Menu
Ivan Sant’Anna
Seu Mentor de Investimentos
Ivan Sant’Anna
É trader no mercado financeiro e autor da Inversa
2019-10-14T14:30:58-03:00
SEU MENTOR DE INVESTIMENTOS

O desafio de encontrar o fundo dos fundos e o topo dos topos

Este ciclo de inflação próxima de zero e juros reais negativos em algum momento vai virar. É bom ficar de olho, com a maior paciência do mundo

19 de agosto de 2019
11:39 - atualizado às 14:30
shutterstock_242289160
Bolsa de Nova York, em 1936. - Imagem: Shutterstock

Se você ainda não sabe qual terá sido o melhor momento de se comprar ações na Bolsa de Valores de Nova York, vou contar nesta crônica. Foi na quarta-feira, 1º de fevereiro de 1933.

O mercado sofrera o grande crash três anos e meio antes, em 29 de outubro de 1929 ( Black Tuesday), e desde então não vinha fazendo outra coisa a não ser cair.

O panorama em todo o território americano era simplesmente desolador: desempregados se enfileiravam para receber um prato de sopa e um pedaço de pão dormido.

À noite, famílias inteiras se espremiam em albergues públicos, de onde eram expulsas ao amanhecer, mesmo que sob chuva ou neve.

Nas áreas rurais, pequenos fazendeiros, meeiros e arrendatários deixavam suas terras e iniciavam uma longa e lenta migração para a Califórnia, de onde se diziam maravilhas.

Ao longo do exaustivo caminho, amontoados em calhambeques, percorrendo estradas poeirentas, paravam para acampar duas ou três semanas em trens cargueiros abandonados pelas ferrovias por falta de mercadoria para transportar.

Eis como John Steinbeck descreveu aqueles tempos em As Vinhas da Ira:

“Os vagões de carga, em número de doze, estavam alinhados um atrás do outro num terreno baldio, de pequenas dimensões, que ladeava o riacho. Eram duas fileiras de seis vagões cada uma, cujas rodas tinham sido desmontadas. Pranchas serviam de acesso às largas portas corrediças dos vagões, que tinham sido transformados em boas moradias, impermeáveis, sem fendas, capazes de abrigar vinte e quatro famílias ao todo, uma família em cada metade do vagão. Não havia janelas neles, mas as portas largas permaneciam sempre abertas. Em alguns carros, havia lona estirada como linha divisória entre as duas famílias.”

Pois bem, quem dispunha de algum capital, e comprou ações na Bolsa naquele 1º de fevereiro de 1933, acabou deixando uma fortuna para os filhos, netos e bisnetos. O ganho até hoje, reaplicando os dividendos, foi de espantosos 2.044.292% (segundo o Industrial Dow Jones). Claro que alguns papéis precisaram ser trocados por outros no meio do caminho.

Esse portfólio teve de atravessar enormes obstáculos: Segunda Guerra Mundial; dois choques do petróleo, crash de 1987 e crise do subprime.

É muito difícil detectar um bottom ou um top. Eu mesmo, que estou no mercado há 61 anos, só achei uma vez. Foi em novembro de 1986, quando percebi que o Plano Cruzado fracassara e comprei, na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (Bolsinha), ouro “futurão” (com vencimento em dezembro de 1987). Foram tantos limites de alta que até perdi a conta.

É verdade que já dei outras grandes porradas, comprado ou vendido à descoberto, mas pegar o fundo dos fundos ou o topo dos topos só essa vez.

O mundo está entrando numa fase de taxas de juros (reais e até mesmo nominais) negativas. Uma ameaça de deflação ronda as economias do planeta. Em algum instante, isso vira de repente. Quem detectá-lo vai, como dizem os americanos, hit the bull’s-eye.

Quando era adolescente (tinha meus 13 ou 14 anos), meu pai me explicava que deflação era pior do que inflação.

“As pessoas só compram o estritamente necessário”, ele dizia. “ Vão ficar esperando os preços caírem. E eles caem justamente porque as pessoas não compram.”

