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2019-09-12T18:45:10-03:00
Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.
Um olho aqui, outro lá

A China vive uma crise no abastecimento de carne suína e isso pode ser bom para o Brasil

Apesar dos malefícios causados para os chineses, o problema gerou uma grande oportunidade para o Brasil. A queda na oferta de carne suína por lá fez com que algumas exportadoras brasileiras aumentassem a produção para ganhar mercado na China

12 de setembro de 2019
18:45
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Imagem: Shutterstock

A crise de carne de porco na China está ganhando contornos cada vez mais sérios. Segundo informações da CNN Business, algumas cidades já estão com seus preciosos estoques de carne suína congelada na "reserva".

O motivo é que quatro cidades ou províncias da China - que abastecem cerca de 130 milhões de pessoas - teriam diminuído seus estoques de carne congelada para colocar mais produtos no mercado. O objetivo é aumentar a oferta e estabilizar os preços.

O consumo de carne é de extrema importância para a cultura chinesa, e há uma razão especial para que a demanda pelo produto tenha aumentado mais ainda agora.

Isso porque as comemorações do segundo maior feriado do ano chinês, o 70º aniversário da República Popular da China, em 1º de outubro, se aproximam.

Lidando com a falta de carne

Toda a crise na oferta de carne de porco no país é por conta da peste suína. A doença chegou ao país em 2018 e se alastrou rapidamente. Com isso, os preços do produto subiram quase 50% no ano passado.

A liberação de reservas locais é uma das formas com qual o governo tem tentado lidar com o problema. Mas apenas a liberação não tem sido suficiente.

Por isso, a China vem aumentando cada vez mais a importação de carne suína para não causar um desabastecimento no país.

Efeito nas ações dos frigoríficos

Apesar dos malefícios causados para os chineses, o problema gerou uma grande oportunidade para o Brasil. A queda na oferta de carne suína por lá fez com que algumas exportadoras brasileiras aumentassem a produção para ganhar mercado na China.

No segundo trimestre, por exemplo, as exportações para China e Hong Kong corresponderam a 24,6% das exportações consolidadas da JBS. O percentual é o maior em relação às exportações para outras regiões.

Mesmo que nem tudo seja necessariamente carne de porco, o volume alto de exportações para os chineses vem ajudando também os papéis dos frigoríficos, assim como os resultados das companhias.

Basta uma olhada rápida para ver que as ações da JBS (JBSS3) apresentam alta de 151,08% desde o começo do ano até hoje (12). Em seguida, vem os papéis da BRF (BRFS3), com valorização de 7,392% no ano.

A Marfrig (MRFG3), por sua vez, também não fica muito atrás. Os papéis da empresa tiveram expansão de 65,20% no acumulado deste ano.

Além do aumento na demanda por carne, nesta semana os frigoríficos também receberam uma boa notícia.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebeu um comunicado da GACC, órgão de sanidade chinês, informando a habilitação de 25 frigoríficos para a exportação de carnes para o país asiático.

Na prática, dos novos habilitados, 17 são produtores de carne bovina, seis de frango, um de porco e um de asinino. As empresas já podem exportar imediatamente.

Com a decisão do órgão de sanidade chinês, o número de plantas habilitadas passa de 64 para 89.

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