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2021-10-03T21:15:01-03:00
Larissa Vitória
Abram alas para a tech

Estreia hoje na B3 ETF que reúne empresas de tecnologia com foco no Brasil; conheça o TECB11

O ativo soluciona um problema “internacional” para o investidor interessado no setor de tecnologia brasileiro

4 de outubro de 2021
7:01 - atualizado às 21:15
Ações tecnologia
Na carteira do TECB11 também estão presentes ações listadas na Nasdaq e na Nyse, como Mercado Livre (MELI), Stone (STNE) e a PagSeguro (PAGS). Imagem: Shutterstock

A partir desta segunda-feira você poderá se tornar sócio das principais empresas de tecnologia com brasileiras ou com grande atuação no país, e investindo em apenas um ativo. Estreia hoje no pregão da B3 o TECB11, um fundo de índice (ETF) cuja composição é formada pelas “big techs” tupiniquins.

A oferta de cotas do ETF da gestora Magnetis movimentou R$ 27 milhões. O fundo replica a carteira do Índice de Ações Tech Brasil, criado pela provedora Teva Índices, que inclui nomes como Magazine Luiza (MGLU3), Inter (BIDI11) e Locaweb (LWSA3).

As techs passaram por momentos difíceis nos últimos pregões. Ainda assim, o índice apresenta valorização de 154% nos últimos dois anos, contra uma alta de apenas de 31% do Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, no mesmo período.

Listagem internacional? Sem problemas para o TECB11

O ETF que estreia hoje na B3 também resolve um problema para o investidor interessado no setor de tecnologia brasileiro, que conta com várias empresas listadas em bolsas estrangeiras.

Na carteira do TECB11 também estão presentes ações listadas na Nasdaq e na Nyse, como Mercado Livre (MELI), Stone (STNE) e a PagSeguro (PAGS), que só estavam acessíveis aos investidores por meio da compra de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) ou com a abertura de conta em corretoras internacionais.

A lista de grandes techs que optam pela abertura de capital no exterior, aliás, deve engrossar nos próximos anos e, conforme conta Daniel Jannuzzi, especialista em investimentos da Magnetis, é um dos motivos por trás da criação do TECB11.

Citando como exemplo o Nubank, que, segundo fontes do mercado, prepara uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) bilionária na Nasdaq — bolsa norte-americana que é berço das companhias tecnológicas — Jannuzzi diz que a falta de opções no setor é um problema que deve se agravar no futuro.

“O Ibovespa não irá abranger essas empresas novas, que estão crescendo e cada vez mais fazem parte da vida dos brasileiros.”. Já o Índice de Ações Tech Brasil, referência do ETF, contorna esse empecilho ao se expor tanto às ações brasileiras quanto aos BDRs disponíveis na B3.

A seleção da tecnologia

O índice  concentra sua tese nos setores de financial deepening - ou intermediação financeira digital - e e-commerce e varejistas com ao menos 50% da receita vinda de vendas digitais, além de empresas de software, hardware e dados.

Além de se enquadrarem em alguma dessas categorias, as candidatas devem ainda preencher mais uma série de requisitos, que visam separar o joio tecnológico do trigo e garantir a liquidez do índice. Veja alguns deles abaixo:

  • Valor de mercado acima de R$ 500 milhões;
  • Volume mensal de negociações acima de R$ 100 milhões para empresas listadas na B3 e R$ 10 milhões para companhias com BDRs na bolsa brasileira;
  • 4% de capitalização de mercado disponível para negociação (free float);
  • Ausência de processos de recuperação judicial e cumprimento de pagamentos e obrigações.

Atualmente composta por 23 empresas, a carteira na qual se baseia o índice passa ainda por um rebalanceamento trimestral, nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Confira a carteira atual do índice de referência do Tech Brasil:

E o mau momento do setor?

Na teoria, a ideia do produto funciona. Mas, lançar um fundo de índice focado em tecnologia no momento em que as ações do setor enfrentam dias delicados é a melhor escolha?  

Os papéis de várias empresas que abriram o capital recentemente, como Infracommerce (IFCM3), Mobly (MBLY3), Enjoei (ENJU3) e Méliuz (CASH3), recuaram forte nos últimos dois meses. A Mobly, por exemplo, já caiu 65,2% desde o IPO.

Para o executivo da Magnetis, no entanto, não há motivo para desespero. “Muito desse desempenho vem de um cenário de curto prazo, pressionado pela alta dos juros, mas essas correções são positivas para a indústria tecnológica.”

O especialista afirma que, com as quedas, o mercado pode desvencilhar-se do otimismo das aberturas de capital e chegar a um consenso sobre a melhor forma de avaliar essas empresas. 

Por isso, o TECB11 aposta em uma tese de longo prazo que considera que a tecnologia seguirá assumindo um papel cada vez mais importante na vida das pessoas, e consequentemente, crescendo no mercado.

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