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Inspira cuidados

Governo enxerga ‘sinais amarelos’ em votação da reforma da Previdência no Senado

Queda de braço entre Legislativo e Executivo, que se concentrou nos destaques do projeto, preocupa a equipe de Paulo Guedes

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5 de setembro de 2019
16:00 - atualizado às 14:12
Secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Leonardo Rolim
Leonardo Rolim - Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Quem olha a rapidez com que a reforma da Previdência foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na noite desta quarta-feira, 4, talvez não tenha percebido alguns dos sufocos que os senadores deram ao governo.

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A queda de braço entre Legislativo e Executivo se concentrou nos destaques do projeto. Foram oito no total, e alguns deles quase custaram bons milhões de economia para a União. O secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim, afirmou que a aprovação proposta foi importante, mas levantou "alguns sinais amarelos".

"Foi importante, mas levantou alguns sinais amarelos em alguns destaques que ganhamos por uma margem muito apertada", disse ele nesta quinta-feira, 5, durante a Conseguro, evento do setor de seguros que ocorreu em Brasília.

Diante desse cenário, o governo agora prepara uma ofensiva de negociações e articulações na Câmara Alta brasileira. Segundo Rolim, será necessária uma conversa melhor com os senadores em alguns pontos como no caso do abono do PIS/Pasep, que, na sua visão, é a política assistencial mais "desfocada" do Brasil e que não se encontra em nenhum lugar do mundo. "Esse é um ponto que ficamos com sinal de alerta e que teremos de conversar melhor com os senadores", explicou.

Só lamentos

Rolim lamentou também a volta da vinculação de todas as pensões por morte ao salário mínimo no texto principal da reforma e que diminuiu a previsão de economia em R$ 35 bilhões no Senado, para R$ 870,5 bilhões. "Infelizmente, tivemos uma perda ontem no Senado. Ainda seremos campeões mundiais (em pior sistema de pensão do mundo), mas teremos redução com gastos pensão no futuro", disse.

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No assunto previdenciário, conforme Rolim, o Brasil tem o sistema "mais desequilibrado do mundo", ficando no primeiro ou segundo lugar, mas, em pensão, "não tem para ninguém". "O Brasil é disparado o sistema mais benevolente do mundo: 3,2% do PIB é gasto com pensão por morte. Na Grécia, é 2,6%", avaliou.

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Segundo o secretário, atacar as regras do sistema de pensão no Brasil é necessário uma vez que as atuais não são comparáveis em nenhum lugar do mundo. O governo havia concordado em garantir o piso nacional, hoje em R$ 998, para pensionistas que tivessem renda formal abaixo do salário mínimo. No entanto, em votação na quarta-feira, o Senado optou por estender a garantia a todos, impedindo qualquer possibilidade de pagamento de pensão abaixo do mínimo.

Rolim também chamou atenção para a necessidade de implementar o instrumento da capitalização no sistema geral de Previdência, embora o tema tenha ficado de fora da reforma.

Privilégios para policiais em PEC Paralela

O secretário afirmou também que há preocupação no governo com a criação de privilégios a policiais federais e estaduais civis na PEC Paralela da reforma da Previdência. Está prevista, conforme ele, a criação de um regime próprio que hoje eles não têm e garantia de integralidade e paridade para quem ingressou até este ano, o que também não está previsto.

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"Isso está na PEC Paralela. Ainda dá tempo para arrumar... Mas é um tema de preocupação que a gente acredita que vai explicar aos senadores", afirmou Rolim, durante a Conseguro.

De acordo com ele, o tema "preocupa muito" em um momento que as regras de previdência para todos os brasileiros estão sendo endurecidas considerando o contexto demográfico e a situação fiscal do País. "Não dá para imaginar que alguma categoria passe a ter algo que não tem hoje", avaliou.

E a capitalização sai ou não sai?

O secretário de Previdência do Ministério da Economia afirmou que a pasta trabalha para endereçar o sistema de capitalização no âmbito do sistema geral de Previdência o mais rápido possível. "Entendemos que o sistema de capitalização é fundamental para o Brasil", disse.

A ideia do Ministério da Economia, conforme Rolim, é endereçar a questão da capitalização de duas formas via o envio de uma PEC caso estejam previstas mudanças na Constituição ou por meio de um projeto de lei, que é o mais provável. Antes, a sugestão do governo era apenas pedir autorização para a criação do sistema. Agora, o foco é sugerir todas as regras para a capitalização, conforme Rolim.

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"A diferença maior é que enviaremos a proposta completa e não apenas os princípios seja qual for a proposta para a implementação do sistema de capitalização", explicou o secretário.

De acordo com ele, na linha de não alterar princípios constitucionais, um dos objetivos do Ministério da Economia em torno das sugestões para a capitalização é garantir o salário mínimo via um fundo solidário, com princípio de solidariedade, contando com a parte do trabalhador, do empregador, da sociedade e do Estado. "Além desse, terão outros princípios que estarão na proposta que faremos", concluiu, sem dar mais detalhes.

*Com Estadão Conteúdo.

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