Por trás da propaganda, varejista de maconha enfrenta crise
Ações da MedMen, varejista de cannabis mais famosa dos Estados Unidos, já caíram 60% desde o pico em outubro do ano passado e serve de alerta para a indústria da maconha
Hoje gostaria de mudar um pouco o tom das últimas colunas. Depois de focar muito no lado bom da coisa, hoje escrevo para mostrar que nem tudo são flores para o badalado mercado legal da maconha.
A história que vou contar ainda está tendo novos capítulos escritos e envolve a varejista de cannabis mais famosa dos Estados Unidos, chamada MedMen.
Trata-se de um caso que serve de alerta para toda a indústria norte-americana de maconha, na medida em que uma grande empresa do setor está tendo que correr para levantar dinheiro a fim de cobrir suas perdas recentes.
Demonstrações financeiras divulgadas no mês passado mostraram que a MedMen corre o risco de ficar sem dinheiro dentro de alguns meses, a menos que ela consiga levantar mais capital.
Isso até aconteceu na última semana, quando a companhia aliviou qualquer crise financeira imediata ao conseguir uma linha de crédito de US$ 100 milhões de uma firma de investimentos focada em cannabis.
O contrato prevê ainda que o empréstimo pode ser aumentado para US$ 250 milhões se o desempenho operacional da empresa melhorar.
Leia Também
Do petróleo ao bitcoin (BTC): como o ataque dos EUA à Venezuela mexe com os mercados
O problema é que os termos do financiamento são bastante onerosos, de 6% sobre a Libor – a taxa de juros de grandes empréstimos entre bancos internacionais que operam no mercado de Londres – e emissão de warrants, ou títulos de garantia.
Em meio à difícil situação, as ações da MedMen, listadas na Canadian Securities Exchange e no mercado de balcão da Nasdaq, já caíram 60% desde o pico em outubro do ano passado, reforçando a necessidade de uma devida diligência na hora de se escolher em quais papéis do setor investir.
A luta da MedMen mostra o desafio que as empresas de maconha enfrentam ao operar em estados onde altos impostos e restrições de dispensários – o termo do setor para as lojas – aumentaram os preços do produto legal. Na Califórnia, o principal mercado da MedMen, companhias legais altamente regulamentadas estão tendo que competir por clientes com revendedores ilícitos que cobram muito menos.
De fato, os dispensários e reguladores começaram a exigir uma maior fiscalização contra o mercado ilegal na Califórnia, aumentando o potencial de que a legalização possa realmente levar a uma nova onda de prisões relacionadas à maconha. Enquanto isso, a MedMen teve sucesso limitado em seus esforços para atrair usuários novos ou pouco frequentes, levantando questões sobre quão grande esse mercado pode ser.
Com 16 lojas no final de 2018, a MedMen, que fica sediada na Califórnia, tentou uma estratégia diferente para conseguir comercializar a cannabis para novos usuários. Enquanto a maioria dos dispensários compete pelos clientes focando no preço ou na força do produto, a MedMen pretende se tornar uma cadeia de varejo nacional e se autodefinir como uma experiência de alto nível em lojas elegantes.
Para isso, a empresa lançou recentemente um anúncio de dois minutos chamado “The New Normal”, que evoca a sigla da Organização Nacional para a Reforma das Leis da Maconha (National Organization for the Reform of Marijuana Laws) para extorquir a cannabis legalizada.
O vídeo, do premiado diretor Adam Spiegel – também conhecido como Spike Jonze – termina com um casal suburbano carregando uma sacola vermelha da MedMen. “O símbolo da contracultura é agora apenas cultura”, conclui o anúncio. “É normal novamente.”
https://www.youtube.com/watch?v=g74sc4O8vqg
Mas por trás do brilho da propaganda, as finanças da MedMen estão sombrias.
Durante os últimos seis meses de 2018, a MedMen perdeu US$ 131 milhões, ou mais de US$ 2 para cada dólar em maconha que vendeu. Para cobrir essas perdas e financiar seus planos de expansão, a empresa arrecadou quase US$ 200 milhões de setembro a novembro. Esse dinheiro já se foi. No final do ano, a companhia tinha cerca de US$ 80 milhões no banco. São quatro meses em dinheiro, com base na rapidez com que o perdeu no ano passado.
Em seu mais recente relatório financeiro, emitido em 27 de fevereiro, ela alertou: “No nosso atual nível operacional, não teremos fundos suficientes gerados pelas operações para cobrir nossas necessidades operacionais de curto e longo prazos”.
Para ganhar tempo, a MedMen vendeu algumas propriedades, incluindo dispensários. Mas essa estratégia tem limites. A empresa já se desfez de grande parte de seus melhores imóveis e, ao vender os ativos, acabou aumentando ainda mais seus custos, porque agora deve pagar aluguel aos novos donos das lojas.
Em nota, a companhia disse que melhorar o perfil financeiro e o fluxo de caixa tem sido uma de suas principais prioridades, e que já promoveu melhorias significativas com a implementação de iniciativas de gastos mais inteligentes.
Como alento ao setor, alguns dos problemas da MedMen parecem ser específicos da empresa, e não da indústria como um todo.
Em 29 de janeiro, James Parker, que era o diretor financeiro da empresa até novembro, processou a empresa no tribunal estadual da Califórnia. Ele alegou que foi forçado a sair por causa de suas preocupações com os gastos e o comportamento não profissional dos dois principais executivos da companhia, Adam Bierman e Andrew Modlin.
Parker disse que ambos mostravam “desprezo pelo cumprimento da lei em geral”, bem como por regulamentos que cobrem as empresas de cannabis. Na parte mais pesada da acusação, afirmou que era tolerado o uso de cocaína pelos funcionários e que a MedMen se engajou em esquemas para manter elevado o preço das ações – os executivos negam as alegações e dizem que o processo não tem fundamentos.
Mas os problemas da MedMen também apontam para questões maiores na indústria legal de maconha, especialmente na Califórnia e em Massachusetts, que têm mercados fortemente regulamentados e de alto custo.
Em 19 de fevereiro, o estado da Califórnia divulgou que os impostos sobre vendas legais de cannabis e extratos de THC caíram durante o outono de 2018 a partir do verão. Os tributos são recolhidos sobre as vendas de maconha medicinal e recreativa, o que significa que o comércio legal total diminuiu.
Uma promessa de legalização era que a maconha regulamentada atrairia os consumidores para longe das vendas ilegais. Mas, por enquanto, a legalização pouco prejudicou o enorme mercado ilegal de cannabis da Califórnia.
O comércio ilícito inclui tudo, desde fazendas no norte rural do estado até dispensários não regulamentados que operam à vista de todos os serviços de entrega que levam a maconha às portas dos usuários.
Os provedores do mercado negro não enfrentam despesas regulatórias, de seguro ou tributárias e podem, portanto, cobrar preços bem menores do que operadores legais como a MedMen.
“O mercado sem licença continua a florescer, em parte devido à vantagem financeira competitiva que tais operações têm sobre as empresas legais de cannabis”, reclamou a comissão consultiva de cannabis da Califórnia em seu relatório de 2018.
“Muitas pessoas entram nas lojas”, diz Tom Adams, diretor-gerente de análise de mercado da BDS Analytics, que cobre a indústria de cannabis, falando do mercado da Califórnia – embora não especificamente da MedMen. “Eles analisam os preços dos produtos, especialmente os consumidores de longa data que usam muito, e dizem: 'Eu sei qual é o preço certo, e não é isso'. "
Como resultado, a BDS estima que o mercado ilícito ainda fornece cerca de 80% de todas as vendas de maconha na Califórnia, e os dispensários apenas 20%. O problema é tão grave que o chefe da comissão reguladora de cannabis do estado está pedindo uma maior atividade de fiscalização contra fornecedores ilegais.
Alguns dos outros estados a legalizarem, como o Colorado e o Oregon, seguiram uma estratégia diferente, concedendo liberalmente dispensários e licenças agrícolas. Nesses estados, os preços legais de varejo despencaram e os dispensários respondem por cerca de 60% a 70% de todas as vendas.
Mas as margens de lucro são mais apertadas nesses estados. Motivo pelo qual a MedMen os evitou, concentrando-se naqueles em que a oferta legal é limitada na tentativa de cobrar preços mais altos para novos usuários. Foi um tiro no pé.
Infelizmente, apesar da ajuda de Jonze, a MedMen não encontrou esses usuários com rapidez suficiente para cobrir seus custos. Agora, está correndo contra o tempo para fazê-lo, levantando a questão de saber se as empresas de maconha legal poderão ter grandes lucros servindo um mercado bastante sensível aos preços.
