Menu
2019-08-06T17:15:40-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Renda fixa

Como deter uma carteira com 13 títulos públicos corrigidos pela inflação em um só investimento

Sob gestão do Itaú e com a bênção do Tesouro, o fundo de índice (ou ETF, na sigla em inglês) IMAB11 começou a ser negociado ontem na bolsa depois de captar R$ 2 bilhões em uma oferta de cotas. Saiba se o investimento é indicado para você

21 de maio de 2019
5:55 - atualizado às 17:15
Lançamento do ETF de renda fixa IMAB11, na sede da B3
Executivos do Itaú e do Tesouro, na cerimônia de lançamento do IMAB11 - Imagem: Divulgação/B3

Com que título público eu vou? Quem já investiu ou pelo menos tentou aplicar alguma vez no Tesouro Direto já deve ter se deparado com essa dúvida. E que tal comprar diretamente na bolsa uma cesta composta por 13 papéis corrigidos pela inflação (Tesouro IPCA+), de diferentes vencimentos?

Essa carteira foi reunida no fundo de índice (ou ETF, na sigla em inglês) IMAB11, cujo lançamento foi realizado nesta segunda-feira na B3. Já existem no mercado vários ETFs com referência em índices de ações, como o Ibovespa, mas esse é o primeiro que segue uma carteira de títulos públicos - no caso, o IMA-B, calculado pela Anbima.

O produto nasce com a bênção do Tesouro Nacional e sob a gestão do Itaú Unibanco, que também foi o responsável por vender as cotas a investidores no mercado.

A oferta inicial do ETF movimentou R$ 2 bilhões e contou com a participação de pouco mais de 2 mil investidores. Mas será que o investimento é indicado para você? Eu estive ontem na cerimônia que marcou a estreia do IMAB11 na bolsa e trago mais detalhes sobre o novo produto de investimento.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Quais as vantagens

Uma das vantagens do ETF de renda fixa é a tributação. A alíquota de imposto é de 15% sobre o rendimento, independentemente do prazo da aplicação. Ou seja, a mordida do Leão pode ser menor do que na renda fixa tradicional e no próprio Tesouro Direto, cujo imposto varia de 22,5% a 15% conforme o prazo.

O ETF também não está sujeito à cobrança de IOF no caso de venda das cotas antes de 30 dias nem ao chamado "come-cotas", como é conhecida a tributação semestral que incide sobre as cotas de fundos de investimento.

Os rendimentos pagos pelo Tesouro semestralmente nos títulos que compõem o IMAB11 são reinvestidos na carteira, também sem tributação, o que pode ajudar a engordar a rentabilidade.

Quais os custos

O custo do investimento no ETF lançado ontem é bem competitivo em relação às aplicações disponíveis no mercado de renda fixa. A taxa de administração é de 0,25% ao ano, a mesma cobrada na custódia do Tesouro Direto.

Mas a compra e venda de cotas do IMAB11 na bolsa está sujeita às taxas de negociação cobradas pelas corretoras, enquanto que a aplicação direta em títulos públicos possui taxa zero na grande maioria das instituições.

Para garantir tanto a liquidez das cotas na bolsa quanto a aderência do preço na bolsa com o índice de títulos públicos calculado pela Anbima, o Santander foi contratado como formador de mercado do IMAB11.

Quais os riscos

Como a carteira do ETF é composta por títulos públicos, trata-se de um investimento seguro. Mas o investidor está sujeito ao risco de mercado, com as oscilações do preço dos títulos que compõem a carteira.

Em seu primeiro dia de negociação, o IMAB11 fechou cotado a R$ 68,24, em alta de 1,10%. Ou seja, mais do que o dobro da variação mensal do CDI. Parece ótimo, não?

Só que na sexta-feira o IMA-B, índice de referência do fundo, recuou 0,49%. Ou seja, se você não tolera ver cota negativa nas suas aplicações de renda fixa, fique longe do IMAB11.

