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2019-04-24T11:20:05-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Balanço

Sob pressão da concorrência, lucro da Cielo cai 40,4% no 1º trimestre

Resultado da empresa de maquininhas de cartão controlada por Banco do Brasil e Bradesco nos três primeiros meses do ano somou R$ 548,5 milhões e ficou abaixo das projeções do mercado

23 de abril de 2019
19:08 - atualizado às 11:20
Prédio da Cielo
Imagem: Cielo/Divulgação

Sob forte pressão da concorrência no mercado de maquininhas de cartão, a Cielo, líder do setor, registrou lucro líquido de R$ 548,5 milhões no primeiro trimestre deste ano. Trata-se de uma queda de 40,4% em relação ao mesmo período de 2018.

O resultado ficou abaixo das projeções dos analistas, que já esperavam uma piora no resultado. A média das estimativas apontava para um lucro de R$ 588,4 milhões no trimestre, de acordo com dados da Bloomberg.

Se mantiver o mesmo ritmo nos trimestres seguintes, a empresa não conseguirá cumprir a meta de lucro líquido para este ano, que varia entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões.

Em entrevista para comentar os resultados do trimestre anterior, o novo presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, deixou claro: entre manter as margens de lucro e a liderança no mercado que enfrenta uma forte competição, a empresa optou pela segunda.

E os números do primeiro trimestre mostram essa estratégia na prática. A receita líquida da empresa ficou praticamente estável e somou R$ 2,773 bilhões, queda de 0,4% comparação com o mesmo período do ano passado.

O volume de transações com cartões de débito e crédito nas maquininhas da Cielo até que aumentou 3% em relação aos três primeiros meses de 2018. Mas esse avanço não se refletiu em mais receitas porque a empresa precisou reduzir os preços em meio à forte concorrência no setor.

O corte nos preços se reflete no percentual do volume de operações realizadas pelas maquininhas que se transformaram em receita para a companhia. O chamado de yield caiu de 1,06% no primeiro trimestre do ano passado para apenas 0,91% entre janeiro e março deste ano.

Gastos maiores

Além da redução nas taxas cobradas dos lojistas que vendem produtos no cartão usando as maquininhas da Cielo, a companhia também contratou 1.000 novos vendedores, chamados de “hunters”. Eles têm como meta obter 2 mil novos credenciamentos por dia.

Com o aumento nas despesas de pessoal e marketing, os gastos totais da empresa atingiram R$ 2,189 bilhões, um aumento de 22,4% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

O lado bom da maior agressividade comercial é que a empresa conseguiu reverter a tendência de queda na base de maquininhas instaladas.

O número de terminais ativos aumentou 20,1% em relação ao primeiro trimestre e 8% na comparação com dezembro e atingiu 1,916 milhão.

Novos capítulos

É bom lembrar que os resultados da Cielo no primeiro trimestre ainda não sofreram impacto dos mais novos lances da concorrência no mercado de maquininhas.

As ações da empresa (CIEL3) sofreram uma forte queda na B3 depois que o Itaú cortou para zero as taxas aos lojistas que anteciparem os recebíveis das vendas realizadas nas compras com cartão de crédito em suas maquininhas. Em seguida, o Safra zerou a taxa cobradas nas transações no crédito realizadas pela maquininha SafraPay.

Ontem foi a vez da PagSeguro, do grupo UOL, anunciar que vai pagar na hora os lojistas que usarem as maquininhas da empresa nas vendas no débito ou no crédito.

Como a gestão de Caffarelli já mostrou que vai enfrentar de frente a guerra de preços, é amplamente esperado que a Cielo dê uma resposta à ofensiva da concorrência.

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