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Os investimentos de impacto já viraram moda e provam para você que é possível ganhar dinheiro com ações que trazem mudanças sociais
Quando eu era pequeno convivia muito com projetos sociais. A origem católica da família fez com que minha rotina na igreja, para além da missa de domingo às 8 da manhã, fosse cercada de ações de caridade.
Meu avós, por exemplo, eram membros dos chamados “vicentinos”, um grupo que arrecada alimentos e roupas para famílias carentes. Até hoje o seu Manoel, que já ostenta seus 87 anos, participa dessas atividades filantrópicas e se queixa porque os filhos e netos não seguiram seus passos.
Quando comecei a fazer a cobertura jornalística do mercado financeiro, pensava que investimentos e mudanças sociais estavam em campos bem separados - e não vou achar estranho se você também tiver essa ideia.
Mas e se eu te disser que os dois conceitos podem formar uma dupla de sucesso?
Já faz alguns anos que investidores podem contar com a alternativa dos chamados “investimentos de impacto”. Provavelmente você já ouviu falar de algum, mas nunca percebeu que o objetivo final deles era financiar iniciativas que trouxessem mudanças sociais.
Antes que você me pergunte: não, não se trata de filantropia nos mesmos moldes que meu avô faz até hoje. O objetivo aqui é obter retornos financeiros com aquele dinheiro que você já estava pensando em doar para caridade. É uma soma entre rendimento e incentivo a projetos que trazem mudanças sociais.
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Nesta matéria vou explicar um pouco como funciona esse setor do mercado e como você pode fazer parte dele.
Os investimentos de impacto funcionam de forma muito mais simples do que as pessoas imaginam. Em geral, são gestores que captam recursos dentro do mercado financeiro e investem em projetos de empreendedorismo com objetivos de mudanças socioambientais.
O foco dessas empresas que fazem o "meio de campo" entre a fonte de recursos e o projeto em si é procurar iniciativas nascentes. Ou seja, que possuem uma grande ideia, mas que ainda patinam em termos de estrutura para conseguir consolidá-lo.
O grande diferencial é que os projetos de impacto social acabam se enquadrando dentro da lógica do mercado. Mesmo com o objetivo principal sendo a transformação, existe também a demanda para que o negócio traga resultado aos que investem nele.
Para te ajudar a entender um pouco mais sobre esses projetos, separei para você algumas das principais gestoras de investimentos de impacto do Brasil.
Uma das grandes marcas que vêm à cabeça quando o assunto é investimento de impacto é a Yunus. Em atuação no Brasil desde 2013, o grupo foi fundado pelo economista premiado com o Nobel da Paz em 2006 Muhammad Yunus.
A empresa começou focada no microcrédito, mas logo ganhou novas características e passou a olhar para o apoio aos empreendedores sociais. Os critérios para a escolha dos projetos são:
Eu bati um papo com o Luciano Gurgel, gestor da área de investimentos da Yunus no Brasil, e ele me contou que a prioridade da empresa sempre foi o impacto social. Para ele, a grande sacada é criar uma linguagem de mercado que ao mesmo tempo está disposta a resolver problemas sociais.
Com uma estrutura consolidada no Brasil, a Yunus é madrinha de diversos projetos pelo País. Os principais deles são:
Em abril deste ano, a empresa conseguiu uma captação de R$ 8 milhões na primeira rodada do seu fundo captado com recursos de investidores brasileiros.
Falando de perfil de investimento, o próprio Luciano Gurgel conta que a maneira como essas aplicações se desenvolvem é distinta das tradicionais. “O dinheiro que a gente capta é diferente daquele recurso rápido, que precisa de um retorno imediato. Buscamos investidores que trabalham seu capital com calma, aquele dinheiro que está sobrando e que ele destinaria para uma simples doação.”
Outro importante player dos investimentos de impacto é a Din4mo. Fundada há cinco anos no Brasil, a empresa também tem como missão o empreendedorismo social. Nesse processo, o foco de trabalho se dá por três frentes:
Convidei o Marco Gorini, um dos fundadores a Din4mo, para uma conversa e ele me contou que a ideia de criar a companhia partiu de um “vácuo” que existia entre os investidores e as aceleradoras de projetos de impacto.
A ideia da Din4mo foi trabalhar com startups que já estão em uma fase mais avançada de negócio, mas que ainda encontram dificuldades em alcançar as fontes de investimentos.
