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Governo não tem nem terá dinheiro para investir, mas há capital privado de sobra, incluindo o seu, que pode ser aplicado em projetos no país, segundo o presidente do banco de desenvolvimento, Joaquim Levy
Joaquim Levy tem uma boa e uma má notícia para você sobre as perspectivas para o investimento em infraestrutura no país. Para o presidente do BNDES, mesmo com a economia prevista para os cofres públicos com a reforma da Previdência, o governo não terá dinheiro para investir em infraestrutura nos próximos anos. Essa é a má notícia, que fique claro.
A boa é que dinheiro não é problema entre os investidores no setor privado, tanto lá fora como aqui no Brasil. "O capital está procurando destino, e nada melhor para absorver capital do que infraestrutura", disse Levy, que participou nesta sexta-feira de um seminário na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Ou seja, Levy acredita que uma parte dos seus investimentos, diretamente ou via fundos, pode ser destinada a financiar os projetos de energia, logística e outras áreas no país. "Se a gente se organizar, a infraestrutura é um destino muito bom", afirmou o presidente do BNDES a uma plateia formada principalmente por alunos do curso de MBA da fundação.
Embora não tenha dinheiro, o governo tem o papel fundamental de coordenar os projetos, segundo Levy, que elogiou a criação do Programa de Parcerias de Investimento (PPI). O órgão vinculado à Presidência da República que centraliza as ações do governo em Infraestrutura foi criado na gestão Temer e foi mantido por Jair Bolsonaro.
Com uma longa história no serviço público, o presidente do BNDES disse que, apesar dos percalços, o Brasil tem uma história de sucesso em concessões ao setor privado e que pode se aproveitar disso para atrair o dinheiro de investidores.
"Dinheiro tem às pilhas. O que falta são bons projetos", afirmou
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A maior parte do capital disponível hoje está em busca de investimentos de baixo risco. O que pode ser um oportunidade de atrair dinheiro barato para financiar a infraestrutura, desde que o país consiga criar regras simples e padronizadas para os investidores.
Levy disse que o BNDES também poderá atuar para diminuir o risco das operações, oferecendo por exemplo algum tipo de proteção cambial para o investidor estrangeiro. "É claro que vamos cobrar por isso", afirmou.
O banco de desenvolvimento também pretende continuar atuando como "investidor-âncora" nas captações de recursos pelos projetos no mercado de capitais. Em outras palavras, o banco garante a compra de um determinado percentual em uma emissão de debêntures, por exemplo.
O investimento em debêntures cujos recursos são destinados a financiar obras de infraestrutura possuem isenção de imposto de renda para pessoas físicas. Mas Levy considera que o pequeno investidor não deve entrar em emissões de projetos que ainda não foram concluídos e defendeu uma maior participação dos bancos comerciais, que têm melhores condições de avaliar os riscos.
O que não vai mais acontecer é o uso das taxas de juros subsidiadas, como ocorreu no passado recente. "Não tem mais BNDES com dinheiro barato para garantir projetos que não se sustentam", afirmou Levy, que deixou o evento sem falar com a imprensa.
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