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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Projeções para 2020

Os melhores investimentos do mundo: as apostas da BlackRock para 2020

Entre os ativos preferidos da gestora global para o ano que vem estão as ações e os títulos de renda fixa dos mercados emergentes

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
14 de dezembro de 2019
5:30 - atualizado às 9:33
Carlos Takahashi, presidente da BlackRock no Brasil
Carlos Takahashi, presidente da BlackRock no Brasil - Imagem: Valeria Gonçalvez/Seu Dinheiro

O investidor brasileiro - principalmente a pessoa física - não costuma prestar muita atenção a oportunidades de investimento no exterior.

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Também pudera. Nossa regulação ainda limita bastante o investimento lá fora para quem não é investidor qualificado ou profissional.

Além disso, os juros por aqui sempre foram tão altos que essa diversificação com ativos gringos nem fazia muito sentido para a maioria das pessoas até pouco tempo atrás.

Mas essa realidade começa a mudar agora que devemos experimentar um período prolongado de juros baixos e inflação civilizada - pelo menos essa é a visão do governo e do mercado.

A necessidade de desmamar das aplicações indexadas à Selic e ao CDI se impõe, e eu diria que isso vale até mesmo para os investidores mais conservadores.

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Nesse sentido, tornou-se importante não só olhar para ativos de risco e diversificar a carteira como também considerar os investimentos lá fora.

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Com isso, já vemos iniciativas dos reguladores de tentar flexibilizar as regras para o investidor pessoa investir em ativos estrangeiros.

Mas mesmo que elas ainda demorem a sair do papel, não é demais começar a olhar com mais atenção para o que dizem os gestores globais.

Onde investir em 2020… no Brasil e no mundo

Na última quinta-feira, o sempre simpático Carlos Takahashi, CEO da BlackRock no Brasil, comentou sobre as apostas e previsões da gestora global para o ano que vem durante um almoço com jornalistas. E quando uma casa com quase US$ 7 trilhões sob gestão fala, a gente escuta.

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“A grande pauta para o investidor a partir de agora é não atrasar mais a coragem para abandonar o vício no CDI e diversificar, inclusive internacionalmente”, alertou Cacá, como é mais conhecido.

Apesar do otimismo do mercado com a economia brasileira em 2020, a grande questão é que agora está mais importante olhar com carinho para os ativos de risco, porque simplesmente permanecer na renda fixa conservadora não dá mais.

Só que no Brasil tem relativamente poucos ativos. Há poucas empresas com ações negociadas na bolsa e poucos setores contemplados no mercado acionário. Nas bolsas dos países desenvolvidos, há muito mais opções. E o mesmo ocorre com os ativos de renda fixa, como é o caso dos títulos de crédito emitidos por empresas.

Além da necessidade de diversificação e de começar a pôr ativos de risco na carteira, Cacá também recomendou o investimento em ativos vinculados à inflação e o que ele chamou de “produtos alternativos”, que seriam outros investimentos, além de ações, ligados à economia real.

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No primeiro caso, a razão é que, com a retomada econômica esperada, o risco é de um aumento da pressão inflacionária. Estes ativos seriam, portanto, uma proteção para a carteira.

Já os “produtos alternativos” incluem, por exemplo, investimentos voltados para o mercado imobiliário e infraestrutura, no geral (fundos imobiliários, imóveis, CRI, debêntures etc.).

“Se a gente acredita que o destaque vai ser a economia real, tem que ter ativos reais na carteira”, disse o CEO da BlackRock.

Cenário global

No mesmo dia, a BlackRock divulgou um relatório com as suas projeções para 2020. Nele, a gestora diz ter uma “postura pró-risco moderada”.

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A aposta é de que haverá uma retomada modesta do crescimento econômico global puxada pela atividade manufatureira (notadamente as indústrias de carros, bens de capital e semicondutores), gastos empresariais e setores sensíveis às taxas de juros, como o de imóveis residenciais.

A projeção é de que o crescimento chinês vai se estabilizar e a guerra comercial entre Estados Unidos e China vai ficar mais leve, dando um respiro para o comércio global. Mas o gigante asiático já não deve mais ter fôlego para ser o grande motor da economia mundial.

Para a BlackRock, o crescimento econômico deve ser mais forte nos países europeus e mercados emergentes, que tiveram um 2019 mais fraco. Mas, mesmo assim, os EUA devem apresentar uma leve pressão inflacionária decorrente da atividade econômica.

O crescimento e os fundamentos econômicos deverão ser a grande mola da valorização dos ativos, acredita a gestora, e não mais o movimento de queda nos juros visto no mundo em 2019, inclusive no Brasil.

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Pelo contrário, a gestora crê que os estímulos monetários dos bancos centrais dos países desenvolvidos tenham chegado ao fim, como já mostrou o banco central americano ao manter os juros dos Estados Unidos na última semana.