Gorini conta que o seu trabalho sempre carrega um olhar de longo prazo e que ele busca apoiar o empreendedor com consultorias e alavancagem das empresas. Para o executivo, um termômetro de sucesso da Din4mo é o fato de que todas as empresas sob seu comando seguem vivas e gerando impacto, em meio a um mercado no qual a maior parte os projetos acabam afundando no meio do caminho.
Atualmente, o principal projeto da Din4mo é o programa “Vivenda”, que reforma casas de famílias de baixa renda. Para Gorini, o sucesso desse projeto advém da estratégia mais agressiva de investimentos às famílias, ultrapassando o simples ato de reforma das suas casas.
Quando o assunto é aceleração de negócios, uma das referências é a Artemisia.
Fundada em 2004, a empresa nasceu com o objetivo central de combater problemas sociais, mas nos últimos anos a estratégia de negócio mudou e os trabalhos como aceleradora ganharam destaque.
A gerente de Relações Institucionais da empresa, Priscila Martins, também conversou comigo sobre o modelo de negócio praticado por lá.
Nesse bate-papo, ela comentou que as condições sociais do Brasil são muito desafiadoras, com diversos recursos básicos deficitários, e que a proposta é exatamente combater essas situações através do empreendedorismo.
“Nossa missão é criar uma massa de startups que alavanquem o mercado de investimentos de impacto para mudar a realidade do Brasil”, conta.
O primeiro grande projeto da Artemisia foi o movimento “Choice”, que criou uma rede de jovens engajados e dispostos a trabalhar em startups.
A ideia era que esses grupos trouxessem empreendedores interessados em negócios de impacto social. Uma vez selecionado, o projeto passa para a segunda fase de ação, com programas de apoio ao empreendedor e uma aceleradora que atualmente conta com uma parceria do Facebook.
Todos os anos são selecionadas duas turmas com os melhores modelos de negócios. No processo, os participantes ganham vantagens na hora de fazer contatos com potenciais investidores, além de receberem dicas para melhorar o desempenho de suas empresas. Nesse tema, a Artemisia trabalha com três focos:
Priscila conta que a mais recente onda de investimentos de impacto tem partido das fintechs. Em geral, essas empresas fazem um trabalho de inclusão financeira. A ideia é promover produtos e serviços que levam a população a fazer uma melhor gestão dos seus recursos.
Para você ter uma ideia, nos últimos sete anos a Artemisia apoiou mais de 500 empreendimentos, sendo que 140 entraram no projeto de aceleração, com investimento total de R$ 150 milhões.
A gestora pioneira no investimento de impacto no país é a Vox Capital. Fundada em 2009 e com R$ 130,9 milhões sob gestão, a empresa tem entre os fundadores Antonio Ermírio de Moraes Neto, herdeiro do grupo Votorantim.
O primeiro fundo de impacto da Voz, captado em 2012, foi de R$ 84 milhões. O valor teve como destino dez empresas espalhadas entre os setores de educação, saúde e financeiro. A Vox agora trabalha em um segundo fundo, que arrecadou mais R$ 80 milhões.
A ideia de apoiar um projeto de transformação social e ao mesmo ganhar dinheiro com isso atrai o interesse de muita gente. Afinal, quem não quer aliar benfeitorias com rentabilidade?
Ocorre, porém, que ao falarmos especificamente em investimentos de impacto, esse combo “ganhar uma grana + ajudar o mundo” pode não se tornar realidade para todas as pessoas.
Um dos grandes obstáculos dessas aplicações é que elas não são voltadas para investidores de varejo. Quer dizer que, para conseguir entrar em uma dessas rodadas de investimentos, você terá que comprovar uma posição consolidada no mundo dos investimentos, como por exemplo apresentar grandes patrimônios investidos (da ordem dos milhares ou milhões).
Mas como nossa missão aqui no Seu Dinheiro é nunca deixar você sem referências, fui atrás de algumas alternativas que possuem projetos alinhados aos investimentos de impacto.
Foi aí que encontrei as plataformas de crowdfunding, que nada mais são do que projetos alavancados por meio de financiamentos privados e que visam trazer retornos futuros.
Embora as iniciativas de crowdfunding não sejam voltadas especificamente para financiar investimentos de impacto, é possível encontrar nas plataformas projetos com esse objetivo. O repórter Kaype Abreu fez uma matéria especial sobre essa modalidade de investimentos e trouxe algumas dicas para quem quer se aventurar por eles.
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