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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

UMA CONVERSA COM O MESTRE

Os 90 anos da crise de 1929: Ivan Sant’Anna fala sobre os vencedores e perdedores do crash

Ivan Sant’Anna, colunista do Seu Dinheiro e autor do livro “1929: quebra da bolsa de Nova York”, fala sobre o crash da bolsa de Nova York, que completa 90 anos

Victor Aguiar
Victor Aguiar
23 de outubro de 2019
16:51 - atualizado às 9:37

O colunista do Seu Dinheiro Ivan Sant'Anna é um dos traders mais respeitados do mundo. Com passagens pelos mercados acionários dos Estados Unidos e do Brasil, seu nome é respeitado por operadores, banqueiros, gestores e todo tipo de agente financeiro.

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E não é à toa. O Ivan é conhecido por ser um dos investidores que dominam como poucos os segredos para ganhar dinheiro nos mercados, independente do cenário. Se a bolsa está subindo forte, lá está ele, correndo com os touros; se os mercados passam a cair, pode ter certeza que o mestre desponta na linha de frente dos ursos.

É claro que, para captar tão bem as mudanças na direção dos ventos é preciso ter uma bagagem imensa de conhecimento. E o Ivan, mais do que ninguém, sabe tudo sobre Wall Street.

Mas o Ivan vai além. Como se a carreira vitoriosa como trader não fosse suficiente, ele ainda tem uma segunda ocupação, igualmente bem sucedida: a de escritor. Em seus inúmeros livros e best sellers, o mestre fala sobre as entranhas do mercado financeiro e passa dicas valiosas para quem quer ganhar dinheiro — e quem não quer, não é mesmo?

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Uma de suas obras primas é "1929: quebra da bolsa de Nova York", em que o Ivan faz um raio-X de um dos eventos mais turbulentos da história da economia moderna. O crash começou em 24 de outubro de 1929 — há exatos 90 anos.

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Sabendo que o Ivan é um dos maiores especialistas do Brasil na crise de 1929, nós, do Seu Dinheiro, convidamos o mestre para uma conversa ao vivo sobre as causas e consequências desse evento traumático — você pode ver a íntegra do bate-papo, que aconteceu hoje cedo, no vídeo que está no início desse texto.

Mas já te adianto que a conversa foi muito produtivo — vou tentar resumir a nossa conversa, mas é impossível colocar em palavras todo o conhecimento passado pelo Ivan. A conversa faz parte da série de conteúdos do Seu Dinheiro sobre a crise — é só clicar aqui para acessar nossa página especial.

Sempre há vencedores e perdedores

A crise de 1929 e a quebra da bolsa de Nova York foram eventos traumáticos para a sociedade americana e que trouxeram efeitos negativos para o mundo todo — o período pós-crash é conhecido como "a Grande Depressão".

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No entanto, engana-se quem pensa que, num momento em que as bolsas derretem, todos os investidores saem derrotados. Como o Ivan conta em seu livro, quem tem a perspicácia de perceber que uma bolha está se formando e que uma onda de venda é inevitável, consegue obter lucros fabulosos.

É o caso de Joseph Kennedy — pai de John, que viria a ser presidente dos Estados Unidos. Ele viu que algo estava muito errado na disparada dos preços da bolsa de Nova York na década de 20 e tirou o pé do acelerador — mais que isso, passou a vender a descoberto, apostando na queda dos papéis. Ele fez uma fortuna.

Assim como o patriarca da família Kennedy, muitos outros conseguiram sair do crash com os bolsos cheios, atuando como ursos. Se você souber como operar dessa maneira, também poderá se dar bem nos ciclos de queda da bolsa.

Aprender com o passado para não repetir no futuro

O crash da bolsa de Nova York, por si só, já foi bastante traumático. No entanto, a extensão de seus desdobramentos — a crise de 1929 e a Grande Depressão que se abateu sobre o mundo nos anos posteriores — foi muito maior por causa da atuação desastrada do governo americano.

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Com a queda das ações, muitas pessoas foram à falência e não conseguiram honrar suas dívidas no banco. E, como num efeito dominó, a inadimplência bancária ameaçou todo o sistema financeiro.

Mas o Federal Reserve (o banco central americano) não tentou salvar os bancos que estavam indo à bancarrota. Pelo contrário: a autoridade monetária optou por não intervir, por entender que uma menor disponibilidade de crédito iria coibir a especulação financeira — que era vista como a grande vilã do crash.

Só que, ao fazer isso, muitas instituições financeiras acabaram quebrando. E, com menos crédito na praça, as vendas se contraíram, a produção diminuiu e o desemprego aumentou — o que provocou um empobrecimento generalizado e lançou o país numa época muito dura.

As lições deixadas por 1929, no entanto, não foram esquecidas pelo governo americano. Em 2008, quando a crise do subprime voltou a ameaçar Wall Street, o Federal Reserve foi rápido no gatilho: injetou recursos na economia e resgatou diversas empresas do abismo, de modo a impedir um novo turbilhão de falências.

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Não esquecer para não repetir — essa é a herança maior de 29.

Semelhanças e diferenças

É claro que, ao ver o Ibovespa nas máximas históricas e as bolsas americanas num ciclo positivo muito longo, uma semente de dúvida acaba germinando na cabeça de muita gente. Será que corremos o risco de um novo crash?

O Ivan é rápido em dispensar essa tese. Afinal, as altas prolongadas podem evocar os dias e anos que precederam 1929, mas o cenário macroeconômico é bastante diferente.

A começar pelos juros: hoje, há um cenário queda nas taxas em quase todo o mundo — inclusive no Brasil —, com muitos países já contando com taxas de juros negativas. Assim, os custos de eventuais empréstimos a serem quitados num cenário de baixa é bem menor, o que traz menos riscos ao sistema como um todo.

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Além disso, o Ivan bate na tecla de que os governos aprenderam a lição de 1929 e não deixariam uma quebradeira generalizada acontecer. Assim como em 2008, a ação para evitar o efeito dominó tende a ser rápida nos momentos de maior estresse.

Em linhas gerais, o Ivan está otimista com as perspectivas para o Brasil. Isso não quer dizer que não possam ocorrer ciclos de baixa no curto e no médio prazo — afinal, há fatores de risco no horizonte, como a guerra comercial entre EUA e China. Mas, essas eventuais quedas tendem a ser limitadas: para o mestre, um crash como o de 29 está descartado.

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