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Sinalizações amigáveis do BC em relação à taxa de juros, visão positiva da agência de risco S&P quanto ao Brasil e acordo comercial entre EUA e China: eis os superpoderes do Ibovespa nesta semana
O Ibovespa parece encantado, rodeado por uma aura superpoderosa.
Somente em dezembro, o índice já cravou cinco novos recordes de fechamento — o mais recente deles foi obtido nesta sexta-feira (13), ao encerrar o pregão em alta de 0,33%, aos 112.564,86 pontos. E olha que não faltaram Esqueletos atrapalhar os planos da bolsa brasileira nos últimos dias.
Mas se é verdade que os riscos no horizonte dos mercados eram inúmeros, também é verdade que o Ibovespa tem recebido uma ajuda quase sobre-humana — poderes de Grayskull, diriam alguns. Desde o início do mês, o mundo parece conspirar a favor dos ativos locais, e, nessa semana, não foi diferente.
Sinalizações amigáveis do Banco Central em relação ao futuro da taxa de juros, posicionamentos mais otimistas de uma agência de classificação risco quanto às perspectivas do Brasil, desenvolvimentos favoráveis na guerra comercial entre Estados Unidos e China: tudo cooperou para encher o Ibovespa de coragem.
Tanto é que, somente nesta semana, o índice brasileiro acumulou ganhos de 1,30% — desde o início do mês, a alta do Ibovespa já chega a 4%.
O mercado de câmbio não ficou para trás: hoje, o dólar à vista até sofreu com uma pressão mais intensa, fechando em alta de 0,34%, a R$ 4,1076. Mas, na semana, a divisa americana caiu 0,95% — em dezembro, o alívio é de 3,14%.
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O primeiro dos três vetores que impulsionou os ativos nesta semana é a taxa de juros: no Brasil e nos Estados Unidos, os bancos centrais definiram as diretrizes para as políticas monetárias — e, em ambos os casos, as sinalizações foram comemoradas pelos mercados.
Por aqui, o Copom cortou a Selic em 0,5 ponto, levando-a para o patamar de 4,5% ao ano — uma movimentação que era amplamente esperada pelos agentes financeiros. O detalhe que realmente trazia ansiedade aos investidores era a possível sinalização a ser emitida quanto aos próximos passos.
E as indicações foram muito bem recebidas pelo mercado. Em linhas gerais, o BC deixou a porta aberta para mais um corte de 0,25 ponto no início de 2020, mas deixou claro que o ciclo de ajustes está no fim — tanto é que a autoridade vê a Selic em 4,5% no término do ano que vem.
Essas sinalizações serviram para ancorar as expectativas do mercado no curto prazo e trouxeram tranquilidade às operações, impulsionando o Ibovespa e trazendo alívio ao dólar.
Essa tranquilidade no mercado de câmbio pode até parecer contraditória, uma vez que, nos Estados Unidos, o Fed manteve as taxas de juros inalteradas na faixa de 1,50% a 1,75% ao ano — e deu a entender que permanecerá nesse nível ao longo de 2020.
Afinal, com essa discrepância nos movimentos, o diferencial entre as taxas de juros dos dois países se estreitou ainda mais, o que diminui a atratividade das operações de carry trade — quando um investidor coloca dinheiro num país, buscando apenas a rentabilidade dos juros elevados.
No entanto, economistas e analistas ressaltam que, apesar desse fator potencialmente negativo, a economia brasileira começa a dar sinais mais concretos de recuperação, o que ajuda a dar ânimo ao mercado. Além disso, os juros estão em queda no mundo todo, o que mantém a competitividade relativa do mercado brasileiro.
Além das questões de política monetária, o Ibovespa e o mercado local de câmbio também ganharam um empurrão superpoderoso da agência de classificação de risco S&P Global, que elevou a perspectiva do rating do país, de "neutra" para "positiva".
A nota em si permanece a mesma: BB-, três níveis abaixo do grau de investimento. Mas a perspectiva melhor implica que o país está no caminho certo para buscar melhoras em seu rating.
Por mais que muitos analistas considerem que a classificação do país esteja defasada, especialmente após a aprovação da reforma da Previdência, fato é que a elevação da perspectiva já serve como primeiro sinal de que os mercados globais estão olhando com mais carinho para o Brasil.
E, como é de amplo conhecimento, o rali atual do Ibovespa tem sido sustentado pelos investidores locais, e não pelos estrangeiros, que ainda não retornaram ao mercado brasileiro. Quem sabe a ação da S&P Global representa um primeiro passo para a volta dos gringos?
O vetor final da transformação do príncipe Adam em He-Man veio do exterior, com Estados Unidos e China finalmente fechando os termos da primeira fase de um acordo comercial — não sem antes gerar enorme turbulência no noticiário e nos mercados globais.
Mas, ao fim da sessão, a mensagem é a de que a nova rodada de tarifas que seria implantada pelo governo americano neste domingo (15) foi suspensa — esse era um fator que gerava enorme temor nos agentes financeiros, já que essas taxações incidiriam sobre produtos populares da China, como smartphones e laptops.
Por mais que os termos dessa primeira fase do acordo ainda não sejam públicos — tanto o presidente americano, Donald Trump, quanto representantes do governo chinês deram apenas detalhes genéricos sobre o que irá acontecer —, a notícia afastou um fantasma do horizonte: o de aprofundamento da guerra comercial nas últimas semanas do ano.
Com isso, o Ibovespa encontrou espaço para subir mais um pouco nesta sexta-feira e cravar um novo recorde; as bolsas americanas também seguiram caminho semelhante, com o Dow Jones (+0,01%), o S&P 500 (+0,01%) e o Nasdaq (+0,20%) tendo ganhos tímidos, mas suficientes para levar os dois últimos índices às máximas.
Os ganhos d Ibovespa só não foram maiores hoje por causa do desempenho negativo das ações da Petrobras: as ONs (PETR3) caíram 4,69% e as PNs (PETR4) recuaram 3,20%, pressionando o índice como um todo.
As baixas nos papéis se devem à notícia de que o BNDES pretende vender sua fatia na estatal — 10% das ONs — via follow-on. Assim, com um grande lote de ações prestes a chegar ao mercado, o preço dos ativos cai, ajustando-se à maior oferta.
No campo oposto, as ações ON da Via Varejo (VVAR3) subiram 8,70% e lideraram as altas do índice, apesar da revelação de uma fraude contábil que provocará um impacto bilionário nos resultados da empresa no quarto trimestre — o mercado continua dando um voto de confiança à nova gestão da companhia, que agora é comandada pela família Klein.
Veja quais foram os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta sexta-feira:
Saiba também quais foram as maiores baixas do índice no momento:
As curvas de juros apenas flutuaram ao redor da estabilidade nesta sexta-feira, descolando do tom mais pressionado visto no dólar à vista. Veja abaixo como ficaram os principais DIs hoje:
Banco vê alívio com alta dos spreads petroquímicos em meio à guerra no Oriente Médio e eleva preço-alvo para R$ 10, mas incertezas sobre dívida e possível proteção contra credores seguem no radar. Segundo a Bloomberg, falência não está descartada
A empresa é controlada pelo fundador e presidente-executivo Musk, que já é o mais rico do planeta com US$ 817 bilhões no bolso, e a captação de ainda mais valor no mercado pode fazer esse valor explodir.
Para o BTG Pactual, revisão das tarifas pode reacender a pressão competitiva de plataformas estrangeiras, colocando varejistas brasileiros sob novo teste em meio a juros altos e consumo enfraquecido
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