Menu
2019-10-14T14:22:37-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
na segunda

Na véspera do discurso de Bolsonaro na ONU, Brasil fica isolado da discussão sobre meio ambiente

Tema tem causado desgaste para o governo brasileiro no exterior e deve ser central na fala do presidente na abertura do encontro

24 de setembro de 2019
8:26 - atualizado às 14:22
Presidente da República Jair Bolsonaro
Presidente da República Jair Bolsonaro - Imagem: Marcos Corrêa/PR

Na véspera do discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ficou isolado do principal foro de discussão sobre meio ambiente. O tema tem causado desgaste para o governo brasileiro no exterior e deve ser central na fala do presidente na abertura do encontro da ONU em Nova York.

Nesta segunda-feira, 23, líderes internacionais, entre eles o presidente francês, Emmanuel Macron, debateram os rumos das florestas tropicais no mundo - incluindo a Amazônia, a maior delas - sem a presença de representantes do governo brasileiro.

Desembarque

A Assembleia-Geral da ONU se tornou o maior teste de política externa para Bolsonaro, que desembarcou na tarde desta segunda na cidade americana.

Conforme a tradição, o presidente do Brasil é o responsável pelo discurso de abertura, mas o que difere dos anos anteriores é a atenção que tem sido dispensada ao País. Pouco menos de um mês antes do evento, imagens da Amazônia em chamas foram parar nas manchetes dos principais jornais estrangeiros e as queimadas na floresta viraram assunto de líderes mundiais.

Nesta segunda-feira, enquanto Bolsonaro viajava de Brasília a Nova York, presidentes de diversos países anunciavam, em reunião da Cúpula do Clima da ONU, a liberação de US$ 500 milhões do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da ONG Conservação Internacional para ajudar a proteger as florestas tropicais do mundo.

O encontro foi liderado por Macron, com quem Bolsonaro travou em setembro uma queda de braço em torno da questão ambiental. Apenas o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), representou o País, e sem espaço de fala, após uma oposição feita pela Colômbia. A articulação para barrar a manifestação de Góes foi feita pelo Itamaraty, conforme o jornal O Estado de S. Paulo apurou.

Crise diplomática

O governo brasileiro tenta fazer dos corredores das Nações Unidas um palco para gestão da crise diplomática que teve como fator de combustão as falas de Bolsonaro - durante a campanha e já na cadeira de presidente - sobre política ambiental e a exploração da floresta.

Bolsonaro terá 20 minutos para seu discurso. Deverá defender a soberania do País e os compromissos ambientais. Nos Estados Unidos há seis dias, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem concedido entrevistas à imprensa internacional para afirmar que as queimadas estão dentro de uma média dos últimos 15 anos.

O Planalto tem contestado o que chama de tentativa de intervenção e de ferir a soberania brasileira. Com base neste argumento, Macron já foi alvo de ataques. No evento desta segunda, o francês quis se mostrar aberto ao diálogo, mas criticou a ausência do Brasil, que detém mais de 60% de todo o bioma amazônico, dividido com oito países.

"Riscos? Francamente, tem um primeiro... Todo mundo pergunta: como vai fazer sem o Brasil? O Brasil é bem-vindo, eu acho que todos devem trabalhar com o Brasil, com os Estados da região. É bom que isso aconteça de forma respeitosa. As próximas semanas permitirão uma solução política que será um avanço", disse Mácron.

Fundo

O presidente francês, que vem se indispondo desde a reunião do G-7 com Bolsonaro, questionou o posicionamento do País sobre o Fundo Amazônia. "A gente se reúne, tem números, palavras, mas nada de resultado.

Quando eu olho para as coisas, o que me inquieta é o Fundo Amazônia, que foi suspenso porque o Brasil não cumpriu a integralidade dos critérios que foram definidos", disse Macron se referindo à suspensão de parte dos repasses por Noruega e Alemanha, os dois principais colaboradores do fundo.

Ao Estado, Góes, que estava representando os Estados da região como presidente do Consórcio da Amazônia Legal, afirmou achar uma "pena" não ter tido a chance de se pronunciar. "É um debate importantíssimo, vimos pessoas do mundo inteiro se posicionando sobre a Amazônia e não teve ninguém do governo brasileiro falando."

Apesar de liberação de US$ 500 milhões para ajudar a proteger as florestas tropicais do mundo, o governo brasileiro tem rejeitado ajuda internacional que venha com o selo dos europeus. Cerca de uma hora depois do evento, Salles foi alertado por um assessor de que Macron estava a poucos metros de distância dele, em uma antessala de conferências da ONU.

O ministro do Meio Ambiente buscou o francês com o olhar, mas preferiu não ir até ele. Questionado pela reportagem sobre o anúncio da nova verba, Salles respondeu: "É por semana ou por mês que irão pagar isso?". O ministro não se manifestou sobre a ausência do Brasil no encontro.

Já o chanceler Ernesto Araújo, que tinha na agenda uma reunião do Grupo de Lima sobre Venezuela, trocou o debate sobre o país vizinho por um encontro protagonizado pelo governo americano sobre proteção às liberdades religiosas.

Trump

Bolsonaro não contou com um aceno de boas-vindas do presidente americano, Donald Trump. Apesar de dizer, no corredor da ONU, que o brasileiro "é um bom homem", Trump não teve um encontro com Bolsonaro. O americano esteve no hotel onde Bolsonaro está hospedado, em reuniões, mas os dois não se viram. Trump deixou o hotel Intercontinental por volta das 18h40, duas horas depois de Bolsonaro chegar ao local.

Segundo assessores, Bolsonaro chegou cansado do voo, no qual sentiu desconforto, e evitou compromissos. Pela primeira vez, o presidente usou um quarto privado no avião presidencial para descansar. Ainda há possibilidade de uma reunião entre os dois nesta terça-feira, 24.

Trump tem sido o maior fiador do brasileiro no cenário internacional, diante dos sinais do Planalto e do Itamaraty de que o governo Bolsonaro quer inaugurar uma "nova era" nas relações entre Brasil e EUA.

Bolsonaro debateu o texto do discurso com Araújo, com o ministro de Segurança Institucional, Augusto Heleno, com o assessor de Relações Internacionais do Planalto, Filipe Martins, e com seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira que o presidente Jair Bolsonaro deverá falar em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que o Brasil não está se negando a resolver os problemas das queimadas na Amazônia.

"Me deu a impressão de que ele vai fazer um discurso mostrando tudo o que o Brasil teve de avanços, que o Brasil tem problemas, mas que não está se negando a resolver o problema das queimadas em área ilegal.

Em área ilegal, todos nós brasileiros somos radicalmente contrários a qualquer tipo de desmatamento ou queimada", disse Maia, em Curitiba. Os dois se encontraram no sábado, quando Maia visitou Bolsonaro no Palácio da Alvorada.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo 

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

em meio à pandemia

Governo busca destravar crédito a pequenas e médias empresas

Além de ampliar o escopo do financiamento de salários, cuja oferta de recursos ficou bem abaixo do esperado, avança na regulamentação da linha que terá garantia do fundo de aval do BNDES

EM MEIO À PANDEMIA

Bolsonaro paga recorde de emendas parlamentares

O montante efetivamente pago também foi o maior para um único mês ao longo dos últimos anos, R$ 4 bilhões.

EFEITO CORONAVÍRUS

Alta do dólar pressiona dívida e derruba lucro das empresas em 70% no trimestre

A disparada do dólar, que ganhou força a partir do fim do carnaval, foi suficiente para azedar o resultado das operações.

ENERGIA

Aneel autoriza postergação de entrega de obras de transmissão por 4 meses

O órgão regulador também suspendeu processos de autorização de obras não urgentes.

exile on wall strett

A festa junina que podemos ter

O que você observa do mercado hoje? Querendo ou não, gostando ou não, é um mercado leve, comprador, sem vendedor marginal, migrando para ativos de risco.

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta terça-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Alívio intenso

Ibovespa sobe aos 90 mil pontos e dólar cai a R$ 5,23 com menor aversão ao risco

O Ibovespa continua recuperando o terreno perdido, impulsionado pelo clima de menor aversão ao risco no mundo. No câmbio, o dólar à vista cai forte e chega às mínimas desde 17 de abril

no twitter

Grupo divulga dados pessoais que seriam de Bolsonaro, família e aliados

Um perfil publicou imagens que alega retratarem a lista de bens declarados pelo presidente, com valor idêntico à declaração apresentada ao TSE

INVESTIGAÇÃO POLÍTICA

‘Presidente esqueceu de combinar comigo’, diz Aras sobre suposto arquivamento

Cabe a Aras decidir se denuncia ou não Bolsonaro, o que poderia resultar no afastamento do presidente do cargo.

em diário oficial

Governo publica MP que pode destravar o crédito às pequenas empresas

Dentre os vários pontos, o texto autoriza a União a aumentar em até R$ 20 bilhões a sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), gerido pelo BNDES

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements