‘Fatiar a reforma tributária é um risco’, diz cofundador da Natura
Pedro Passos diz que vê com preocupação o adiamento da reforma que ele considera a mais importante para o setor empresarial.

Após aprovar a reforma da Previdência, o governo colocou na sequência a reforma administrativa e deixou a tributária para 2020. O empresário Pedro Passos, cofundador da Natura e conselheiro da Endeavor, organização de estímulo a empreendedores especialmente em países emergentes, vê com preocupação o adiamento da reforma que ele considera a mais importante para o setor empresarial.
Segundo ele, como esse é um tema com muitos interesses diferentes, há um risco de se fatiar demais a reforma e se criar um sistema ainda mais complexo. A Endeavor elaborou uma lista de 11 princípios básicos para a reforma tributária, como transparência e progressividade, que deveriam, na avaliação da organização, nortear essa reforma no País.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
Por que a Endeavor decidiu formular uma série de princípios para nortear a reforma tributária?
Na divulgação do último Doing Business (relatório do Banco Mundial que mede impacto das leis e regulações e da burocracia no funcionamento das empresas), o Brasil aparece nas piores posições possíveis no quesito pagamento de impostos: ficou na 184.ª posição entre 190 países. Também as nossas pesquisas mostram que o fator mais crítico para o desenvolvimento das empresas é a complexidade tributária e a insegurança jurídica que provêm dessa complexidade. Por essa razão, resolvemos estudar os princípios do que seria uma boa reforma tributária.
Por que indicar princípios e não optar por um projeto A ou projeto B de reforma?
Há dois projetos importantes no Congresso: a PEC (proposta de emenda à Constituição) 45, que está na Câmara, e a PEC 110, que está no Senado. E um terceiro projeto do governo está por vir. Em vez de eleger um único projeto, achamos melhor apontar princípios fundamentais para que uma boa reforma pudesse ocorrer, sempre focando o que nos parece mais dolorido hoje para o empresário, que são os impostos sobre consumo e circulação (ISS, ICMS, IPI, PIS, Cofins). Se fizermos uma reforma simplificadora, uniforme, transparente, podemos dar um salto no crescimento no PIB de 10 pontos porcentuais em 15 anos.
Esses princípios são factíveis nos projetos que já estão no Congresso?
A estrutura dos dois projetos é igual: simplificação, unificação de impostos, cobrança no destino em vez de na origem, um mínimo de alíquotas. Porque hoje a confusão decorrente de um número muito grande de alíquotas gera muito custo e muito contencioso tributário em discussão na Justiça. Hoje, o contencioso tributário das empresas está em R$ 4 trilhões (60% do PIB). Isso é imobilizador. É preciso fazer a reforma e seria muito conveniente que o governo apaziguasse de alguma forma o passado e desse uma direção mais clara sobre os temas sub judice para a frente.
Leia Também
Isso trava a economia?
Sim, porque o investidor se pergunta: que imposto eu vou pagar? Quanto eu coloco na minha conta? Qual é o retorno? Isso é gravíssimo. O contencioso tributário das empresas no Brasil é centenas de vezes maior que no resto do mundo.
Como se resolve isso?
Possivelmente, uma força-tarefa vai ter de ser feita para equacionar a questão. Acreditamos que a fase de transição é muito importante, porque não se consegue fazer a reforma do dia para a noite. Por outro lado, ela não pode ser muito longa a ponto de se perder o impacto positivo. Nesse decorrer, é importante a pacificação desse contencioso tributário.
A reforma tributária, em relação à da Previdência e a trabalhista, é a mais difícil de ser feita?
Historicamente, foi uma das mais difíceis, mas sinto neste momento uma certa predisposição das diversas esferas de governo, no nível Executivo, tanto municipal quanto estadual, em consonância com a área federal. Há muitos pontos a serem resolvidos. Como passaremos a ter uma arrecadação única, quem vai dividir o bolo e vai gerenciar essa divisão do bolo? Há uma discussão se deveria ficar a nível dos Estados ou se deveria ficar no nível federal. Por vezes, surge a hipótese de um IVA dual, com impostos estaduais e federais, o que gostaríamos de evitar. O risco é fatiar a reforma tributária e chegar num sistema com complexidade maior do que se tem hoje, e não terminar a reforma efetivamente.
