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O fundo terminou o ano como o maior em número de cotistas de fundos imobiliários da B3. No total são 48.093, até dezembro de 2018. Com nove centros comerciais no portfólio, a ideia é fazer novas aquisições neste ano, especialmente em São Paulo e na região Centro-Oeste
Quando era um pouco mais nova, uma das atividades preferidas da minha avó, dona Edna, era ir ao shopping comigo. A facilidade de encontrar diversas lojas em um só espaço era um dos pontos mais atrativos. Bastava ouvir a palavra que ela logo se aprontava para o próximo passeio. Mesmo com o passar dos anos, ela continua uma super fã.
E não é para menos. O segmento é uma das principais apostas dentro dos fundos imobiliários. Não é à toa que o fundo Vinci Shopping Centers FII (VISC11), detém nada menos do que nove centros comerciais em sua carteira de ativos, como o Iguatemi Fortaleza e o West Shopping no Rio de Janeiro.
Para entender as novidades e o motivo pelo qual ele vem atraindo tantos investidores, conversei com Leandro Bousquet, sócio da gestora Vinci Partners. Entre uma viagem e outra, ele me contou que o VISC11 é o fundo imobiliário com o maior número de cotistas da B3. Ao todo, são 48.093 (até dezembro de 2018), o que corresponde a mais de 25% do total de investidores de FIIs da Bolsa.
E ele não vem fazendo feio. Desde o seu IPO, em novembro de 2017, o fundo apresentou um retorno líquido (descontado o IR de 20%) de 18,6% ou 288,6% do CDI. No acumulado do ano passado, a rentabilidade foi de 14% ou 254% do CDI. Ele foi o fundo mais líquido em novembro, e na média do ano obteve liquidez diária de R$ 2,2 milhões.
Em número de investidores, 99% são pessoas físicas, o que mostra que o fundo tem se tornado popular entre os investidores de varejo. O patrimônio líquido do FII até dezembro de 2018 foi de R$ 824,9 milhões. Confira a seguir o nosso bate-papo:

É engraçado porque o VISC11 nasceu voltado para investidores mais qualificados. Quando começamos em 2014, fizemos duas emissões internas para esse público porque o mercado estava bem mais reduzido. Após o IPO, pulverizamos a nossa base com ofertas públicas e saímos de aproximadamente 40 para 4.500 cotistas. Desde então, o fundo não parou de crescer. Fechamos dezembro de 2018 com 48.093 investidores.
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Como arrecadamos mais dinheiro do que o previsto no IPO, tivemos um desafio maior a encarar. Acreditamos que agora há mais oportunidades disponíveis do que players buscando comprar participação em shoppings. O mercado esteve fechado durante boa parte do ano para ofertas públicas, e os outros fundos não conseguiram fazer captações no mesmo volume. Pegamos uma boa janela de capitais e pelo menos no curto prazo teremos uma vantagem competitiva.
Nós estabelecemos que se o fundo não pagasse esse valor de distribuição, a gente reduziria proporcionalmente a taxa de gestão para complementar o valor entregue ao cotista. Até o momento, não precisamos reduzir. Mas se for preciso, vamos fazê-lo. Queremos alocar os R$ 200 milhões restantes o mais rápido possível. Temos mais de uma opção na manga, então estamos mais tranquilos.
Olha, você acabou de descrever a nossa estratégia (risos). A gente busca adquirir shoppings maduros e localizados em grandes cidades. Poderíamos até comprar em cidades menores (com o mínimo de 250 mil habitantes), mas como há oportunidades nos maiores mercados, achamos melhor investir lá. A ideia é ter uma carteira diversificada tanto geograficamente quanto por perfil de shopping e parceiro administrador.
A palavra madura parece estar ligada à idade, mas isso não é o mais importante. Olhamos sempre espaços consolidados e que sejam líderes naquele mercado. Durante a crise, por exemplo, tivemos performances muito discrepantes. Os shoppings inaugurados na safra de 2013 pra cá estão com taxas de vacância maiores, aluguéis mais baixos e negociações mais frágeis com os lojistas. E como há muitos shoppings maduros a serem comprados, acreditamos que investir nos mais jovens seria uma estratégia mais arriscada.
Não posso falar muito porque senão eu teria que comunicar um fato relevante (risos), mas o que eu posso dizer é que estamos atrás de diversificação geográfica. Hoje, eu diria que estamos subalocados em São Paulo e estamos tentando mudar isso. Para nós, tudo é uma questão de preço. Entre comprar um ativo ruim em São Paulo e um ativo muito bom fora, eu prefiro abrir mão da localização geográfica. Outra opção interessante é o Centro-Oeste.
A capital federal, por exemplo, é um mercado que a gente adoraria ter participação em shoppings. Estamos prospectando ativamente não só Brasília como a região Centro-Oeste como um todo porque ela nos agrada. Estamos de olho nela e na região de São Paulo tanto capital quanto interior, como falei antes.

É mais por conta da estratégia de diversificação geográfica. Acompanhamos o desempenho de alguns shoppings de lá durante a crise. O local foi muito menos afetado por conta do setor de agronegócio que performou melhor do que outros segmentos da economia. Acreditamos que é importante ter ativos em regiões que têm características e drivers econômicos diferentes para proteger o fundo e também para captar oportunidades de crescimento acima da média.
Acho que assim como boa parte do mercado, estamos com uma visão bastante otimista com o Brasil. Há um ambiente bem mais positivo para negócios e isso deve refletir nos shoppings. Acredito que as oportunidades de aquisição continuam muito boas e isso vai permanecer por muitos anos. Não estamos com planos nem de buscar ativos fora do Brasil.
Não acho que isso vai torná-lo um negócio pior. O comércio eletrônico vem ganhando força e não é de hoje. Os centros comerciais são um espaço de lazer, gastronomia e serviços, além do varejo puro. Penso que o temor vem principalmente do que está ocorrendo com o cenário norte-americano.
Olha, eu penso que há uma "nuvem de fumaça" quando vejo o mercado norte-americano. Lá, a penetração de shoppings foi muito grande. Houve anos em que foram inaugurados mais de mil shoppings. Imagina isso! E lá vários "morreram de morte natural" porque havia muita oferta disponível e nem sempre a demanda acompanhava. Outro detalhe é que os shoppings estão localizados em subúrbios distantes das zonas residenciais nos Estados Unidos.
No Brasil, os shoppings são mais concentrados, verticais e localizados em áreas residenciais. Então, o público está bem mais perto. Um ponto importante é que hoje há novos usos desses centros comerciais, o que ajuda a manter o fluxo. Há centros médicos, academias e uma série de outros serviços. E isso é uma grande proteção para eles.
O próprio comércio eletrônico está se desenvolvendo de maneira diferente no Brasil. Temos um gargalo muito grande em termos de logística e infraestrutura. Os responsáveis por fazer a entrega em casa são os Correios e eles não são eficientes. Sabemos que há um enorme problema aí...
Para driblar isso, os centros comerciais estão incentivando o omnichannel - que busca integrar a loja física, virtual e os compradores. Ou seja, é possível comprar on-line, mas a entrega é feita na loja física mais próxima da sua casa. Os próprios shoppings estão motivando uma espécie de "delivery center". Aqui, como a malha logística não está desenvolvida o suficiente, os gargalos devem permanecer por um tempo, o que acaba protegendo os shoppings.
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