Vale lembrar que quem aplica diretamente em títulos atrelados à inflação no Tesouro também está sujeito à mesma oscilação, principalmente dos de prazo mais longo. Mas quem pode aguardar até o vencimento dos títulos tem a opção de "ignorar" os movimentos do mercado e receber a rentabilidade contratada. O que não acontece com o ETF, cuja compra e venda acontece sempre no preço "da tela".

As oscilações de curto prazo também tornam o IMAB11 contraindicado como forma de guardar a sua reserva de emergência, aquele dinheiro que você pode usar a qualquer momento. Mas pode ser interessante como forma de diversificar seus investimentos de renda fixa a um custo relativamente baixo.

A oferta

As pessoas físicas ficaram com aproximadamente 35% do total captado com a emissão inicial das cotas do fundo. O IMAB11 foi basicamente todo distribuído dentro da própria base de clientes do Itaú, segundo Arlindo Penteado, responsável pela área de vendas da asset do banco.

Os outros 65% foram vendidos a investidores institucionais, como fundos de investimento. Além de ampliar a base de investidores conforme o ETF se tornar mais conhecido, a expectativa do Itaú é atrair outros públicos, como os fundos de pensão e institutos de previdência de estados e municípios (RPPS).

A B3 vê nos ETFs de renda fixa uma forma de estimular os negócios na bolsa e prevê a criação ainda neste ano de iniciativas como a possibilidade de o investidor alugar suas cotas ou usá-las como garantia de operações, segundo o presidente da bolsa, Gilson Finkelsztain.

E você, o que achou do IMAB11? Comente logo abaixo ou no meu Twitter.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

bem na praça

Fintechs e corretoras lideram avaliações positivas de clientes

Nota geral mais alta foi da corretora Órama, com 4,64, em uma escala de 0 a 5. Ela foi seguida pelo Nubank (4,37), Banco Inter (4,31), a corretora Mirae (4,22) e o BTG Pactual Digital (4,20)

olho na composição

Ações de companhias elétricas podem equilibrar a carteira de investimentos

Empresas são consideradas mais resistentes a ciclos de baixo crescimento da economia e sentem menos os altos e baixos da Bolsa

sem privilégios

Petrobras pode perder direito de preferência no próximo leilão do pré-sal

Segundo jornal, avaliação é de que esse direito distorce a concorrência e afasta competidores

O que esperar dos mercados?

BCs, Davos e feriados pautam os negócios na semana

Enquanto líderes mundiais viajam para o Fórum Econômico de Davos, os investidores aguardam novidades dos BCs e da atividade doméstica. Feriados diminuem a liquidez dos negócios

dinheiro no caixa

Ânima Educação anuncia oferta de ações que pode movimentar R$ 1 bilhão

Empresa quer recursos para novas aquisições estratégicas e investimentos nas atuais linhas de negócio da companhia

na mesma

China mantém taxas de juros de referência inalteradas pelo 2º mês seguido

Taxa de empréstimos de um ano, que em agosto passou a ser uma taxa principal, permanece em 4,15%

empresário tinha 96 anos

Morre fundador do grupo Queiroz Galvão

Fundador ao lado de seus irmãos Dario, João e Mário em 1953, Antônio ajudou a transformar a pequena construtora de Pernambuco em uma das maiores empreiteiras do País

Seu Dinheiro Premium

Os segredos da bolsa: ações de dois setores têm uma semana intensa pela frente

A agenda econômica doméstica continua no centro das atenções do mercado, mas diversos eventos no exterior podem trazer volatilidade à bolsa

De olho nos desbancarizados

Fintech do Santander, Superdigital quer ser a conta dos MEI e das classes C e D

Banco digital de bancão, a Super dá lucro, cobra tarifa e não se volta para os millenials descolados. Foco são os desbancarizados e, sobretudo, as folhas de pagamento dos grandes empregadores.

Rompimento da barragem

Um ano após Brumadinho, alta cúpula da Vale tenta se defender de acusações

Foi dentro de um jato particular da Vale, durante a viagem de volta ao Brasil, depois de participar do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, que Fabio Schvartsman, então presidente da mineradora, recebeu a notícia do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Um ano após a tragédia de 25 de janeiro, […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements