Ibovespa fecha em baixa de 0,15%, influenciado por Eletrobras
As ações da Petrobras puxaram o índice para cima, enquanto as da elétrica fizeram a força contrária

Na Bolsa de Valores de São Paulo, hoje, houve uma queda de braço entre ações. As da Petrobras puxavam o Ibovespa para cima, enquanto as das Eletrobras faziam a força contrária. A alta do petróleo impulsionou a Petrobras, enquanto a desvalorização que mais pesou foi a da Eletrobras, em torno de 4%. O Ibovespa até tentou renovar o recorde histórico de fechamento pelo quarto dia consecutivo - alcançando mais cedo máxima intraday acima dos 92 mil pontos -, mas teve um pregão instável e sucumbiu a uma realização de lucros, depois de ter avançado 4,50% na primeira semana de 2019. O dólar fechou o dia em alta de 0,43%, cotado a 3,73.
Força para cima
As ações da petroleira estiveram em alta durante o dia todo, mas deram uma bombada e passam de 5% (ON e 3,52% para o PN) depois das 16h. Os papéis reagiram à notícia de que a estatal deverá receber US$ 14 bilhões no acordo com a União na revisão da cessão onerosa, de acordo com informações do Valor PRO. A informação ainda não foi confirmada pela Petrobras.
Segundo apurou o Broadcast, os valores que circulam no mercado a respeito do pagamento de valores bilionários à companhia levam em consideração conversas realizadas no ano passado, pelo governo e direção anteriores.
Conforme a fonte, a história muda. Em alguns cenários, a Petrobras recebe recursos: US$ 4 bilhões, US$ 10 bilhões ou US$ 14 bilhões. Em um deles, a companhia paga dinheiro à União. Em outro, a negociação fica no zero a zero para os dois lados. "Haverá negociação", disse uma fonte ao Broadcast. "São meras projeções", disse outra fonte consultada pela reportagem.
O petróleo também fechou em alta, mas em patamares piores do que os verificados no início da tarde, quando a commodity apresentava valorização superior a 2%. Na Nymex, em Nova York, o barril do WTI para fevereiro subiu 1,17%, a US$ 48,52. Na ICE, em Londres, o tipo Brent para março avançou 0,47%, a US$ 57,33 o barril.
Força para baixo
As principais forças negativas do pregão vieram da Eletrobras. A ON caiu 5,01% e a PNB, 4,30%. Segundo profissionais do mercado, após a euforia dos investidores com os primeiros dias de governo Bolsonaro, os papéis da estatal de energia passaram por uma realização de lucros. Mesmo após os desempenhos de hoje, a ação ON ainda acumula valorização próxima de 20% neste início de ano, enquanto a PNB sobe pouco mais de 15%.
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Natura
Outro destaque negativo do dia ficou com Natura ON (-3,42%). Entre o final de 2018 e os primeiro pregões de 2019, a ação registrou sete altas consecutivas, acumulando ganhos de 10%. Hoje, a ação passou por uma realização de lucros. Segundo profissionais do mercado, o que facilitou esse movimento é a ação estar negociando ex-juros sobre capital próprio a partir de hoje.
Embraer
A Embraer chegou a cair quase 4% na mínima do dia, refletindo declarações do presidente Jair Bolsonaro durante o fim de semana, demonstrando preocupação em relação à fusão com a Boeing. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou que o governo não considera interromper o acordo, mas está "estudando" os termos acertados no final do ano passado. Aí, o papel inverteu o sinal e fechou em alta de 2,07%.
No final da semana passada, Bolsonaro disse estar preocupado com a possibilidade de a nova empresa a ser formada pelas duas fabricantes deixar de ter participação brasileira no futuro. Para ser fechado, o negócio precisa de aval do governo. Essa declaração levou a ação para a mínima de R$ 20,55, mas a posição demonstrada pelo general Heleno fez com que Embraer fechasse cotada a R$ 21,23.
No acordo firmado entre as duas companhias, a Embraer pode se desfazer totalmente dos 20% que deterá da chamada NewCo, a nova companhia que produzirá a atual linha de jatos regionais da Embraer e desenvolverá novos modelos. "Hoje mesmo foi colocada a necessidade de se estudar se essa é a fórmula ideal ou se nós podemos pleitear outro tipo de solução", afirmou o ministro sobre esse ponto específico do contrato.
Pacotinho de viagem
Depois de divulgar sua prévia operacional do quarto trimestre, CVC ON fechou em alta de 1,25%. O BTG Pactual elegeu o papel como "top picks" para 2019 e destacou que os resultados da empresa devem melhorar pela frente em razão de um cenário macroeconômico mais favorável. Em relatório, os analistas Fabio Monteiro e Luiz Guanais destacaram os números operacionais.
A CVC reportou que as reservas confirmadas totalizaram R$ 3,540 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 17,4% ante igual intervalo de 2017. O resultado foi 2,5% superior ao esperado pelos analistas do BTG. "Depois de a CVC reportar, no segundo trimestre, um forte impacto por conta de greve de caminhoneiros, Copa do Mundo e volatilidade cambial, os resultados operacionais do segundo semestre mostraram uma melhor tendência", escreveram os analistas do BTG.
Suzano
A queda nos preços da celulose na China pela terceira semana seguida voltam a penalizar as ações ON da Suzano, com retração de 4,23%. Além disso, acrescenta Luis Gustavo, da Guide Investimentos, a queda do dólar, contribui para o mau desempenho do papel.
Vale
A volta das negociações comerciais entre os EUA e a China hoje animou as empresas ligadas a commodities, sobretudo Vale e siderúrgicas. Vale ON teve alta durante o dia. Mais próximo do encerramento da sessão, entretanto, Vale ON e Banco do Brasil ON voltaram ao terreno negativo para encerrar em queda, respectivamente de 0,54% e 0,66%
Quebrou a corrente
O dólar interrompeu uma sequência de cinco quedas consecutivas e encerrou o primeiro pregão da semana em alta de 0,45%, a R$ 3,7348, indo na contramão de outras moedas de países emergentes. Pela manhã, a moeda americana chegou a ser negociada abaixo dos R$ 3,70, seguindo a fraqueza da divisa no exterior. Mas à tarde reverteu a tendência de baixa, com os investidores fazendo um esperado movimento de ajuste após a queda acumulada de 4,06% somente na primeira semana de 2019. Operadores destacam também que houve um fluxo de saída na parte da tarde, o que ajudou a pressionar o câmbio.
Informações desencontradas sobre pontos importantes do novo governo, como a reforma da Previdência, têm feito o investidor aumentar o tom de cautela. Uma mostra disso é que os estrangeiros reforçaram a posição comprada em dólar (que ganha com a alta da moeda) nos últimos dias. A posição aumentou US$ 1,7 bilhão somente nas três primeiras sessões do ano, segundo dados da B3, que vão até o pregão de sexta-feira (4), considerando o dólar futuro e cupom cambial.
*Com Estadão Conteúdo
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