Dólar a R$ 4 ou R$ 4,50 pode impedir um rali na Bovespa?
Para gestora Persevera não haverá mais o “kit Brasil”, ou seja, os ativos brasileiros não necessariamente andarão todos na mesma direção

Respondendo objetivamente ao questionamento do título, a resposta é não. Quem nos diz é a equipe da Persevera Asset, que se dedica a avaliar a ainda pouco compreendida nova relação do dólar com os demais ativos brasileiros na sua carta de gestão.
Para a Persevera, a trajetória do câmbio no Brasil não está mais tão relacionada ao desempenho dos demais investimentos. Essa visão estrutural da gestora não é nova, pois em julho ela já falava de um “novo normal” no mercado de câmbio e na carta de agosto tratou de um cenário de dólar de R$ 4 com Selic de 4%, que nos arrancaria da letargia econômica. Não por acaso, o título da carta de setembro é “O ministro Guedes tem razão”.
Segundo a gestora, Guedes apenas destacou algo que está correto: que com a queda da inflação e dos juros para patamares mais civilizados no Brasil é normal esperar que o câmbio brasileiro se situe mais próximo a R$ 4 do que a R$ 3 ou R$ 2,50, como há alguns anos.
Kit Brasil
Depois de avaliar a menor relevância da relação risco-país com o dólar, e fazer um modelo considerando não só o risco-país, mas também o diferencial de juros, o diferencial de crescimento e o preço do petróleo, a Persevera nos diz que o desempenho negativo do câmbio em relação aos demais ativos brasileiros poderá continuar.
“Essa análise nos leva a concluir que os ativos brasileiros podem apresentar bom desempenho ao mesmo tempo em que o real se mantém mais desvalorizado, entre R$ 4 e R$ 4,50. Em especial, acreditamos que o Ibovespa pode, sim, apresentar expressiva valorização mesmo num ambiente no qual o real permaneça mais desvalorizado”, diz a gestora.
Segundo a Persevera, esse é mais um aspecto da normalização econômica pela qual passa o Brasil. Assim, não haverá mais o “kit Brasil”, ou seja, os ativos brasileiros não necessariamente andarão todos na mesma direção.
“A correlação entre o câmbio e a bolsa e o câmbio e os juros tenderá a ficar menor, e, portanto, o câmbio desvalorizado não necessariamente estará relacionado a um mau desempenho da bolsa ou dos juros. Essa é uma realidade nova que ainda gera polêmica e ceticismo, mas temos bastante convicção de que o Brasil está seguindo essa rota de normalização.”
Na renda fixa, a gestora avalia que a recessão de balanços (famílias e empresas ainda ajustando contas, por assim dizer) limita o efeito do câmbio sobre a taxa de inflação, permitindo a continuidade do processo de queda de juros apesar da moeda depreciada.
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Para o mercado de ações, a avaliação é de que a recuperação de margens das empresas num ambiente de recuperação lenta, mas contínua da atividade econômica, e custo financeiro reduzido permitirá um crescimento robusto dos lucros.
“Esse crescimento, combinado com uma continuação da expansão dos múltiplos do mercado para refletir a melhora macroeconômica vivida pelo Brasil desde 2016, culminarão em excelentes resultados para os investidores em ações.”
Estrangeiros
A Persevera também faz uma análise sobre a relação entre o fluxo de investidores estrangeiros e o retorno do Ibovespa ano a ano.
Embora haja uma relação entre as variáveis, há períodos em que apesar do fluxo de estrangeiros, o Ibovespa apresenta má performance (2011 a 2015) e períodos, como 2018-2019, em que o Ibovespa tem bom desempenho apesar da saída de investidores estrangeiros.
A conclusão é que os investidores estrangeiros perderam boa parte do primeiro movimento de alta da bolsa, de 165% desde 2016, e a impressão é de que perderão esse segundo movimento nos próximos 2 anos.

Em tempo, o Persevera Compass FIC FIM fechou novembro com baixa de 0,69%, e acumula alta de 7,96% no ano.
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