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Economista disse que hoje há agentes que defendem a liberação do teto dos gastos para direcionar recursos para investimentos, mas que, isso, segundo ele, vem de quem desconhece os fatos
O economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, criticou a ideia do retorno de um imposto sobre a movimentação financeira — chamada de "nova CPMF"— e comparou essa medida às adotadas na Venezuela.
"É incrível o setor privado defender esse imposto. O único lugar onde esse imposto é relevante, no mundo, com uma alíquota de 2%, é na Venezuela", disse.
Para o especialista, é preciso acertar a discussão tributária, chamada por ele de inacreditavelmente superficial. "Será que ninguém conhece a evidência empírica de tantos anos, que mostram o desastre que foi o CPMF e suas variações na América Latina nos últimos 20 anos?".
Lisboa falou durante a abertura de um evento realizado em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre os efeitos de inovações sobre o mercado de capitais e financeiro.
Lisboa comentou ainda que não existem hoje no Brasil investimentos em obras "greenfield" (novos projetos), dada a insegurança que existe no País diante de um setor público "incapaz de desenhar projetos". "Sem aumentar a infraestrutura não haverá crescimento", diz.
O economista disse que hoje há agentes que defendem a liberação do teto dos gastos para direcionar recursos para investimentos, mas que, isso, segundo ele, vem de quem desconhece os fatos. "Seria bom que os estúpidos conhecessem os fatos. De cada 100 obras paradas no Brasil, mais de 50% é por conta de projetos mal feitos", disse.
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Ele afirmou também que menos de 9% das obras paradas no Brasil são causadas por conta de falta de recursos. "Em muitos casos, é por contrato mal desenhado. A empresa constrói uma parte de desiste do resto", completou.
Lisboa disse acreditar que o poder Executivo não tem atualmente qualidade técnica para elaborar tais projetos. "(Essa capacidade) se perdeu há mais de 20 anos", comentou.
Ele disse que é preciso mudar a lei da licitações para poder haver a contratação de empresas preparadas para o fornecimento de tais serviços. "A lei de licitações não funciona quando envolve qualidade técnica", disse.
*Com Estadão Conteúdo
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