Em oferta na bolsa, Magazine Luiza atrai fundos ‘tech’ para sua base acionária
Com a oferta, base acionária começa, aos poucos, a refletir a companhia que a família Trajano projetou: uma empresa de tecnologia

O Magazine Luiza colocou em seu caixa cerca de R$ 4,3 bilhões após concluir sua oferta subsequente (follow on), alcançando alta demanda no mercado. Mesmo que ainda de forma tênue, sua base acionária começa, aos poucos, a refletir a companhia que a família Trajano projetou: uma empresa de tecnologia.
A administração do Magalu foi para o exterior para as reuniões com investidores, o chamado roadshow, com o objetivo de atrair fundos dedicados ao setor de "tech" - e conseguiu trazer alguns. Uma das paradas foi São Francisco, nos Estados Unidos, coração da revolução tecnológica mundial. Uma das gestoras internacionais que ingressou na oferta foi T.Rowe, que investe em empresas como o Mercado Livre. Alguns fundos dessa gestora compraram ações, incluindo um dedicado a ações de tecnologia.
No total, a oferta chegou a R$ 4,7 bilhões, considerando uma oferta secundária de R$ 430 milhões com a venda de ações detidas pela família Trajano.
Da demanda pela oferta, 60% veio dos estrangeiros, mas na hora na alocação a equação se inverteu: os locais ficaram com 60% e o restante foi alocado com os gringos. Essa é a maior oferta de ações de uma empresa privada em 2019, ficando para trás apenas das ofertas do IRB Brasil Re, BR Distribuidora e Petrobrás.
[captacao]
Agora, com bilhões no caixa, a companhia está preparada para fazer frente a novos investimentos e empreitadas. Um dos focos será a entrega de serviços, no mote "Magalu as a service". A área tem sido prioridade da empresa e a aproxima do que é feito pela gigante americana Amazon, que tem apertado os passos em direção ao Brasil e aumentado cada vez mais sua presença. Sem se incomodar, o Magalu pretende aumentar o leque de serviços oferecidos aos varejistas de seu marketplace, shopping virtual que reúne outros lojistas, como antecipação de recursos a receber e logística.
Leia Também
"O Magazine Luiza quer se consolidar como plataforma de consumo, seguindo os passos de Amazon e Alibaba. Oferecer o 'Magalu as a service' vem de uma proposta de diversificação de portfólio. É tudo parte do novo mindset do varejo", explica o sócio-diretor da consultoria GS&, Caio Camargo.
No fato relevante divulgado ao mercado sobre a oferta pública, o Magalu informou que o dinheiro captado teria uma longa lista de propósitos. Dentre elas, a expansão da plataforma de marketplace, abertura de novas lojas e, ainda, aquisições.
Segundo analistas da Eleven Financial, a capitalização do Magalu para continuar seus investimentos em logística e atendimento deve continuar colocando a empresa como um diferencial no setor. "Acreditamos que a expansão de lojas e crescimento consistente de vendas em todos os canais, mais expressivo no marketplace que ainda está em estágio inicial, deve sustentar o posicionamento forte do Magazine Luiza", segundo relatório enviado a clientes, assinado pelos analistas Giovana Scottini e Eric Huang.
Para Camargo, da GS&, a grande vantagem do Magazine em relação aos seus concorrentes é ter entrado na onda de tecnologia mais cedo que os demais. "Eles não são os únicos fazendo isso. Outros varejistas estão atirando para todos os lados", ressaltou.
High tech
No final do ano, com o reforço da Netshoes, aquisição feita neste ano, o Magalu deverá ter mais receita com suas vendas no e-commerce do que com suas lojas físicas, feito que aqui no Brasil é novidade entre as varejistas tradicionais. É isso o que já começou a sinalizar o último resultado da varejista.
No fim de setembro, o marketplace do Magalu cresceu 300%, passando a responder por 26% do e-commerce total da empresa. Já as vendas online cresceram 96%, atingindo R$ 3,3 bilhões - 48% das vendas totais. A indicação é que, com os novos investimentos e com os ganhos adicionais de sinergias com a Netshoes, essa fatia até o fim do ano superará os 50%.
"Na divulgação do resultado do último trimestre vimos que o resultado cheio de Netshoes contribuiu para o fortalecimento do e-commerce e ampliação do sortimento que tem se mostrado essencial para o aumento do fluxo de clientes nas plataformas online", afirmou a Eleven, no relatório.
Com a oferta, primordialmente primária, o Magalu galgou mais uma posição no ranking de valor de mercado das empresas listadas da B3.
Com a demanda da oferta foi colocado parcialmente o lote adicional e vendidas no total, somando o lote principal, 100 milhões de novas ações.
A família Trajano, por sua vez, vendeu 10 milhões de ações se aproveitando do apetite do mercado e embolsou R$ 430 milhões. A família, conforme o fato relevante sobre a oferta, poderia ter vendido até 20 milhões de ações na oferta, mas decidiu monetizar apenas a metade desse volume.
A oferta foi coordenada pelos bancos Itaú BBA, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, Banco JPMorgan, BB Investimentos, Bradesco BBI, Banco Morgan Stanley e Santander Brasil. Procurado, o Magazine Luiza não comentou.
DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU
SpaceX salta 10% após balanço, mas duas linhas do resultado servem para manter investidores ‘com os pés no chão’, diz BTG
21 de outubro de 2026 - 11:17É COMPRA
XP dá sinal verde para fundo imobiliário e recomenda compra — mas com uma ressalva
20 de outubro de 2026 - 15:07ESG