O governo jogou para o ano que vem a reforma tributária e colocou a administrativa na frente. O sr. acha que é uma sinalização dessa complexidade?
É uma preocupação muito forte, porque sabemos que o ano que vem é um ano eleitoral. Acho que essa condição de uma agenda comum entre Congresso e Executivo precisa ser aproveitada. É uma reforma difícil, e nós temos de mobilizar Estados, municípios, ter esses entendimentos, na verdade. E o Congresso a partir de junho e julho vai estar com uma outra agenda.
O sr. considera a reforma tributária a mais importante para destravar a economia?
O Brasil precisa de uma agenda de reformas muito grande. Não dá para dizer qual é a mais importante. Do ponto de vista empresarial, a tributária é a mais importante.
Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo
SEGUNDO O BTG PACTUAL
Grupo Mateus (GMAT3), Vulcabras (VULC3) e outras: por que a economia nem precisa melhorar tanto para estas ações decolarem logo
6 de outubro de 2026 - 16:20O BONDE DOS ESQUECIDOS?
Comeram poeira! Rali dos bancos na B3 deixa estas duas ações para trás — mas JP Morgan vê espaço para uma nova arrancada
6 de outubro de 2026 - 15:32PUXOU O FREIO
JP Morgan ‘manda vender’ ação do Banco do Brasil (BBAS3) após rali eleitoral — e elege outro bancão para comprar agora
6 de outubro de 2026 - 14:22OTIMIZANDO ONDE DÁ
Na luta para virar o jogo, Hapvida (HAPV3) fecha acordo bilionário com a Roche. Como a parceria pode ajudar a operadora?
6 de outubro de 2026 - 10:31DESPEDIDA COM DATA MARCADA
Adeus, B3: oferta para tirar Helbor (HBOR3) da bolsa recebe aval da CVM e tem leilão marcado; veja os próximos passos
6 de outubro de 2026 - 9:50VEJA AS FAVORITAS
Após eleições, JP Morgan troca campeãs do Minha Casa, Minha Vida por construtoras de média e alta renda
5 de outubro de 2026 - 18:13COMMODITIES
Petrobras (PETR4) ou Vale (VALE3): qual delas se dá melhor caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno
5 de outubro de 2026 - 17:05MODO RELAX
Da esteira para a massagem: Smart Fit (SMFT3) quer comprar até 20% do Buddha Spa. O que está por trás da estratégia?
5 de outubro de 2026 - 9:00FAVORITA DOS ANALISTAS
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja a ação que pode blindar seus investimentos no segundo turno
5 de outubro de 2026 - 6:03A VACA E O FRANGO
JBS (JBSS32) ou MBRF (MBRF3): qual ação tem mais potencial para 2027? Itaú BBA elege sua favorita
4 de outubro de 2026 - 13:13MERCADOS
A ação que fez Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) comerem poeira e dobrou de preço com trade eleitoral de Flávio Bolsonaro
2 de outubro de 2026 - 19:49DE OLHO NAS RIVAIS
Os planos do novo CEO da B3 (B3SA3) para fortalecer a bolsa de valores diante do avanço da concorrência, segundo o BTG
2 de outubro de 2026 - 17:10A LISTA DE DESPEDIDAS VAI AUMENTAR
Mais um adeus à B3: Claro assume Desktop (DESK3) por R$ 1,75 bilhão e prepara OPA. O que muda para quem tem as ações?
2 de outubro de 2026 - 8:53RENDA EXTRA NA CONTA
Enquanto três gatilhos não fazem preço na CPFL (CPFE3), Itaú BBA defende a compra pelos dividendos
1 de outubro de 2026 - 17:45VIRADA À FRENTE
IRB Brasil (IRBR3): mudança tributária abre caminho para dividendos generosos; JP Morgan turbina preço-alvo para ação
1 de outubro de 2026 - 17:28CASA NOVA?
Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
1 de outubro de 2026 - 14:15O QUE AINDA FALTA?
Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue
1 de outubro de 2026 - 13:03FUTURO DA 'FILHA DO DIVÓRCIO'
Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
1 de outubro de 2026 - 12:38APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?