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2019-12-04T17:13:29-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Manhã tranquila

Ibovespa atinge os 110 mil pontos pela primeira vez; dólar fecha em leve baixa

O tom mais otimista visto no exterior, combinado com a percepção de recuperação da economia local, dá forças ao Ibovespa nesta quarta-feira — e leva o índice para perto de níveis inéditos

4 de dezembro de 2019
10:31 - atualizado às 17:13
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O clima mais ameno visto nos mercados globais nesta quarta-feira (4), somado ao otimismo em relação à economia brasileira, dá forças aos ativos domésticos. Como resultado dessa combinação, o Ibovespa tem um novo dia de alta e atingiu pela primeira vez o nível dos 110 mil pontos enquanto o dólar à vista terminou a sessão com um ligeiro viés negativo.

O principal índice da bolsa brasileira subia 1,00% por volta de 17h10, aos 110.023,20 pontos — um novo recorde intradiário. Em termos de fechamento, o topo do Ibovespa é de 109.580,57 pontos, marcado em 7 de novembro.

O mercado de câmbio também refletiu os ânimos menos exaltados no exterior: o dólar à vista chegou a cair 0,51% e tocar os R$ 4,1841, mas terminou em leve baixa de 0,08%, a R$ 4,2023. A sessão foi marcada pela desvalorização da moeda americana em escala global, tanto em relação às divisas fortes quanto às de países emergentes.

O novo alívio visto nos ativos domésticos se deve a uma "tempestade perfeita": redução nas turbulências da guerra comercial, dados econômicos mais fortes na China e otimismo em relação à economia brasileira — um mix que leva o Ibovespa a um patamar inédito.

Guerra e paz

Lá fora, os agentes financeiros repercutem as últimas novidades no front da guerra comercial. De acordo com a Bloomberg, Estados Unidos e China estão próximos de chegar a um acerto quanto às tarifas a serem retiradas por ambas as partes, de modo a pavimentar o caminho para o fechamento da primeira fase do acordo entre as potências.

Essas informações fazem com que as bolsas globais respirem aliviadas nesta quarta-feira. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,73%), o S&P 500 (+0,80%) e o Nasdaq (+0,67%) operam em alta, após duas sessões no campo negativo; na Europa, as principais praças acionárias também ganham terreno.

Vale lembrar, no entanto, que o noticiário referente às negociações entre americanos e chineses tem sido bastante volátil, com sucessivas ondas de alívio e de tensão. Além disso, a recente postura mais agressiva adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, traz alguma cautela aos agentes financeiros, apesar do clima mais ameno nesta quarta-feira.

Enquanto isso, na China...

...os setores de serviços e de indústria continuam se recuperando, após a perda de tração vista na primeira metade do ano. O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) do gigante asiático subiu a 53,2 em novembro, atingindo o maior nível em 21 meses — leituras acima de 50 indicam expansão da atividade.

O novo sinal de fortalecimento da economia chinesa ameniza as dúvidas quanto aos impactos negativos que a disputa comercial com os EUA poderia estar trazendo ao país. A expansão no PMI ainda traz otimismo ao setor de commodities, uma vez que a China é um importante consumidor de produtos desse tipo, em especial o minério de ferro.

Nesse cenário, as ações de siderúrgicas e mineradoras operam em alta nesta quarta-feira e contribuem para dar ânimo ao Ibovespa. É o caso de CSN ON (CSNA3), com ganho de 2,27%; Usiminas PNA (USIM5), avançando 2,21%; Gerdau PN (GGBR4), valorizando 1,41%; e Vale ON (VALE3), subindo 0,69%.

O ambiente benéfico para as siderúrgicas também é gerado pela notícia, publicada pelo Valor Econômico, de que a CSN irá promover aumentos de 10% nos preços do aço, a partir de 2020 — a Gerdau já havia anunciado elevações nos valores do aço longo.

Dias melhores

Além do noticiário mais favorável no exterior, também há um importante componente doméstico para a manutenção do Ibovespa em alta e do dólar em baixa. Há pouco, foi divulgado o crescimento de 0,8% na produção industrial do país em outubro ante setembro.

O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa dos analistas, mas, ainda assim, contribui para o quadro de recuperação da economia doméstica — ontem, foi reportado o crescimento de 0,6% no PIB do Brasil no terceiro trimestre.

Além disso, os resultados das vendas da Black Friday superaram as projeções do mercado, o que, combinado com uma série de indicadores antecedentes positivos, apontam para a continuidade do movimento de retomada da atividade local.

Alívio no câmbio

A possibilidade de avanço nas negociações comericias entre EUA e China diminuíram fortemente a aversão ao risco no mercado de câmbio. Como resultado, o dólar perdeu terreno em escala global, com os investidores optando por aumentar a exposição às demais moedas.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de divisas fortes — como o euro, a libra esterlina e o iene japonês, entre outras — teve uma baixa de 0,09% no momento.

Na comparação com as divisas emergentes, o tom é o mesmo: o dólar perde força ante o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso colombiano — e o real pega carona no contexto global, amparado também pelo otimismo doméstico.

Juros em queda

O alívio visto no dólar à vista provocou ajustes negativos nas curvas de juros, tanto na ponta curta quanto na longa. Veja abaixo como se comportaram os principais DIs nesta quarta-feira:

  • Janeiro/2021: de 4,70% para 4,68%;
  • Janeiro/2023: de 5,90% para 5,82%;
  • Janeiro/2025: de 6,49% para 6,42%;
  • Janeiro/2027: de 6,81% para 6,73%.
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