Ibovespa vira, alcança os 95 mil e fecha em alta, com mais um recorde…
É a oitava vez este ano que a Bolsa supera marcas. O salto foi amparado na notícia de que Paulo Guedes detalhará a reforma da Previdência em Davos

Já está parecendo o Michael Phelps. De novo, a Bolsa de Valores de São Paulo abriu oscilando muito, em baixa, deu uma virada e...
...quebrou - pela oitava vez neste ano - um recorde: bateu a barreira dos 95 mil pontos.
O Ibovespa que chegou a cair 0,47% pela manhã, com 93.950 pontos, subiu e atingiu os 95 mil às 14h15. O ritmo, porém, desacelerou um pouco logo em seguida. Depois das 16h, entretanto, o indicador passou ter picos de alta. Fechou em 1,01%, a 95.351 pontos. O nadador americano, se tivesse aplicado, ia gostar.
Olho em Davos
O salto do Ibovespa foi amparado na notícia de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, detalhará a reforma da Previdência que o governo pretende fazer a investidores, políticos e empresários na reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), na próxima semana. O texto da reforma ainda não está fechado, mas deverá ser apresentado ao presidente Jair Bolsonaro antes de ele viajar para participar do fórum. De acordo com fontes da área econômica, a mensagem de Guedes no fórum será centrada em três pilares: além da reforma da Previdência, as privatizações e a reforma administrativa que está sendo feita pelo governo.
NY ajudou
O "sprint" final da Bolsa também teve uma forcinha do exterior. No final da tarde, o secretario do tesouro americano, Steven Mnuchin propôs tirar algumas tarifas de importação de alguns produtos chineses para incentivar a China a fazer concessões mais profundas no acordo com os Estados Unidos.
Câmbio
O dólar fechou a quinta-feira em alta de 0,43%, a R$ 3,75. Um movimento de busca por proteção elevou a moeda. Esse ajuste reflete a alta da divisa no exterior, em meio à cautela com um conjunto de fatores, além do início de uma reavaliação nas mesas de câmbio sobre as chances de aprovação da reforma da Previdência. Há uma leitura de que o governo Bolsonaro poderia ter dificuldades em obter aprovação de uma proposta profunda para as aposentadorias. Conduzida por estrangeiros e tesourarias, a demanda defensiva fez a cotação voltar ao maior valor intraday registrado desde o dia 4 de janeiro, logo após a posse.
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Operadores ressaltam que apesar da alta da bolsa hoje, as mesas seguem esperando novidades sobre a reforma da Previdência. Notícias devem vir somente após o presidente Jair Bolsonaro voltar do Fórum Econômico Mundial na Suíça, que termina dia 25. A falta de novidades acaba limitando os ganhos da bolsa e pressiona o dólar, que também sobe acompanhando a alta da divisa perante mercados emergentes, como a África do Sul e México.
Baby, you can ride my car
As ações ON da Localiza foram as que mais subiram, com alta de 6,27%. Os investidores se animaram depois que a companhia admitiu que estuda realizar uma oferta primária subsequente de ações (follow-on). Para o Goldman Sachs, o fato de a Localiza avaliar a possibilidade de realizar uma oferta pública primária de ações (follow on) indica que a administração da empresa prevê crescimentos mais fortes de seus negócios, a taxas superiores aos 20% estimados pelo banco para o aluguel de carros (Rent a Car) e aos 13% para a gestão de frotas em 2019.
Blue Chips
As ações da Vale tiveram alta de 3% e as units do Santander, de 1,26%. Petrobras recuou a maior parte da manhã, mas passou a subir. A PN teve alta de 1,37%. O papéis se recuperam devido à confirmação de que a empresa irá retomar os processos para vender 90% da participação na Transportadora Associada de Gás (TAG) e de 100% da Araucária Nitrogenados (ANSA), como parte de seu plano de investimentos.
Embraer
Entre os destaques de queda, as ações ON da Embraer recuaram 4,79% e lideraram as maiores baixas do Ibovespa depois que o Morgan Stanley cortou a recomendação da ADR da empresa de overweight (desempenho acima da média do mercado) para equal-weight (em linha com a média do mercado), de acordo com um operador.
BRF
A BRF está entre as maiores altas do Ibovespa e segundo operadores o desempenho é justificado pela defasagem de desempenho do papel em relação a seus pares. Em um ano, a ação tem queda de 40%, superada somente pela Minerva, que caiu 44%. Marfrig amarga queda anual de 16%. Hoje, BRF ON subiu 6,48% e Minerva ON, 4.05%. Marfrig subiu 2,30%. Já JBS exibe alta de 37% no ano. Hoje, teve valorização de 1,90%.
Varejo
As empresas varejistas estão entre os destaques negativos do Ibovespa nesta quinta-feira. Segundo profissionais do mercado, os papéis passam por realização de lucros, já que apresentam ganhos de dois dígitos neste início de ano, com exceção de Magazine Luiza. Mas em compensação, essa última acumula valorização de 122% em um ano. Hoje, Via Varejo ON caiu 2,38%, B2W ON recuou 2,42%, e Magazine Luiza ON cedeu 0,30%.
*Com Estadão Conteúdo
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