Advogada do Investidor
Luciana Seabra
É CFP®, especialista em fundos de investimento e sócia da Empiricus
2019-06-19T17:54:09-03:00

Concorrência esquenta nos ETFs: BlackRock reduz taxa em indexado ao Ibovespa e empata com Itaú

Taxa do BOVA11, opção mais acessível para se investir no índice da Bolsa brasileira, cai de 0,54% para 0,3% ao ano nesta sexta-feira, mesmo valor cobrado pelo BOVV11

19 de junho de 2019
16:21 - atualizado às 17:54

O mercado de fundos indexados negociados em Bolsa, os ETFs (Exchange Traded Funds), é enorme lá fora, mas ainda nanico no Brasil. Aqui há cerca de R$ 14 bilhões investidos, somente 0,3% da indústria de fundos. Um movimento recente de reduções nas taxas, entretanto, sinaliza que esse segmento está ficando mais animado – o que é ótimo para o investidor.

A BlackRock anunciou em fato relevante que vai reduzir nesta sexta-feira, 21, a taxa de administração do seu ETF de Ibovespa de 0,54% para 0,3% ao ano. Esta é exatamente a taxa cobrada pelo ETF do Itaú, o BOVV11.

O produto da BlackRock, BOVA11, é praticamente sinônimo de ETF de Ibovespa no Brasil, mas apesar de ser o mais líquido, era até então o mais caro. Isso muda agora, com o ajuste. O produto da Caixa, XBOV11, passa a ser o último da fila, com 0,5% ao ano de taxa.

E agora, tanto faz investir no BOVA11 ou BOVV11? – pergunta você. Não necessariamente. O retorno do ETF depende não somente da taxa de administração, mas também da receita que o fundo obtém com aluguel de ações (que outros investidores tomam para montar posições vendidas, que apostam na queda de papéis).

Na mesma assembleia em que decidiu pela redução da taxa, a BlackRock informa que aumentou a fatia do portfólio que pode ser alugada, a fim de gerar receita para o fundo, dos atuais 30% do patrimônio líquido para 40%. E também aumentou de 50% para 70% o limite que pode ser emprestado por ação detida pelo fundo.

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Mesmo com o aumento, a BlackRock segue com menos flexibilidade do que o Itaú para alugar ações, já que o ETF do banco brasileiro tem os dois limites travados em 70%. Será preciso, portanto, ver o ETF da gestora americana em atividade por um tempo sob o novo regime para comparar a capacidade de aluguel dos dois gestores e, assim, seus dois retornos. De qualquer forma, a tendência é que os dois passem a ter ganhos próximos.

Em abril deste ano, o Itaú tinha feito um movimento parecido, ao reduzir a taxa de seu ETF atrelado ao S&P, índice da Bolsa americana, de 0,27% para 0,21% ao ano. Assim, o SPXI11 passou a ficar mais barato do que o produto atrelado ao mesmo índice da BlackRock, que cobra 0,24% ao ano.

Ainda que com infinitamente menos concorrentes, nos aproximamos assim da dinâmica do mercado de ETFs lá de fora, em que os gestores disputam espaço com ajustes nas casas depois da vírgula. E agora, quem dá menos?

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