Ibovespa passa os 96 mil pontos ajudada pela China
A chance de os chineses aumentarem importações dos Estados Unidos contribuiu para animar os investidores aqui, na Europa e nos EUA

Noventa e seis é o número do dia. Batendo - pela nona vez em 2019- o recorde, a Bolsa de Valores de São Paulo rompeu a resistência dos 96 mil pontos logo nos primeiros minutos da abertura e fechou a sexta-feira a 96.096 pontos, com alta de 0,78%. É tanto recorde que ninguém mais lembra que há apenas 13 pregões, o Ibovespa começava o ano na casa dos 90 mil pontos. O dólar também terminou o dia subindo 0,11%, a R$ 3,75. A moeda acelerou os ganhos ante o real em linha com a valorização da divisa no mercado global. A possibilidade de a China aumentar as importações dos Estados Unidos, o que favoreceria um entendimento pelo fim da guerra comercial, é o que continua contribuindo para o fortalecimento da moeda americana ante as pares desenvolvidas e emergentes. E foi também o que catapultou a Bolsa hoje. A preferência do investidor foi por papéis de commodities, como Vale e Petrobras. No ano, a valorização do indicador chega a 9,34% e na semana, a 2,60%. As bolsas na Europa e em NY trabalharam no positivo.
Eletrobras: saída consensual
A estatal de energia é a estrela do dia, sendo beneficiada pelo fluxo de notícias favoráveis e expectativa de privatização. As ações da Eletrobras lideraram as maiores altas do Ibovespa com ganhos de 4,56% na ON e de 5,22% na PNB. Sobre a estatal, o Brasil Plural destaca o novo Plano de Demissão Consensual (PDC). "Em nossa opinião, a medida é um passo importante para a empresa se tornar mais eficiente em termos de despesas e para uma potencial privatização", avalia o banco em comentário para clientes.
A companhia ontem anunciou intenção de, com o desligamento de 2.187 funcionários, gerar uma economia de R$ 574 milhões ao ano, a um custo de R$ 731 milhões. As adesões ocorrerão por um prazo de 30 dias. O analista da Guide Investimentos Rafael Passos destaca ainda o fluxo positivo de notícias além do PDC. "No final do ano passado tivemos a venda das distribuidoras e a confirmação de Wilson Ferreira Júnior no comando a empresa, uma pessoa que iniciou uma reestruturação operacional e financeira que trouxe um quadro mais otimista para a empresa", lembra. Em 2019, a ação ON já acumula alta de 33% e a PNB, de 25%.
Petrobras
As ações da Petrobras também abriram em alta nesta sexta-feira, beneficiadas pelo avanço dos preços do petróleo no mercado internacional e assim seguiram. O papel ON fechou em alta de 0,98% e o PN avançou 0,95%. Mais cedo, a Agência Internacional de Energia (AIE) informou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu sua produção substancialmente em dezembro, mesmo num momento em que seu principal aliado fora do cartel, a Rússia, impulsionou sua produção a níveis inéditos. Além do petróleo, operadores destacam o anúncio da retomada do processo de desinvestimentos. A decisão veio logo após a reversão da liminar concedida pelo STJ, liberando a estatal para a venda de ativos. "O anúncio é positivo para a redução de seu endividamento", destaca a Rico Investimentos em comentário a clientes.
Vale
Vale ON subiu 0,98%. Em relatório divulgado hoje, o Credit Suisse destacou a resiliência do preços do minério de ferro prevista para os próximos meses do ano, devendo manter o mesmo nível do pico de 2018. "Agora esperamos que fique entre US$ 70/t e US$ 75/t no restante deste trimestre, podendo ser ainda maior se a guerra comercial entre China e Estados Unidos tiver uma solução", comenta o banco.
O BTG Pactual também divulgou relatório positivo sobre a empresa. Os analistas Leonardo Correa e Gerard Roure avaliam que a Vale continua a dominar o mercado de minério de ferro de alta qualidade, posição que a torna privilegiada no cenário de busca por qualidade na indústria - fator positivo mesmo diante da recente queda nos spreads. "Acreditamos que a Vale pode distribuir um dividendo de cerca de 10% em dólar em 2019, o que acreditamos estar subprecificado pelo mercado", afirmou o documento.
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Gol
Outro papel entre as maiores altas do Ibovespa é Gol PN, com avanço de 0,79%. Para o analista de investimentos da Mirae Asset, Fernando Bresciane, o papel se beneficia do patamar mais baixo do dólar. "Mas de uma forma geral, o cenário é positivo para a empresa desde que o governo anunciou que deve autorizar a entrada de novos players estrangeiros no mercado brasileiro, o que é bom caso tenha a entrada de alguém no capital. Além disso, a demanda está indo bem e deve melhorar ainda mais", explica. Passos, da Guide, lembra que a correlação forte com a moeda americana ocorre porque entre 30% e 40% dos custos da empresa são dolarizados, como o leasing de aeronaves, combustível e manutenção das aeronaves. "Além disso, são boas as expectativas para 2019 com aceleração do consumo, além do processo de reestruturação societária que prevê a incorporação da Smiles e migração para o Novo Mercado", destaca.
Natura
As ações ON da Natura fizeram bonito hoje, com avanço de 5,81%, em meio a um otimismo com a empresa. Ontem, o BTG Pactual divulgou prévia do balanço, com destaque para o lucro líquido, que deverá subir 5% no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2017, e para o Ebitda, cuja projeção é de alta de 13%. O analista da Mirae Asset, Fernando Bresciani, lembra que a Natura não acompanhou o movimento altista das demais empresas de consumo neste ano, então ela ficou atrasada. "Agora, os investidores estão aproveitando para comprar o papel, com expectativa de números positivos porque a Natura é uma empresa boa", disse.
Embraer
Após fecharem em queda de mais de 4% na sessão anterior, as ações ON da Embraer voltam a amargar perdas, liderando as quedas no Ibovespa, com baixa de 2,93% em meio a um movimento vendedor de estrangeiros, após corte na recomendação e no preço-alvo da ação negociada em Nova York (ADR), de acordo com um operador. O banco americano Morgan Stanley lidera as vendas nesta tarde, com ordem em torno de R$ 20 milhões, bem acima do segundo colocado, o brasileiro Bradesco, com R$ 7,91 milhões. Ontem, o próprio Morgan Stanley cortou a recomendação da ADR da empresa de overweight (desempenho acima da média do mercado) para equal-weight (em linha com a média do mercado), e reduziu o preço-alvo do papel de US$ 24,50, para US$ 23,70.
Copel
Os papéis PNB da Copel, que chegaram a subir no meio da tarde, recuaram 1,62%, após o presidente da companhia, Daniel Pimentel Slaviero, afirmar que uma oferta de ações, seja de primárias, para capitalizar a companhia, seja para venda de papéis na mão do Estado está totalmente descartada. "A questão da venda de ações não está na pauta, a gente entende que isso não é necessário e não é estratégico", disse.
*Com Estadão Conteúdo
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