A visão é de que os juros devem se manter baixos ao longo do ano que vem, abaixo da taxa de equilíbrio (isto é, num ponto em que ainda estimulam a economia). Mas se 2020 ainda não será um ano de aperto monetário, também não deve ser de novos cortes de juros.

No mundo rico, novos estímulos ocorreriam, no máximo, na zona do euro e no Japão, onde a inflação ainda se mantém baixa. Mas, com juros negativos nessas regiões, o espaço para afrouxamento monetário seria pequeno, pois o sistema bancário já começa a penar.

Assim, na visão da BlackRock, apenas os mercados emergentes ainda teriam algum espaço para reduzir juros.

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Ativos

Nesse mundo de crescimento lento e juro baixo, os ativos que chamam a atenção da BlackRock para o ano que vem são:

  • Ações globais, notadamente de mercados emergentes e do Japão, por se tratarem de ativos cíclicos, que seriam puxados pelo crescimento moderado esperado. Esses mercados são muito dependentes do comércio global, que deve ter um respiro em 2020, e seus ativos estão subavaliados. No entanto, a gestora está cautelosa quanto a ações americanas, em razão das eleições presidenciais nos EUA em 2020, o que deve trazer grande volatilidade aos mercados.
  • Renda fixa high yield (títulos de crédito privado de maior risco e maior potencial de retorno) e títulos de mercados emergentes. Como os títulos públicos de países ricos continuarão rendendo pouco no ambiente de juros baixos, esses papéis mais arriscados surgem como boas alternativas geradoras de renda. Aposta também em moedas de países emergentes.
  • Títulos de curto prazo do Tesouro americano atrelados à inflação, para proteger contra a pressão inflacionária nos Estados Unidos.

Além desses ativos, a BlackRock considera importante dar atenção aos ativos ligados a negócios e projetos que atendam às melhores práticas de sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês).

Segundo Takahashi, esses investimentos têm ganhado relevância no exterior e vão ganhar aqui também, pela própria demanda de investidores mais conscientes. “Lá fora já existem muitos produtos desse tipo, dos mais genéricos aos mais específicos”, disse o executivo.

ETF pode ser porta de entrada no risco e na diversificação

Um dos poucos produtos desse tipo disponíveis no Brasil é o ETF ECOO11, da própria BlackRock, que replica o desempenho do Índice Carbono Eficiente (ICO2) da bolsa.

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Esse indicador reúne as ações de empresas que adotaram práticas transparentes com relação a suas emissões de gases efeito estufa e que têm eficiência energética.

Os ETF são fundos de índice com cotas negociadas em bolsa. Eles procuram reproduzir fielmente o desempenho de índices de mercado, como o Ibovespa, e têm cotas negociadas como se fossem ações. Por simplesmente replicarem a composição de um índice, cobram taxas bem mais baixas que a maioria dos fundos de ações.

A BlackRock é especializada nesse tipo de fundo, muito utilizado por grandes investidores institucionais, como fundos de pensão, para compor a porção “passiva” das suas carteiras.

Em vez de contratar alguém para simplesmente comprar as ações de um índice na proporção da sua composição, o fundo simplesmente compra um ETF atrelado ao indicador em questão.

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Mas os ETF também são ótimos instrumentos para as pessoas físicas, por serem alternativas de baixo custo e alta transparência.

São bons veículos, por exemplo, para o investidor dar seus primeiros passos no mercado de ações. Ele não precisará escolher papéis ou gestores, apenas comprará cotas de um fundo que reproduz o desempenho médio da bolsa ou de determinado setor, por exemplo. E sem pagar muito por isso.

O mercado de ETF lá fora é bem mais desenvolvido que no Brasil. No México, por exemplo, são negociados quase 400 ETF, inclusive estrangeiros, de países da europa e dos EUA. Por aqui, temos apenas 16 ETF de índices de ações e seis de renda fixa, e nenhum é gringo.

Mesmo assim, existem dois ETF brasileiros indexados a índices internacionais, permitindo, assim, diversificação global: um da própria BlackRock, atrelado ao S&P 500 (IVVB11) e um do Itaú, atrelado ao S&P 500 Net Total Return (SPXI11).

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Para investir em ETF, é preciso ter conta em uma corretora de valores. Confira nesta matéria como investir em ETF.

Riscos: vai ter recessão no ano que vem?

O relatório da BlackRock aponta, claro, alguns riscos para 2020. Para as ações globais, os principais riscos seriam um acirramento da guerra comercial entre EUA e China e mais medidas protecionistas que impactem negativamente o comércio global. Isso desaguaria numa desaceleração econômica mais profunda.

O risco principal citado pela gestora é que o crescimento ande de lado, ao mesmo tempo em que a inflação sobe, uma situação chamada de estagflação. Isso pode impactar de maneira negativa todos os ativos, tanto ações como renda fixa.

A gestora cita inclusive que os riscos de inflação parecem subestimados, mesmo no melhor cenário, que seria o de crescimento moderado.

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