Com medo da tensão na América Latina, o dólar voou para longe e foi aos R$ 4,19
As tensões sociais em diversos vizinhos do Brasil geraram um quadro de aversão ao risco em relação à região, o que fez o dólar se aproximar das máximas históricas por aqui

A América Latina está num momento turbulento — você certamente leu a respeito dos protestos sociais no Chile ou da instabilidade política na Bolívia. E se, por acaso, você acha que essa tensão está distante da nossa realidade, saiba que está errado: basta ver o que aconteceu com o dólar à vista nessa semana.
Desde segunda-feira (11), a divisa acumulou uma alta de 0,64%, terminando a sessão desta quinta-feira (14) com um leve ganho de 0,18%, a R$ 4,1932. Pode não parecer muito, mas há um detalhe importante: essa cotação representa uma nova máxima de fechamento em 2019 e o segundo patamar mais alto da história, em termos nominais.
Os R$ 4,1932 vistos hoje só ficam atrás do nível visto em 13 de setembro de 2018 — o dólar à vista terminou aquela sessão cotado a R$ 4,1998. Em termos intradiários, o recorde é de R$ 4,2158, registrado em 30 de agosto do ano passado.
Essa onda de pressão no mercado de câmbio se deve, justamente, ao atual panorama da América Latina. Por mais que o Brasil não esteja enfrentando turbulências sociais como as vistas em muitos de seus vizinhos, fato é que muitos investidores estrangeiros colocam os ativos da região numa mesma cesta.
Sendo assim, pouco importa se o Brasil mostra-se mais estável que seus pares regionais. Para esses investidores, há uma maior percepção de risco em relação aos ativos da América Latina como um todo — e, sendo assim, todos os itens do pacote acabam sendo afetados.
Leia Também
É claro que essa postura mais cautelosa não afeta todos os membros da cesta na mesma magnitude. Basta ver o comportamento da moeda do Chile, país que apresenta uma das situações mais instáveis da região. Na segunda-feira, o dólar valia cerca de 740 pesos chilenos; hoje, a cotação já estava próxima a 800 pesos, uma alta de 8,1%.
Essa situação se repetiu em diversas outras moedas do continente. Desde segunda-feira, o dólar acumulou ganhos de cerca de 3,5% em relação ao peso colombiano e de 1,15% na comparação com o peso mexicano. O real, assim, sofreu com o contexto regional, mas em menor escala que seus pares latinos.
E o Ibovespa? O principal índice da bolsa brasileira também foi afetado pelo turbilhão que atinge a América Latina: na semana, as perdas acumuladas chegaram a 1%, apesar da alta de 0,47% registrada hoje, para os 106.556,88 pontos.
Vale lembrar que, no caso da bolsa, também é importante lembrar que o Ibovespa estava perto das máximas históricas no início da semana — o índice atingiu o recorde de fechamento no último dia 7, aso 109.580,57 pontos. Com o mercado em níveis tão altos, e considerando a instabilidade regional, ficou fácil para os agentes financeiros embolsarem os ganhos.
E olha que, nesta quinta-feira, os investidores até tinham boas notícias para repercutir: o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) teve alta de 0,44% em setembro e, com isso, fechou o trimestre com uma variação positiva de 0,91%.
O indicador sinalizou que a economia brasileira finalmente começa a dar sinais de recuperação mais firme, o que elevou o otimismo dos mercados quanto ao desempenho da atividade do país em 2020 — e consequentemente, cooperou para melhorar um pouco o humor dos investidores.
Uma segunda leitura é a de que os sinais de reaquecimento econômico no Brasil podem fazer com que, aos olhos dos investidores estrangeiros, o país acabe se dissociando de seus vizinhos latinoamericanos, que atravessam uma fase de intensas turbulências políticas e sociais. Assim, o mercado brasileiro seria uma espécie de 'oásis' na região.
Outro foco de alívio veio do front da guerra comercial entre Estados Unidos e China: segundo a Bloomberg, o governo chinês concordou em remover as barreiras de importação de carne de frango americana.
A notícia aumentou a percepção de que as potências estariam caminhado para a assinatura da primeira fase de um acordo comercial, conforme sinalizado na última rodada de negociações formais entre os países. Esse desdobramento também serviu para amenizar os dados decepcionantes do varejo e da indústria chinesa em outubro.
Juros em alta
A recuperação indicada pelo IBC-Br, em conjunto com os ganhos do dólar, fez com que as curvas de juros fechassem em alta nesta quinta-feira, especialmente as mais curtas. Com a economia brasileira ganhando tração, o Banco Central pode optar por promover cortes menos intensos na Selic, o que estimula esse ajuste positivo nos juros.
Os DIs para janeiro de 2021, por exemplo, subiram de 4,61% para 4,64%. No vértice mais longo, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 foram de 5,73% para 5,75%, enquanto as para janeiro de 2025 recuaram de 6,34% para 6,33%.
Subidas e descidas
No Ibovespa, as ações do setor de varejo estiveram entre os destaques positivos, impulsionadas pelo bom resultado do IBC-Br — uma retomada da economia implica num reaquecimento do consumo doméstico.
Assim, Via Varejo ON (VVAR3) disparou 8,26%, Lojas Renner ON (LREN3) teve ganho de 4,89%, B2W ON (BTWO3) avançou 4,27% e Magazine Luiza ON (MGLU3) subiu 4,12%. O mercado ainda reagiu positivamente ao balanço da Via Varejo, como você pode ver nesta matéria.
Na ponta negativa, Braskem PNA (BRKM5) caiu 5,51% — os números trimestrais da petroquímica serão reportados ainda hoje. MRV ON (MRVE3) e Suzano ON (SUZB3) completam a ponta vermelha do índice, com baixas de 3,69% e 2,63%, respectivamente.
TROCA-TROCA
Dividendos para setembro: Itaú (ITUB4) e Vale (VALE3) saem da carteira da Rico; veja quem entrou
7 de setembro de 2026 - 16:10SETOR DE CONSTRUÇÃO
Não é MRV (MRVE3) nem Direcional (DIRR3): Itaú BBA acredita que outra ação pode valorizar até 107%
7 de setembro de 2026 - 12:17RENDA PASSIVA
Quem mais pagou dividendos em 2026? Veja o ranking das 10 maiores pagadoras no 2º trimestre
5 de setembro de 2026 - 17:45ESTRATÉGIA DO GESTOR
Nem Tesouro IPCA+, nem crédito: aposta de Stuhlberger agora está na bolsa
5 de setembro de 2026 - 12:01DOIS GIGANTES, DUAS APOSTAS
200 mil ou pé atrás? Os três elementos que decidirão os próximos meses da bolsa brasileira
4 de setembro de 2026 - 18:45ONDE INVESTIR
Onde investir em setembro? Com eleições pegando fogo e uma onda de RJs, veja onde apostar na bolsa, renda fixa, FIIs e exterior
4 de setembro de 2026 - 11:50RADAR DE FIIS
BTLG11 vai às compras e coloca galpões ocupados por Mercado Livre e Amazon no carrinho; veja detalhes da transação de R$ 959 milhões
4 de setembro de 2026 - 9:57FII DO MÊS
Mau humor do mercado deixa fundo imobiliário favorito dos analistas 15% mais barato; veja os FIIs indicados para setembro
4 de setembro de 2026 - 6:04QUAL A VISÃO PARA O FUTURO
Após saída de Steinbruch do cargo de CEO, XP faz alertas para CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)
3 de setembro de 2026 - 16:48AÇÃO DO MÊS
Analistas elegem Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) para investir em setembro; confira o ranking completo
3 de setembro de 2026 - 6:02NO OLHO DO FURACÃO
MPF denuncia fundadores da TRX por gestão fraudulenta, diz jornal; confira a resposta da gestora
2 de setembro de 2026 - 14:41CRISE CONTINUA
Citi está mais pessimista com Natura (NATU3) e rebaixa ação para venda. Por que a faxina na casa não convence o banco?
2 de setembro de 2026 - 12:45ENTREVISTA EXCLUSIVA
Multimercados em crise? CEO da Bradesco Asset vê ‘seleção natural’ e diz que uma nova onda de consolidação vem aí
1 de setembro de 2026 - 12:46FIM DA NEGOCIAÇÃO CONTÍNUA
B3 tira ação da Ambipar (AMBP3) das negociações regulares da bolsa por atraso; entenda
1 de setembro de 2026 - 10:15FRED KRUEGER ESTÁ DE VOLTA?
Kinea alerta para ‘pesadelo’ fiscal no Brasil e revela onde está buscando proteção antes das eleições
1 de setembro de 2026 - 7:08BALANÇO DO MÊS
Só deu ouro em agosto: metal precioso e ‘ouro digital’ entregaram até 25% de retorno no mês, deixando a renda fixa comendo poeira
31 de agosto de 2026 - 18:45BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Mercado aposta que nada vai melhorar no Brasil. É justamente por isso que gestores estão comprando renda fixa
31 de agosto de 2026 - 17:45RETOMADA À VISTA?
Mercado de capitais pode voltar a esquentar — e Itaú BBA indica esta ação para ganhar com a virada
31 de agosto de 2026 - 16:42RADAR DE FIIS
TRX dá mais um passo atrás e desiste de aquisição de cinco imóveis da Cyrela (CYRE3), incluindo prédio alugado pelo Nubank
31 de agosto de 2026 - 10:04TOUROS E URSOS #285