Mesmo quem não tem imóvel pode ganhar dinheiro no QuintoAndar, o app de aluguel
Para avançar no mercado imobiliário, empresa criou programa que paga comissão para pessoas que indicarem imóveis para alugar; comissão pode chegar a R$ 300 por cadastro

O QuintoAndar, que começou em São Paulo como uma startup em 2013, paga para quem indicar imóveis para o cadastro no site. Trata-se de mais uma estratégia para ganhar espaço no mercado imobiliário brasileiro.
A empresa ganha mercado com um app em que o usuário pode encontrar uma nova moradia ou disponibilizar sua casa ou apartamento para alugar, sem exigir fiador. A empresa faz uma análise de crédito rigorosa e garante o pagamento do aluguel ao proprietário do imóvel.
A imobiliária virtual pede reforços para outras pessoas indicarem imóveis disponíveis com os programas IndicaAí ou ao Parceiros da Portaria. Os interessados precisam entrar em contato com o dono do imóvel que ele sabe que está vago. Com a autorização do proprietário, o usuário repassa seus dados para a QuintoAndar, que então liga para o dono do imóvel para confirmar o cadastro e, posteriormente, encaminha um fotógrafo — que ajuda a padronizar as imagens dos anúncios do app.
No IndicaAí, a empresa informa que remunera em R$100 o usuário que aponta a moradia para alugar, quando esta é aprovada na base do QuintoAndar. Se houver negociação entre inquilino e dono, quem indicou ainda fica com 10% do primeiro aluguel.
Já o outro app, o Parceiros da Portaria, é de uso exclusivo para quem trabalha em portaria de prédio. Quando o imóvel recomendado é anunciado na plataforma, o profissional que indicou recebe R$100,00. Se o aluguel é fechado, o usuário recebe R$ 300,00.
Complemento de renda e até trabalho principal
A descoberta do app foi um ponto de ruptura na vida do corretor de imóveis Carlos Henrique Costa. Até um ano e quatro meses atrás, ele trabalhava numa grande empresa do setor do varejo. Era aquela pessoa responsável por treinar grandes equipes. A posição dele era confortável financeiramente. Mas as viagens que a empresa promovia o obrigava a ficar constantemente longe da família — o que era um grande incômodo.
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Até que amigos corretores o apresentaram ao QuintoAndar. Costa fez os cálculos e achou que era possível abandonar o emprego. A decisão, ele diz, tem se revelado acertada. "É uma questão de saber seus objetivos e o quanto você quer alcançar de renda por mês", relata.
Ter uma meta não é exatamente o que pensa Marcelo Aparecido de Souza, que trabalha como zelador há 29 anos. Ele diz que foi indicando apartamentos aos poucos e que, nos últimos nove meses, ganhou R$ 2,7 mil. "O dinheiro acaba servindo para lazer ou para comprar algo para meus filhos", conta.
Rotatividade alta
Segundo o diretor de marketing do QuintoAndar, João Gonçalves, a rotatividade de negócios é alta entre que usa o aplicativo. Entre outras razões, ele aponta a pouca burocracia no processo do aluguel. O diretor de marketing conta que, na média, o inquilino usuário do app é "um pouco mais novo" que o proprietário do imóvel.
Para Gonçalves, o trunfo da empresa é que seu produto combina tecnologia com a aposta numa mudança de cultura da sociedade, para oferecer um serviço. Ele afirma que, cada vez mais, as pessoas passam a perceber a aquisição ou aluguel de um imóvel não mais como um investimento para a vida toda. "Meus pais vivem há 40 anos na mesma casa, mas, para minha geração e para as seguintes, essa é uma escolha que não faz mais sentido", diz.
A empresa informa que, desde 2013, mais de 60 mil imóveis foram disponibilizados no app, que recebeu, entre outros aportes, R$ 250 milhões de um negócio liderado pela General Atlantic. Atualmente, está presente em 23 cidades.
Para este ano, a iniciativa espera consolidar a operação no Brasil. "Entendemos que, lá fora, a maioria dos países tem algumas dores de cabeça relacionadas ao aluguel, mas, tendo resolvido os problemas aqui, podemos ter interesse em resolver questões de outros lugares", diz Gonçalves.
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