Podemos estar no início desse processo. E quem detectar o fim, que poderá até demorar alguns anos, vai dar a mesma tacada do personagem que imaginei para 1933.

Muitos analistas dizem que as pessoas compram iene por proteção. Na verdade, não é bem assim. Compram na expectativa de valorização sobre as demais moedas, valorização acima de no mínimo 0,94% ao ano, que é a soma das taxas de juros negativas japonesas (0,24% nos títulos de 10 anos do governo) com a inflação anual daquele país: 0,7%.

Antes, uma explicação sobre por que o valor nominal do iene é tão menor do que o das outras moedas. Moedas sérias, bem entendido. É que eles, apesar da derrota na Segunda Guerra Mundial, e da inflação que se seguiu, jamais fizeram uma reforma monetária, tal como aconteceu na Alemanha.

Hoje o iene, apesar das altas recentes, vale menos de um centavo de dólar: 93,95 centésimos de um cent. Mas já chegou a ser cotado a mais de um centavo: US$ 0,0125, em abril de 1995. Nessa época, quem fez hedge em iene se deu muito mal pois a moeda não recuperou esse valor até hoje.

Em minha opinião, como iconoclasta de carteirinha, acho uma ilusão passageira pensar que o ouro e o iene protegem o portfolio de uma pessoa. Isso é uma situação passageira. Ouro não rende nada. Quanto ao iene, você paga para tê-los.

Voltando ao tema do início desta coluna, no momento não vejo nada fazendo um high ou low histórico, tal como aconteceu com a Bolsa de Nova York em 1933 (sete anos antes de eu nascer) ou com o ouro na Bolsinha em 1986, aquele que acertei na mosca.

Mas tenho certeza de que este ciclo de inflação próxima de zero e juros reais negativos em algum momento vai virar. É bom ficar de olho, com a maior paciência do mundo, pois talvez demore um pouco.

Quando isso acontecer, irá propiciar investimentos que irão dar lucro para várias gerações.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Clima tenso na política

Bolsonaro ainda não respondeu carta dos governadores, diz Doria

Mandatários estaduais acusam o presidente de dar declarações que ferem a democracia brasileira

Planejando o futuro

3 erros que você deve evitar ao planejar seus investimentos para aposentadoria

Fique de olho pois nesse longo caminho existem algumas ciladas que muita gente acaba caindo

Os movimentos do magnata

Warren Buffett vendeu mais de US$ 800 milhões em ações da Apple no último trimestre. Mas o que isso significa?

Conheça algumas razões para que esse volume de ações da Apple tenha saído das mãos de um dos maiores investidores do mundo

Oportunidade como poucas

‘Brasil tem potencial para ser líder em finanças verdes’, afirma presidente do UBS

Sylvia Coutinho afirma que o país pode conseguir atrair investimentos externos se souber aproveitar essa oportunidade

Produção de biogás

O ‘pré-sal caipira’: a energia que vem da criação de porcos

Dejetos dos suínos se tornaram matéria-prima para a produção de biogás

Climão no governo

Bolsonaro afirma que ‘implodiu’ Inmetro por ‘excesso de zelo’ em regra para táxis

Conflito acabou levando para a demissão da presidente do órgão, Angela Flores

IPOs no radar

Com impulso de médias empresas, bolsa pode movimentar R$ 200 bilhões

Marcas conhecidas e empresas regionais estão buscando assessoria financeira ou até já protocolaram pedido para o IPO

Epidemia mundial

Número de infectados por coronavírus no mundo passa de 78,5 mil

Do total, 77.027 foram diagnosticados somente na China

E que vitória

EUA: Bernie Sanders vence com folga prévias eleitorais do partido Democrata em Nevada

Com a vitória, senador consolida seu status de líder Democrata em meio a crescentes questionamentos sobre suas ideias mais liberais

Enquanto isso, no Guarujá

Presença de Bolsonaro eleva adesão para criação do partido Aliança pelo Brasil

Tenda com fotos do presidente foi montada próxima ao local onde o presidente está hospedado em Guarujá para colher novas assinaturas

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu