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2019-04-05T10:44:11-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Depois da tempestade...

Em dia de trégua em Brasília, Ibovespa tem alta de 2,7% e dólar cai a R$ 3,91

O mercado recebeu bem os sinais de pacificação entre governo e Congresso. Com isso, o Ibovespa retomou parte do terreno perdido ontem e voltou ao nível dos 94 mil pontos

28 de março de 2019
10:31 - atualizado às 10:44
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Noticiário político acalmou os mercados nesta quinta-feira - Imagem: Seu Dinheiro

O noticiário político continuou no centro das atenções do mercado. E o clima menos agressivo em Brasília abriu espaço para um movimento de recuperação dos ativos locais nesta quinta-feira.

O Ibovespa foi ganhando força a cada sinalização de avanço na articulação política: terminou o dia em alta de 2,7%, aos 94.388,94 pontos, após tocar os 94.853,71 pontos na máxima (+3,21%). Com isso, o principal índice da bolsa brasileira recuperou parte das perdas de 3,57% acumuladas ontem.

Já o dólar à vista, que iniciou o dia pressionado e chegou a romper a faixa dos R$ 4, também passou por uma onda de alívio e terminou em queda de 0,96%, aos R$ 3,9165.

E essa recuperação foi impulsionada pelas bandeiras brancas que foram hasteadas hoje em Brasília. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, almoçaram juntos e adotaram um tom de pacificação, tentando reduzir o clima de guerra entre governo e Congresso.

"Vamos colocar esse trem nos trilhos para que a gente possa caminhar com velocidade. Em uma velocidade que os 12 milhões de desempregados esperam", disse Maia, destacando que o encontro com Guedes teve como objetivo retomar as conversas sobre a reforma da Previdência.

Para Glauco Legat, analista-chefe da Necton, a aproximação entre os dois indica alguma redução nos ruídos e uma melhora na comunicação entre governo e Congresso — sinais que eram amplamente aguardados pelo mercado, dado o nervosismo causado pela fragilidade da articulação política nos últimos dias.

"Essa aproximação, de certa forma, reduz um pouco a pressão e os riscos de que a pauta da Previdência acabaria se desgastando", diz Legat, ressaltando que, apesar do noticiário mais positivo hoje, o cenário político ainda inspira cautela.

Ainda no tema da articulação política, o jornal Valor Econômico afirmou que Guedes vai assumir de vez as rédeas do diálogo entre o governo e os parlamentares. E para completar o quadro de redução no estresse, o presidente Jair Bolsonaro também fez acenos pela pacificação, afirmando que as divergências com Maia foram uma "chuva de verão" — agora, "o céu está lindo" e o assunto é "página virada".

"O mercado ficou mais otimista, esperando que essa fala resulte em algum avanço na articulação", diz Thiago Tavares, analista da Toro Investimentos, lembrando que a forte queda nos preços de quase todos os ativos do Ibovespa na sessão de ontem atraiu um fluxo comprador nesta quinta-feira.

E essa busca por oportunidades ganhou ainda mais força em meio à relativa calmaria vista no exterior. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,36%), S&P 500 (+0,35%) e Nasdaq (+0,34%) fecharam em alta e não pressionam o Ibovespa como ontem. "Há uma expectativa positiva quanto a reunião entre Estados Unidos e China", diz Tavares, ao comentar sobre o tom das negociações lá fora.

A descompressão do cenário político também foi decisiva para o mercado de câmbio — vale lembrar que, na abertura, a moeda americana chegou a subir 1,59%, a R$ 4,0171. É verdade que o dólar à vista já havia perdido força durante a manhã, mas só virou ao campo negativo após a fala conjunta entre Maia e Guedes.

"Ficou muito na cara que houve um exagero ontem", diz Paulo Nepomuceno, estrategista-chefe da Coinvalores, referindo-se ao comportamento do dólar. "O mercado precificou que haveria uma ruptura entre o governo e o Congresso, e depois do almoço ficou claro que a tensão está menor".

