Petróleo dispara, Petrobras sobe forte e Ibovespa fecha em leve alta, apesar da cautela no exterior
Ataques às refinarias da Aramco na Arábia Saudita elevaram a aversão ao risco no mundo e fizeram os preços do petróleo disparar. No entanto, o preço mais alto da commodity impulsionou as ações da Petrobras, compensando a cautela vista lá fora e fazendo o Ibovespa fechar no campo positivo.

Um assunto dominou as mesas de operação nesta segunda-feira (16): o ataque a duas refinarias de petróleo na Arábia Saudita, neste fim de semana. Dada a importância dos sauditas para a produção da commodity, o ocorrido causou um furor no mercado — e, consequentemente, mexeu com o Ibovespa e as bolsas globais.
Desde o início do dia, as negociações foram pautadas por uma linha de raciocínio que envolve causa e consequência. A causa foi a incerteza quanto ao que pode ocorrer com a produção global de petróleo após os ataques às instalações da Saudi Aramco. A consequência foi a disparada nos preços da commodity e a maior aversão global ao risco.
Só que essas duas consequências criaram vetores opostos para os mercados acionários: por um lado, a menor propensão ao risco exerceu uma pressão de queda nas ações globais, com os investidores optando por uma abordagem mais cautelosa. Por outro, a escalada das cotações da commodity deu força às ações das petroleiras — por aqui, a Petrobras foi a maior beneficiada.
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Como resultado, o Ibovespa passou a sessão sem se afastar muito do zero a zero, oscilando entre os campos positivo e negativo: na mínima, o índice tocou os 102.782,33 pontos (-0,69%) e, na máxima, bateu os 104.004,61 pontos (+0,49%). Ao fim do pregão, registrou leve alta de 0,17%, aos 103.680,41 pontos.
Nos Estados Unidos, as bolsas também não tiveram perdas expressivas, auxiliadas pelo desempenho positivo das ações das petroleiras. Contudo, os mercados de Nova York não conseguiram sair do vermelho: o Dow Jones fechou em baixa de 0,52%, o S&P 500 recuou 0,31% e o Nasdaq teve perda de 0,28%.
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Para entender melhor a dinâmica das operações nesta segunda-feira, é preciso voltar aos acontecimentos do fim de semana e as consequências dos ataques às refinarias da Aramco para os mercados financeiros.
Disrupção
Um ataque aéreo a duas refinarias da Saudi Aramco pegou os agentes financeiros de surpresa. Rebeldes houthis que combatem a intervenção saudita no Iêmen reivindicaram a autoria da ação, mas os Estados Unidos e o governo de Riad acusam o governo iraniano de estar por trás do ocorrido.
Independente de quem é o responsável, fato é que o ataque causou danos extensos às refinarias de Abqaiq e Khurais, dois dos principais pólos da Aramco. De acordo com fontes ouvidas pela Dow Jones, as ações implicam numa perda imediata de cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), o que equivale a cerca de 5% da produção mundial.
Em meio às incertezas quanto à autoria dos ataques, aos impactos reais à cadeia do petróleo e à possibilidade de uma escalada nas tensões no Oriente Médio, os agentes financeiros optaram por assumir uma postura mais cautelosa — vale lembrar, ainda, que o Federal Reserve (Fed) e o Copom divulgam suas decisões de juros na quarta (18).
Essa prudência se traduziu numa maior aversão ao risco, o que derrubou as bolsas americanas. O impacto mais significativo para os mercados financeiros, no entanto, foi visto nas negociações de commodities: o petróleo Brent disparou 14,61% e o WTI subiu 14,67%, em função da perspectiva de menor oferta global do produto.
O Ibovespa e os índices americanos só não foram mais afetados pela aversão mundial ao risco porque, com a disparada da commodity, as ações das petroleiras terminaram em alta nesta segunda-feira. Por aqui, os papéis PN da Petrobras (PETR4) avançaram 4,39%, enquanto os ONs (PETR3) tiveram alta de 4,52%.
Nos Estados Unidos, a Exxon Mobil subiu 1,50% e a Chevron teve ganhos de 2,16%. Na Europa, Shell e BP fecharam em alta de 1,89% e 4,00%, respectivamente.
Analistas e operadores ressaltam, no entanto, que há dúvidas quanto à capacidade de a Petrobras repassar o aumento nos preços do petróleo. No passado recente, altas no valor dos combustíveis provocaram reações negativas por parte da sociedade e culminaram em greves do setor de caminhoneiros.
Assim, a disparada da commodity foi considerada benéfica para a estatal num primeiro momento — o que justifica os ganhos das ações —, mas, num segundo instante, é preciso ter mais clareza quanto à política de preços da companhia.
Dólar de lado
Por aqui, o dólar à vista abriu a sessão também sentindo os efeitos da maior aversão ao risco no exterior: mais cedo, a moeda americana chegou a subir 0,49%, a R$ 4,1064. No entanto, a divisa foi perdendo força ao longo do dia, chegando a cair 0,24%, a R$ 4,0765 — ao fim da sessão, teve leve alta de 0,07%, a R$ 4,0893.
O movimento visto no mercado local de câmbio destoou do restante do mundo. Lá fora, o dólar ganhou terreno com firmeza em relação às divisas fortes e às moedas de países emergentes, como o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano, em meio ao tom mais cauteloso assumido pelos agentes financeiros nesta segunda-feira.
Juros em baixa
O tom foi negativo em toda a extensão da curva de juros. Por aqui, há a expectativa de que o Copom dê continuidade ao processo de cortes na Selic, promovendo mais um ajuste negativo de 0,5 ponto na reunião desta quarta-feira — com isso, a taxa básica de juros chegará a um novo piso histórico, de 5,5% ao ano.
Nesse cenário, os DIs com vencimento em janeiro de 2020 caíram de 5,26% para 5,22%, e as para janeiro de 2021 recuaram de 5,37% para 5,27%; na ponta longa, as curvas de juros com vencimento em janeiro de 2023 foram de 6,49% para 6,38%, e as para janeiro de 2025 terminaram em queda de 7,07% para 6,97%.
Aéreas sofrem
A forte alta no petróleo penalizou as ações das companhias aéreas: Gol PN (GOLL4) despencou 7,77% e Azul PN (AZUL4) recuou 8,45% — os piores desempenhos do Ibovespa —, uma vez que os preços mais elevados da commodity implicam que os gastos das aéreas com combustível de aviação serão maiores.
Conversas, parte I
O destaque positivo do Ibovespa nesta segunda-feira ficou com Cielo ON (CIEL3), que disparou 6,02%. Os papéis reagiram à notícia, publicada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, de que a Stone estaria em negociações para uma possível união com a companhia. O próprio colunista ressalta, no entanto, que as conversas entre as partes esfriaram nos últimos dias.
Conversas, parte II
Uma segunda notícia envolvendo fusões e aquisições movimentou o mercado brasileiro: de acordo com o jornal espanhol El Confidencial, a Telefónica estaria de olho na aquisição da Oi — segundo fontes ouvidas pela publicação, a empresa espanhola chegou a procurar o Morgan Stanley para assessorar a operação.
Como resultado, Telefônica Brasil PN (VIVT4) subiu 1,33%; fora do Ibovespa, Oi ON (OIBR3) teve alta de 1,97%, e Oi PN (OIBR4) avançou 1,90%.
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