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Mercado paralelo

Unick Forex é alvo de operação da PF por esquema de pirâmide financeira

A empresa vinha sendo investigada por atuar no mercado financeiro paralelo com a captação ilegal de recursos de cerca de um milhão de clientes

17 de outubro de 2019
19:36
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Dez pessoas ligadas à cúpula da Unick Forex foram presas nesta quinta-feira, 17, na Operação Lamanai, da Polícia Federal. A empresa sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, vinha sendo investigada por atuar no mercado financeiro paralelo, sem autorização das autoridades competentes, com a captação ilegal de recursos de cerca de um milhão de clientes, a maioria do sul do País.

A estimativa da Polícia Federal é que as captações da Unick chegaram a R$ 2,4 bilhões. O grupo tinha um escritório no paraíso fiscal de Belize e planos de expansão para o exterior. As promessas de lucro garantido e prêmio mediante a indicação de outros investidores apontam para um esquema de pirâmide financeira.

Com o apoio da Receita Federal a operação identificou captações que chegaram a R$ 40 milhões por dia desde 2017 pela Unick, classificada pela PF como "organização criminosa". A empresa usava as redes sociais e aplicativos como o WhatsApp para enviar vídeos e ofertas.

O dinheiro dos investidores era aplicado no chamado mercado de Foreign Exchange (Forex), de compra e venda de moedas, operações somente autorizadas às instituições financeiras oficiais. Esse tipo de oferta deve ser registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, assim como a corretora que quiser atuar nesse mercado. Sem registro, a oferta é ilegal. Hoje não há instituição brasileira autorizada a atuar em Forex.

Cerca de 200 policiais federais cumpriram 65 mandados de busca e apreensão (inclusive de bens, imóveis e R$ 50 milhões em bitcoins) e dez de prisão temporária nas cidades de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), Bragança Paulista (SP), Palmas (TO) e Brasília (DF). Também foram executadas medidas judiciais cautelares para apreensão de veículos, sequestro de bens e bloqueio de valores em contas correntes.

O inquérito policial contra a Unick foi instaurado em janeiro deste ano e apurou que os clientes do grupo eram atraídos pela promessa de retorno de 100% sobre o valor investido, no prazo de seis meses. A captação de recursos estava estruturada como pirâmide financeira, esquema em que os novos investidores subsidiam os pagamentos de remuneração daqueles que já aplicaram recursos há mais tempo.

A Unick é também alvo de um processo administrativo sancionador aberto pela CVM em abril, por emitir e distribuir valores mobiliários sem autorização. Em março a autarquia chegou a emitir alerta de atuação irregular ao mercado, mas a Unick e seus sócios continuaram captando recursos populares sem autorização. Depois disso, emitiu stop order (ordem de suspensão) de oferta, mas que também não surtiu efeito, levando a CVM a processar o grupo.

A empresa e os responsáveis acusados no processo da CVM - Leidimar Lopes, Alberi Pinheiro e Fernando Lusvarghi - encaminharam propostas de termo de compromisso (acordo) ao órgão regulador, ainda em análise. O grupo usava famosos como a cantora Simony, ex-líder do Balão Mágico, como garotos-propaganda.

Segundo a PF, ao longo da investigação foram identificadas além da captação irregular de poupança popular indícios de outras práticas criminosas como evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Os presos na Operação Lamanai deverão responder ainda pelos crimes de organização criminosa, crime contra o sistema financeiro e crime contra a economia popular, de alçada estadual.

Unick diz colaborar

Após a notícia da operação, a Unick afirmou por meio de nota ter o compromisso de colaborar com as autoridades, prestando as informações necessárias à apuração dos fatos.

"A empresa reafirma seu compromisso com seus clientes e acredita na Justiça e nos esclarecimentos dos fatos", diz o comunicado enviado em nome do escritório Nelson Wilians e Advogados Associados, que representa a Unick.

*Com Estadão Conteúdo.

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