Com uso de gatilhos, governo pode ter alívio de R$ 202 bi no orçamento
Projeto que aciona de maneira mais rápida medidas de contenção de gastos já previstos na constituição, mas aprovação depende do Congresso

O Orçamento de 2020 pode começar com um alívio de R$ 202,6 bilhões entre redução de despesas, aumento de receitas e diminuição da dívida pública, caso o Congresso Nacional aprove uma proposta que aciona mais rapidamente medidas de contenção dos gastos já previstos na Constituição e cria novos freios para as contas.
O projeto ganhou nesta semana o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, e pode incorporar a ideia do governo e de técnicos do Congresso de suspender a correção automática de despesas como o salário mínimo - o que ampliaria o impacto da proposta.
Para a área econômica, a proposta pode resolver o problema do teto de gastos até 2026, e, junto com a reforma da Previdência, abrir o caminho para o Brasil voltar a ter o grau de investimento das agências internacionais.
A maior parte do ajuste (R$ 109,6 bilhões) viria da economia de despesas com o acionamento de medidas já previstas na regra do teto de gastos (mecanismo que limita o crescimento das despesas à inflação), chamadas de gatilhos, e de novas ações, como a redução de jornada e salário de servidores públicos e a suspensão do pagamento do abono salarial (benefício de até um salário mínimo pago a quem ganha no máximo dois salários mínimos).
Há ainda ganhos previstos de R$ 6 bilhões em receitas com cobrança adicional na Previdência de servidores ativos e inativos e R$ 18,9 bilhões com a suspensão de repasses do FAT ao BNDES, além da possibilidade de abater R$ 68,15 bilhões da dívida pública a partir da desvinculação de recursos hoje parados em fundos do governo.
Alinhamento
Os números foram apresentados na terça-feira a Guedes pelo deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), autor da proposta que está sendo usada para redesenhar as regras fiscais. O deputado Felipe Rigoni (PSB-ES), que será o relator na comissão especial, também participou do encontro. Um integrante da equipe econômica disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o Ministério da Economia está "alinhado" na PEC do Pedro Paulo e avaliando as outras medidas que poderão ser incorporadas na proposta.
Leia Também
O Ministério da Economia trabalhava num plano para reduzir as despesas obrigatórias, mas traça agora uma estratégia junto com o Congresso por conta das dificuldades com o teto de gastos já no ano que vem. Mesmo com a aprovação das reformas, essas despesas comprimem os gastos com investimento e custeio da máquina pública para um nível muito baixo, de apenas R$ 89 bilhões.
O grupo agora analisa a possibilidade de incorporar gatilhos de desindexação de despesas, ou seja, desobrigar o governo de conceder os reajustes automáticos previstos na legislação. Essa medida conta com o apoio do ministro da Economia, que desde a transição fala na necessidade de dar maior flexibilidade ao Orçamento Federal.
Social
Levantamento do Tesouro mostra que dois terços (67,7%) das despesas primárias da União são corrigidas automaticamente por algum indexador. A mais significativa é a de benefícios previdenciários, que crescem à medida que o salário mínimo cresce. Mesmo aposentadorias e pensões acima do piso também são corrigidas todo o ano pela inflação. Outros exemplos são o abono salarial, seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda).
Os mínimos da saúde e da educação também são corrigidos conforme a inflação, mas Pedro Paulo disse ao Estadão/Broadcast que esses dois permaneceriam intocados num primeiro momento. "Não podemos fazer desvinculação de saúde e educação, mas estamos vendo quais outros gatilhos podemos colocar para a desindexação", disse o autor da proposta. A correção do salário mínimo pela inflação é prevista na Constituição. Para técnicos do Congresso, "agora chegou a hora" de entrar nessa discussão. Os gatilhos do teto já preveem a suspensão de qualquer aumento real do piso nacional, mas a proposta pode incluir um mecanismo que desobrigue o governo também de reajustar o valor nominal para repor a inflação.
