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2019-08-15T16:09:49-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
guerra comercial

Trump tarifa e grita, mas China nunca exportou tanto quanto agora

Levantamento do Instituto Internacional de Finanças mostra resultados contrários ao esperado de uma guerra comercial. Se o ajuste não está nas contas de comércio, ele deve vir pela moeda

15 de agosto de 2019
16:09
Donald Trump, presidente americano
Donald Trump - Imagem: shutterstock

O presidente americano Donald Trump já fez inúmeras rodadas de aumento de tarifas sobre produtos chineses. O que se esperava era alguma manifestação disso no balanço de pagamentos da China, o mais óbvio reflexo seria na conta corrente. Mas o superávit das negociações de comércio e serviços segue em alta, puxado pelas exportações.

Os estragos da guerra comercial, no entanto, parecem estar se manifestando em outra linha do balanço. O país passa por acentuada fuga de capitais, superando patamares vistos em 2012 (escândalos de corrupção) e já somando metade do visto em 2015/16 (não por acaso desvalorização do yuan).

Para o Instituto Internacional de Finanças (IIF), as tarifas podem estar aumentando as expectativas com relação à depreciação da moeda chinesa. Tema especialmente sensível não só para a China, mas para todos os demais mercados emergentes.

O próprio IIF, em outro estudo, nos informou que a última rodada de tarifas anunciadas poderia levar a taxa de câmbio de 6,9 yuan por dólar vista antes do anúncio para cerca de 7,3 yuans. Mas o estudo foi feito antes de Trump recuar de parte dessa medida.

Exportando como nunca

O IIF levantou alguns dados e nos mostra que o superávit em conta corrente da China está em trajetória de alta. Algo que intuitivamente seria difícil de se esperara em função de uma série de tarifas.

Os técnicos do instituto também fizeram as contas tirando as commodities, pois são produtos que podem ter grandes flutuações de preço, distorcendo o resultado agregado. Para surpresa do IIF, a balança de bens ex-commodities está no maior patamar já registrado neste primeiro semestre. A China nunca exportou tanto!

Entra por um lado, sai pelo outro

Se as exportações surpreendem um lado, a conta de capitais assusta do outro. A questão a ser respondida, segundo o IIF, é o que está puxando essa firme retirada de dinheiro da China. Conceitualmente, tarifas são um choque negativo sobre a moeda. Por isso, o melhor palpite é que os agentes estão se antecipando a um movimento de desvalorização do yuan.

Segundo IIF faltam dados para fazer uma afirmação irrefutável, pois os números desagregados divulgados até agora são referentes ao primeiro trimestre. Mas o IIF avalia que a linha “erros e omissões” do balanço está aumentando muito rápido, o que é mais um indício de retirada de capitais por residentes e não residentes.

 

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