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Guerra comercial eleva cautela dos gestores, que reduzem projeção para Ibovespa, mas visão é de que ações terão bom desempenho no ano.

O cenário global, marcado pelo aumento das tensões comerciais e cambiais entre Estados Unidos e China, está no foco dos gestores regionais, que reduziram o otimismo com relação ao mercado brasileiro, segundo a última edição da pesquisa feita pelo Bank of America Merrill Lynch.
Para 46% dos entrevistados, o principal risco para a América Latina é a guerra comercial, maior leitura desde o início da pesquisa. O segundo maior risco de cauda é a China e commodities (27%).

Essa preocupação bateu nas avaliações sobre o Ibovespa. Agora em agosto, 59% dos gestores acreditam que o índice fecha o ano acima dos 110 mil pontos, contra 87% na sondagem anterior. E apenas 29% dos gestores pretendem elevar sua exposição ao mercado de ações, menor leitura desde agosto de 2018.

Ainda assim, o banco avalia que os gestores mantêm uma avaliação positiva com relação ao Brasil, pois a maioria acredita na retomada do grau de investimento, e 71% afirmam que o mercado de ações terá desempenho melhor que os pares (outperform) ao longo dos próximos seis meses.
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Após a redução da Selic pelo Banco Central no fim julho, subiu de 23% para 44% o número de gestores que trabalham com juro abaixo de 5,5% no fim de 2019.
Para a taxa de câmbio, no entanto, a avaliação ficou um pouco menos positiva, pois caiu de 84% para 66% as previsões de dólar abaixo de R$ 3,80.
Assumindo a aprovação da reforma da Previdência, que agora tramita no Senado, os gestores são perguntados sobre o que falta para que eles adotem uma visão mais positiva sobre o país.
E o que falta é crescimento econômico mais forte para 56% deles, contra 37% em julho. Outros 29% querem ver progresso em outras reformas (contra 40% anteriormente). Só a reforma não basta, mas isso não é mais novidade. Aliás, todos acreditam na aprovação final com economia na casa dos R$ 900 bilhões. Previdência seria um assunto superado.
A pesquisa foi feita antes do resultado das eleições primárias na Argentina, mas a sondagem do banco tinha captado uma postura muito otimista, já que dois de cada três gestores acreditavam em melhora na situação política do país e apenas 7% acreditavam em deterioração. Para o banco, isso ajuda a explicar a forte queda de ontem, quando a bolsa caiu quase 40% e o dólar chegou a saltar mais de 30%.
Na sondagem com os gestores globais, o BofA Merrill Lynch captou a postura mais “otimista” (bullish) com taxa de juros desde novembro de 2008. Para 43% dos gestores as taxas de juros de curto prazo estarão menores ao longo dos próximos 12 meses.
Cabe ressalvar que que juro baixo nem sempre é boa coisa. E a visão de juro baixo decorre, justamente, da previsão de recessão à frente.
Para 34% dos gestores, uma recessão é um evento provável dentro de 12 meses, maior leitura desde outubro de 2011, enquanto 64% acham isso improvável.
A pesquisa também captou um percentual recorde de 50% dos gestores se dizendo preocupados com a alavancagem das empresas. Para 46% deles, as companhias devem usar seu fluxo de caixa para melhorar os balanços, 36% preferem que os recursos sejam destinados a investimentos e 13% esperam ver o dinheiro sendo devolvido para acionistas via dividendos ou recompra de ações.
A classe de ativos mais propensa a ter uma bolha de preço são os títulos corporativos, para 33% dos gestores, na sequência, com 30%, estão os títulos de governo, mercado de ações dos EUA (26%) e o ouro (8%).
Em termos de alocação regional, os emergentes lideram as preferências, mas caiu de 23% para 12% o percentual de investidores que dizem carregar posições acima da média. Postura semelhante a vista na pergunta sobre alocação em ações globais.
Apesar de 78% dos gestores afirmaram que o mercado de ações dos EUA está sobrevalorizado, esse continua sendo o mercado preferido, com 15% dos gestores propensos a ampliar a exposição ao longo dos próximos 12 meses.
Como na pesquisa regional, a guerra comercial é o maior risco, com 51%. Na sequência, com 15%, está a preocupação com a falta de potência da política monetária em lidar com uma desaceleração global. A China e uma possível bolha no mercado de dívida corporativa aparecem com 9% cada.
A pesquisa foi feita entre os dias 2 e 8 de agosto com 244 gestores responsáveis por US$ 553 bilhões. Na pesquisa global foram 171 participantes, com US$ 455 bilhões, e 115 responderam as pesquisas regionais, com US$ 211 bilhões sob gestão.
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