Analistas e operadores ainda destacaram que a instabilidade no cenário político faz com que o mercado assuma uma postura mais cautelosa em relação ao dólar, buscando algum tipo de proteção caso a articulação política volte a se deteriorar — e, consequentemente, comprometa a tramitação da reforma da Previdência.

"Com os juros em patamares baixos, o custo de oportunidade para comprar dólar não é caro.", diz um analista. "É um veículo interessante para proteção caso algo dê errado na bolsa", diz um analista, ao comentar o alívio menos intenso visto no dólar em relação ao Ibovespa.

As curvas de juros, que já operavam em queda desde o início do dia, também passaram por um alívio maior após a sinalização de Maia e Guedes. Os DIs com vencimento em janeiro de 2020 fecharam em queda, de 6,56% para 6,495%, e os com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 7,27% para 7,11%. Entre as curvas mais longas, as para janeiro de 2023 caíram de 8,47%para 8,22%, e as para janeiro de 2025 tiveram baixa de 9,05% para 8,74%.

Balanço impulsiona Eletrobras

As ações da Eletrobras subiram forte e apareceram entre os maiores ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira— os papéis ON avançaram 7,13% e os PNB tiveram alta de 4,34%. O mercado reagiu positivamente ao balanço da estatal, que registrou lucro líquido de R$ 13,3 bilhões em 2018, significativa melhora ante o prejuízo de R$ 1,72 bilhão registrado no ano anterior.

Um analista pondera que o forte resultado trimestral mostra o sucesso do programa de venda de ativos da Eletrobras. "A empresa está se reestruturando, arrumando a casa".

E a Vale?

Quem também reportou seus números trimestrais foi a Vale: a mineradora teve lucro líquido de US$ 6,860 bilhões em 2018, o que representa alta de 24,6% em relação a 2017. Em reais, o resultado foi de R$ 25,657 bilhões.

Apesar disso, as ações ON da empresa passaram o dia oscilando perto da estabilidade e fecharam em queda de 0,6% — analistas afirmaram que o balanço, apesar de forte, ficou em linha com o esperado e não trouxe maiores destaques.

Legat, da Necton, ressalta que o mercado segue em dúvidas a respeito dos impactos financeiros e operacionais que serão gerados pelo rompimento da barragem de Brumadinho (MG). Ele ainda destaca que a notícia de que outras três barragens da empresa em Minas Gerais foram colocadas em alerta máximo afetou negativamente os papéis nesta quinta-feira.

CSN continua firme

Os papéis ON da CSN avançaram 4,32% e também apareceram entre os destaques positivos do dia. E isso porque o noticiário potencialmente negativo em relação à Vale traz um efeito oposto para a empresa, que possui operações relevantes no segmento de mineração.

"A siderurgia ainda é a atividade que gera mais receita para a CSN, mas o braço de mineração tem um peso muito grande", diz Legat. "As notícias envolvendo a Vale afetam a oferta e a demanda por minério de ferro, e isso dá suporte e consistência para a CSN".

Petrobras e bancos se recuperam

Após as perdas de ontem, as ações da Petrobras e dos bancos apareceram na ponta positiva hoje, num movimento de recuperação após as perdas de ontem. Entre os bancos, destaque para Bradesco PN (+5,08%), que liderou os ganhos do setor; Itaú Unibanco PN (+3,96%) e Banco do Brasil ON (+3,49%) também avançaram.

Já Petrobras PN (+2,19%) e Petrobras ON (+1,81%) também subiram, embora em menor intensidade. Esse desempenho levemente inferior em relação aos bancos está relacionado ao tom negativo do petróleo: o Brent caiu 0,21% e o WTI recuou 0,19%, tirando força dos ativos da estatal.

Vitória no leilão

Mais um ativo para a carteira da Rumo: a empresa venceu hoje o leilão do lote central da ferrovia Norte-Sul, com lance de R$ 2,719 bilhões — um ágio de 100,92%. E o mercado gostou do resultado, impulsionando os papéis da empresa. As ações ordinárias da Rumo fecharam o dia em alta de 3,84%.

 

 

 

 

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