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2019-10-23T18:03:03-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
R$ 4,03

O Ibovespa subiu e bateu mais um recorde, mas a estrela do dia foi o dólar

O Ibovespa cravou o terceiro recorde seguido, mas mostrou fôlego reduzido para continuar avançando. Já o dólar caiu mais de 1%, chegando ao menor nível desde 21 de agosto

23 de outubro de 2019
10:28 - atualizado às 18:03
Dólar em queda
Imagem: Shutterstock

No futuro, quem procurar pelos registros históricos da sessão desta quarta-feira (23), 13 de outubro de 2019, encontrará uma informação que salta aos olhos: afinal, o Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,15%, aos 107.543,59 pontos — o terceiro dia seguido em que o índice quebrou recordes de encerramento.

Mas ainda não estamos no futuro. As novas máximas do Ibovespa são relevantes, sem dúvidas, mas o que realmente chamou a atenção hoje foi o desempenho do dólar à vista: a moeda americana terminou em forte baixa de 1,05% a R$ 4,0328 — a menor cotação desde 21 de agosto.

O comportamento do mercado de câmbio brasileiro chama ainda mais a atenção ao ser comparado com seus pares — isto é, outros países emergentes. O dólar exibiu um certo viés de alta em relação às divisas semelhantes ao real, como o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano. Apenas o peso mexicano também se fortaleceu.

Uma série de fatores ajuda a explicar essa calmaria nos mercados brasileiros. Em primeiro plano, aparece a reforma da Previdência: após o texto-base da proposta ter sido aprovado ontem em segundo turno pelo plenário do Senado, hoje foi a vez de a Casa concluir a votação dos destaques à pauta.

No entanto, o fator Previdência já não consegue mais dar um impulso tão forte à bolsa brasileira — vale lembrar que, ontem, o índice subiu 1,28%, antecipando-se à aprovação do texto-base pelo Senado. Assim, por mais que o mercado ainda mostre otimismo em relação ao tema, o potencial de ganhos no Ibovespa foi limitado.

Já o dólar ainda encontrou espaço para continuar se despressurizando num ritmo expressivo, já que a moeda é negociada acima dos R$ 4,00 desde 16 de agosto. E outros fatores específicos do mercado de câmbio contribuíram para trazer esse alívio ao dólar.

Operadores afirmam que é grande a expectativa no mercado de câmbio para o leilão da cessão onerosa, previsto para acontecer no início de novembro. E, uma vez que é esperada uma ampla participação de investidores estrangeiros no certame, há uma perspectiva de entrada de fluxo de recursos externos — o que puxa a cotação para baixo.

Além disso, vale lembrar que há três ofertas de ações no radar dos mercados: a C&A e o banco BMG estão às vésperas de seu IPO, enquanto a Log Commcercial Properties fechou o preço de seu follow-on — operações que também têm potencial para atrair investimentos estrangeiros.

Cenário benigno

Com a página da Previdência definitivamente virada, os agentes financeiros mostram-se animados em relação ao avanço de outras pautas econômicas defendidas pelo governo, como as reformas administrativa e fiscal e a progressão do programa de privatizações e desestatizações.

Além disso, também há a perspectiva de cortes de juros por parte do Banco Central (BC) — a autoridade monetária reúne-se na próxima semana para decidir a nova Selic, e o mercado aposta em novos cortes expressivos da taxa.

"Agora que a Previdência passou, o que vai dar o tom [ao Ibovespa] são os balanços e a queda dos juros", diz um operador. "Lá fora, a situação entre EUA e China parece ter estabilizado um pouco, e isso sempre é bom".

Nesse cenário, as curvas de juros fecharam em baixa nesta quarta-feira. Os DIs para janeiro de 2020 — que refletem as apostas do mercado para a Selic ao fim do ano — ficaram inalterados em 4,83%, mas os com vencimento para janeiro de 2021 recuaram de 4,53% para 4,50%.

Na ponta longa, as curvas para janeiro de 2023 foram de 5,52% para 5,46%, e as com vencimento em janeiro de 2025 terminaram em queda de 6,20% para 6,13%.

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