jogo, por assim dizer, ao abrir a semana com uma entrevista ao “Valor Econômico” e participação em evento da “Folha de S.Paulo”.
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Na terça-feira, Maia voltou a jogar a bola para cima, falando em evento do BTG Pactual que o governo vinha perdendo a batalha da comunicação, que Bolsonaro tinha de negociar com partidos e não com bancadas e mostrar que as vantagens desse desgastante processo seriam colhidas por todo o espectro político.
Também ontem, o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, fez um périplo pela Câmara conversando com diferentes bancadas e partidos. Aqui é que noticiário ganhou temperatura de vez, mas é difícil fazer um balanço de perdas e ganhos.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio à reforma, mas ainda quer saber como ficarão os subsídios creditícios ao setor. No lado dos partidos, o PR quer que os professores não sigam regra de idade mínima, o Solidariedade acena que vai defender os servidores públicos, que terão alíquotas maiores de contribuição, e teve notícia de que policiais militares fariam greve contra a reforma.
Também ontem, mas à noite, Bolsonaro reuniu líderes partidários e teria repetido que a “boa reforma” é aquela que será aprovada pelo Congresso. Podemos fazer duas leituras, reverência aos parlamentares, que de fato vão definir o texto final, ou sinal de que o governo já teria abandonado o texto inicial, que foi defendido na sua integralidade pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.
Logo mais, Guedes estará com Maia e com o presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP) para tratar da reforma.
Por ora, Maia assumiu o protagonismo nessas discussões e o deputado tem uma vantagem clara nesse processo. Se a reforma for um sucesso, poderá capitalizar o fato politicamente. Se as coisas derem errado, a culpa será do governo Bolsonaro.
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