Em relatório para milionários, Itaú diz que reforma da Previdência poderia economizar R$ 1,05 tri em 10 anos; mas previsão realista do banco é bem diferente…
Economia trilionária só é possível se proposta não for desidratada. Ela seria 20% superior à da proposta original do governo Temer e 80% maior que a da última versão, que ficou parada na Câmara

Depois de o governo de Bolsonaro anunciar os primeiros pontos da proposta de reforma da Previdência, que deve ser entregue ao Congresso amanhã (20), analistas do Itaú calcularam que a economia gerada seria de R$ 1,05 trilhão ao longo de dez anos, cerca de 2,5% do PIB. Mas isso só se a proposta não for desidratada ou sofrer alterações. As informações constam em relatório divulgado hoje (19) para os clientes private, com no mínimo R$ 5 milhões no banco.
A visão mais realista do Itaú, no entanto, prevê que a economia seria menor, de 1,5% do PIB, cerca de R$ 630 bi, conforme o repórter Vinícius Pinheiro mostrou nesta matéria. A cifra está mais próxima da economia prevista para a última versão da reforma da Previdência do governo Temer.
No mundo perfeito
Na visão dos especialistas da instituição, a mudança da idade mínima de 65 para homens e de 62 anos para mulheres, ao fim de um período de transição de 12 anos pode trazer uma economia 20% superior à proposta original do governo Temer, se não houver desidratações.
Na primeira versão apresentada ao Congresso, o documento estabelecia idade mínima de 65 anos para ambos os sexos e uma transição diferente. Nela, os trabalhadores teriam que cumprir um "pedágio" de 50% sobre o período para completar o tempo de contribuição. Para os homens, a regra de transição seria a partir dos 50 anos e para as mulheres a partir de 45.
O relatório do Itaú também destaca que a economia prevista com a nova proposta de Bolsonaro poderia gerar uma economia 80% superior à proposta atual que estava parada na Câmara desde 2017. Nela, a idade mínima seria igual a prevista agora (65 anos para homens e 62 anos para mulheres).
Já nas regras de transição, os trabalhadores também deveriam cumprir um "pedágio", só que de 30% sobre o tempo que faltasse para completar a contribuição. E a idade mínima para se aposentar na regra de transição seria de 55 anos para homens e 53 anos para mulheres.
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As projeções do Citi com relação à Previdência, divulgadas ontem à imprensa, também se encontram próximas da economia prevista para a última versão da proposta do governo Temer.
Perspectivas macroeconômicas
No documento, os especialistas disseram que ainda não observaram nenhuma recuperação consistente da economia e que projetam um crescimento de 2% em 2019, com uma aceleração da atividade nos próximos meses.
Para eles, o mercado recebeu bem os primeiros detalhes da reforma da Previdência com as taxas pagas pelos títulos de renda fixa caindo bastante e a Bolsa voltando ao patamar de 98 mil pontos. Aliado a isso, a lenta recuperação da atividade econômica vem ajudando a reduzir as taxas dos títulos pré-fixados com vencimentos mais curtos.
O relatório destaca também que os desdobramentos positivos com relação às negociações entre Estados Unidos e China sobre tarifas comerciais contribuíram para a boa performance dos ativos locais.
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