Menu
2019-12-11T12:06:55-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Análise

PIB anima, mas foco deve permanecer no ajuste fiscal

Controle do gasto público é fundamental para manutenção da Selic baixa e do protagonismo do setor privado na retomada da atividade

3 de dezembro de 2019
11:24 - atualizado às 12:06
Setas-abaixo-acima
Imagem: Shutterstock

O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre surpreendeu positivamente e pode ser visto como uma confirmação de que a economia engrena uma recuperação. Os dados serão comemorados pelo mercado e pelo governo, mas o fator fundamental para que esse otimismo se sustente é a continuidade da agenda de reformas fiscais.

Resumindo uma longa história, foi o redesenho da política fiscal brasileira desde 2015/2016 que permitiu a queda nas taxas de juros. Boa parte da alta da bolsa e do resultado das empresas decorre desse menor custo do dinheiro, dessa queda no custo de capital e consequente melhora no “valuation” das empresas (BTG fez um interessante estudo sobre isso).

Tanto o Ministério da Economia quanto o Banco Central (BC) têm falado sobre uma mudança estrutural da economia brasileira, um ambiente de política fiscal restrita e juros mais baixos. Discutimos as implicações disso sobre a taxa de câmbio, mas esse “novo normal” também tem impactos sobre a matriz de crescimento da economia.

Crowding in

Os dados do terceiro trimestre reforçam a tese do governo de que “à medida que se observam esforços para reduzir o tamanho do Estado, o setor privado vai tomando seu lugar, e a economia de mercado passa a ser protagonista do crescimento ao invés das expansões periódicas de gasto público, que se mostraram insustentáveis”.

É chamado efeito “crowding in”, que segundo a própria Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia, significa que os investimentos privados passam a substituir os investimentos públicos na economia.

Nesse terceiro trimestre, para dar um dado sobre esse movimento, temos que o consumo das famílias cresceu 0,8%, enquanto as despesas de consumo do governo recuaram em 0,4%. Destaque também para os investimentos privados, que seguem em recuperação.

Isso evidencia uma melhora na qualidade do crescimento. Segundo o governo, um crescimento feito com dinheiro privado resulta em maior produtividade, e a expectativa é que a continuidade desse movimento leve a um crescimento mais sustentado ao longo dos próximos anos.

O fator primordial para a continuidade desse movimento é a persistência no ajuste fiscal, pois é isso que abre a possibilidade de termos juros baixos, notadamente as taxas de longo prazo, por longo período.

A reforma da Previdência foi o primeiro e mais urgente ajuste, mas a trajetória do gasto público segue preocupante. Teremos mais um ano com déficit nominal e dívida bruta rondando a linha dos 80% do PIB.

A melhora do crescimento, que já está contratada, é vetor favorável ao ajuste das contas públicas, mas também pode trazer consigo um risco de complacência da classe política com relação a algumas medidas ainda amargas que precisam ser tomadas.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

balanço do dia

Covid-19: casos sobem para 15,5 milhões e mortes, para 432,6 mil

O total de vidas perdidas durante a pandemia subiu para 432.628. Entre ontem e hoje, foram registradas 2.211 novas mortes.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Mudaram as estações, mas nada mudou na bolsa

Quem olha para o saldo do Ibovespa na semana pode achar que os últimos dias foram um marasmo. O índice, afinal, ficou praticamente estável — uma quase desprezível queda de 0,13%. “Mas eu sei que alguma coisa aconteceu / tá tudo assim, tão diferente”, já dizia a música. E é verdade: nada mudou na bolsa, […]

Fechamento da semana

Inflação americana e minério de ferro vivem ‘dias de luta e dias de glória’, monopolizando a semana; dólar avança e bolsa recua no período

O minério de ferro puxou Vale e siderúrgicas para cima – mas depois derrubou. A inflação americana também assustou, mas conseguiu acalmar o ânimo dos investidores. Confira tudo o que movimentou a semana

Engordando o caixa

Petrobras gera US$ 2,5 bilhões com desinvestimentos em 2021; venda mais recente é para fundo árabe

E a estatal não deve parar por aí, pois o diretor financeiro da empresa já reafirmou a intenção de continuar com o programa de venda de ativos

Em evento do BofA

Presidente do BC revela preocupação com análise de autonomia no STF e planos para PIX internacional

Campos Neto e o ministro da Economia, Paulo Guedes, têm conversado com ministros da Corte sobre os questionamento acerca do tema

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies