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a bula do mercado

Guerra comercial chega aos balanços corporativos

Detalhes sobre saque do FGTS são esperados no Brasil

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18 de julho de 2019
6:46 - atualizado às 11:01
Imagem: Seu Dinheiro

Os ativos financeiros globais amanhecem sob o peso dos resultados corporativos divulgados após o fechamento dos mercados ontem nos Estados Unidos, quando companhias de variados setores confirmaram as expectativas de uma temporada de balanços decepcionante enquanto os efeitos da guerra comercial de Donald Trump contra o mundo começam a se fazer sentir.

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As ações da Netflix chegaram a recuar 10% no aftermarket depois da divulgação de que a empresa perdeu 126 mil assinantes nos EUA no decorrer do segundo trimestre, registrando o pior desempenho desde 2011. A perspectiva era de continuidade no aumento da base de assinantes.

Os papéis da IBM também recuaram no pós-mercado após a divulgação do balanço referente ao segundo trimestre de 2019. A empresa de tecnologia obteve lucro acima do esperado pelo mercado. Em termos de receita, porém, a IBM registrou o quarto trimestre consecutivo de queda.

A Alcoa, por sua vez, registrou prejuízo trimestral, provocado em grande medida pela queda na demanda chinesa por alumínio ante as tensões comerciais entre Washington e Pequim e a desaceleração do crescimento econômico global.

Os temores em torno da guerra comercial levaram as bolsas de valores asiáticas a fecharem em queda generalizada hoje. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, recuou 1,6% depois de as exportações japonesas terem registrado em junho o sétimo mês consecutivo em queda em meio a uma redução acentuada nos embarques de artigos para a fabricação de microchips para a China.

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Enquanto isso, o banco central sul-coreano cortou juros pela primeira vez em três anos, em uma decisão inesperada em um momento no qual a economia da Coreia do Sul enfrenta dificuldade e as disputas comerciais com o Japão se intensificam.

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Os mercados de ações na Europa também amanheceram no vermelho e os índices futuros de Nova York sinalizam queda enquanto Wall Street abandona os recordes recentes para precificar um corte de apenas 0,25% nos juros oficiais pelo Fed na reunião de política monetária marcada para o fim deste mês.

Ontem, na divulgação do Livro Bege, o Fed observou que "a perspectiva geral é positiva para os próximos meses, com manutenção de expectativas de crescimento modesto, apesar das preocupações generalizadas sobre o possível impacto negativo da incerteza relacionada ao comércio".

Apesar da performance da economia dos EUA, o presidente do Fed, Jerome Powell, tem sinalizado em discursos recentes que a autoridade monetária está pronta para cortar a taxa de juros diante da crescente tensão comercial, da desaceleração econômica global e da inflação branda.

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Investidores atentos a detalhes de medidas econômicas

Por aqui, o recesso parlamentar desvia momentaneamente o foco dos investidores da reforma da previdência. Com a próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central marcada para daqui a duas semanas apenas, as atenções voltam-se para os planos do governo Jair Bolsonaro de liberar o saque de parte dos recursos depositados em contas ativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Os detalhes devem ser anunciados por volta das 16h. Pelo que se sabe até o momento, os trabalhadores com depósitos de até R$ 5 mil poderão sacar até 35% do valor. O porcentual de saque diminuirá gradualmente e os correntistas com mais de R$ 50 mil no FGTS terão direito a saque de até 10% do dinheiro depositado.

A medida deve injetar pouco mais de R$ 40 bilhões na economia, segundo as estimativas de momento. O impacto esperado é aproximadamente o mesmo de 2017, quando Michel Temer autorizou o saque de contas inativas do FGTS em uma tentativa frustrada de reaquecer a economia.

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A novidade desta vez deve ser justamente a autorização ao saque de contas ativas, o que historicamente costuma ficar restrito a situações extremas, como catástrofes ambientais.

Enquanto os varejistas comemoram, as empresas do setor imobiliário ficam com a pulga atrás da orelha, uma vez que a medida drena recursos do mercado de habitação, afetando especialmente o financiamento de obras do programa Minha Casa, Minha Vida, uma das principais marcas dos governos do PT.

O fato é que a medida já foi tentada uma vez há pouco tempo com resultado pífio para a reativação da economia.

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