Para o deputado Pedro Paulo, os gatilhos previstos têm potencial para fazer um ajuste nas contas do governo do tamanho ou maior do que a reforma da Previdência. "Vamos atacar a despesa e o problema da rigidez. Estamos perdendo autonomia sobre orçamento e isso está espremendo o investimento público", disse Pedro Paulo. Ele ressalta que as contas públicas estão descontroladas, mas alerta que ainda pode haver a possibilidade de um shutdown (paralisação)descontrolado e de um quadro mais grave de deterioração fiscal.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Conteúdo Empiricus
Eleições 2026: disputa pode abrir espaço para buscar ganhos de até 586%; entenda
13 de agosto de 2026 - 14:00ELEIÇÕES 2026
Visão sobre economia piora, Lula descola de Flávio, mas empate ainda ronda disputa eleitoral, mostra BTG Pactual/Nexus
10 de agosto de 2026 - 9:16ELEIÇÕES NO RADAR
Flávio Bolsonaro promete regra fiscal para cortar despesas e rebate críticas sobre tarifaço de Trump
3 de agosto de 2026 - 12:31ELEIÇÕES 2026
Lula vs. Flávio Bolsonaro: percepção sobre a economia melhora, mas a maior dor de cabeça para os candidatos é outra, mostra pesquisa BTG/Nexus
3 de agosto de 2026 - 9:58SEM ATRASO
‘Pix Pensão’ é sancionado por Lula e amplia cobrança automática de pensão alimentícia; veja como vai funcionar e quando começará a valer
30 de julho de 2026 - 11:13NOVA LEGISLAÇÃO
Spray de pimenta agora é legal para mulheres; saiba onde comprar e quanto custa
27 de julho de 2026 - 13:42ELEIÇÕES NO RADAR
Polarização no tarifaço: população divide culpa entre Lula e Flávio Bolsonaro; candidatos empatam no 2º turno, mostra BTG/Nexus
27 de julho de 2026 - 11:42DISPUTA PRESIDENCIAL
Eleições podem ser decididas no primeiro turno? Abstenções pesam, mas analista vê caminho para vitória antecipada
25 de julho de 2026 - 14:24ELEIÇÕES 2026
Gestores de R$ 180 bilhões dizem: mercado subestima chance de derrota de Lula
24 de julho de 2026 - 20:06ELEIÇÕES 2026
Lula contra Flávio Bolsonaro no 2° turno: petista aparece na frente com 48%, diz Datafolha
24 de julho de 2026 - 19:34ELEIÇÕES 2026
Empate técnico: Lula tem 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro no 2º turno, aponta BTG/Nexus
13 de julho de 2026 - 9:08OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
De dossiê contra CEO do Itaú a influenciadores: os alvos de intimidação por Vorcaro e os pagamentos bilionários para promover o Banco Master
10 de julho de 2026 - 13:06ELEIÇÕES DE 2026
Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em SP, mas rejeição acende alerta para o petista
8 de julho de 2026 - 14:46Conteúdo Empiricus
Michelle Bolsonaro é o ‘gatilho’ que faltava na corrida eleitoral? Veja o que diz CEO da Empiricus
3 de julho de 2026 - 16:00VEJA DETALHES DA PESQUISA
Respingos do Master e crise com Michelle cobram preço nas candidaturas de Lula e Flávio, segundo AtlasIntel/Bloomberg
2 de julho de 2026 - 11:18ENTENDA
O que o Corinthians tem a ver com as novas sanções dos EUA contra empresas brasileiras supostamente ligadas ao PCC?
1 de julho de 2026 - 15:26SEM IMPOSTOS
Sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, Brasil concede isenção de impostos a serviços relacionados ao torneio
30 de junho de 2026 - 12:37ELEIÇÕES 2026
Caso do Banco Master respinga em Lula e Flávio Bolsonaro, mas o eleitor decisivo ainda não acompanha a disputa presidencial, mostra pesquisa BTG/Nexus
29 de junho de 2026 - 11:56Conteúdo Empiricus
Eleições x investimentos: veja como preparar seu bolso para todos os cenários eleitorais com acesso gratuito às recomendações da Empiricus
26 de junho de 2026 - 14:00POLÍTICA