Calendário 2026: Ano terá nove feriados durante a semana — veja quando vão cair
Com nove dos dez feriados nacionais caindo em dias úteis, calendário de 2026 favorece emendas e planejamento de folgas ao longo do ano
Novo salário mínimo já está em vigor: veja o valor e quando o dinheiro cai na conta
Salário mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026, entra em vigor em 1º de janeiro e deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia, segundo o Dieese
Novo salário mínimo entra em vigor nesta quinta-feira (1); veja o valor
Reajuste foi de 6,79%, acima da inflação, e impactará trabalhadores da ativa, aposentadorias e benefícios da Previdência Social
O inimigo agora é outro: a China impôs tarifas à carne bovina brasileira, mas governo promete tentar mitigar impactos
O Brasil terá uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas, e as exportações que ultrapassarem esse volume pagarão uma sobretaxa de nada menos que 55%, em adição aos 12% de imposto de importação já vigentes
Novas regras de multa do Simples Nacional entram em vigor a partir de hoje
Microempresas e empresas de pequeno porte devem ficar atentas à entrega mensal do PGDAS-D, que informa o faturamento da empresa, e ao envio anual da DEFIS, que reúne os dados econômicos e fiscais do negócio
Adiado, sorteio da Mega da Virada de 2025 está previsto para as 10h; acompanhe ao vivo aqui
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Imposto de Renda: nova faixa de isenção começa a valer hoje; veja quem fica livre do tributo
Nova lei do Imposto de Renda amplia faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil e cria tributação sobre lucros e dividendos de altas rendas
Mega da Virada de 2025 só em 2026! Caixa adia o sorteio. Veja quando ele vai acontecer.
Caixa atribui adiamento da Mega da Virada a problemas técnicos derivados do intenso movimento em seus canais eletrônicos
Chegou a hora da Mega da Virada de 2025; assista aqui ao sorteio ao vivo
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Caixa encerra apostas para Mega da Virada, mas ainda há uma brecha para quem não conseguiu jogar
Até as 20h30, casas lotéricas de todo o Brasil seguirão comercializando as cotas de bolão ainda disponíveis para a Mega da Virada.
Ainda dá tempo de apostar na Mega da Virada de 2025, mas é preciso correr
Mega da Virada de 2025 sorteia hoje um prêmio estimado em R$ 1 bilhão. O valor é recorde na historia das loterias e não acumula.
Touros de 2025: Ibovespa, Axia (AXIA3), Galípolo e ouro — confira os melhores do ano, e uma menção honrosa na visão do Seu Dinheiro
Podcast Touros e Ursos faz a retrospectiva de 2025 e revela quem mandou bem na política, economia e investimentos; veja os indicados
China anuncia tarifa de 55% para importação de carne bovina; veja o que muda para o Brasil, maior exportador da proteína ao país
O Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China, terá uma cota isenta de tarifas, assim como outros grandes players
CVM terá novo presidente interino; colegiado da autarquia abrirá 2026 com 3 cadeiras vagas
Sem uma indicação pelo presidente Lula para liderar a reguladora, a presidência interina passará, na virada do ano, para o diretor João Accioly, o mais antigo na casa
Lotofácil 3575 faz 3 novos milionários na véspera da Mega da Virada
Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na faixa principal na terça-feira, 31 de dezembro, véspera de ano-novo e da Mega da Virada de 2025.
O ouro brilhou, mas o Ibovespa também! Já o bitcoin (BTC) comeu poeira… veja a lista dos melhores e piores investimentos de 2025
Principal índice da B3 fechou ano em alta de 34%, acima dos 160 mil pontos, atrás apenas do metal dourado, que disparou
Toffoli volta atrás e decisão da acareação em inquérito sobre o Banco Master fica nas mãos da PF; entenda o que está em jogo e como fica o processo agora
Nesta tarde, a Polícia Federal (PF) vai colher os depoimentos individuais dos envolvidos e, caso considere necessário, os participantes poderão passar por uma acareação
Desemprego até novembro cai para 5,2% e volta a atingir menor taxa da série histórica; renda média sobe
O indicador de desemprego tem registrado, sucessivamente, as menores taxas da série histórica desde o trimestre encerrado em junho de 2025
Bancos funcionam no Ano Novo? Veja o que abre e o que fecha
Bancos, B3, Correios e transporte público adotam horários especiais nas vésperas e nos feriados; veja o que abre, o que fecha e quando os serviços voltam ao normal
‘Imposto sobre Pix acima de R$ 5 mil’ é fake news, alerta Receita Federal
Órgão desmente alegações de taxação sobre transações financeiras a partir de R$ 5 mil