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Ministro da Economia, Paulo Guedes, sai vitorioso e consegue emplacar idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres na reforma da Previdência
Deu coluna do meio. O governo irá propor aposentadoria aos 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com prazo de transição de 12 anos. Essas palavras foram suficientes para animar o mercado financeiro ontem, trazendo o principal índice da Bolsa brasileira (Ibovespa) de volta aos 98 mil pontos e aproximando o dólar da faixa de R$ 3,70.
Os investidores comemoraram que, enfim, tornou-se pública as pretensões do governo em relação a uma reforma da Previdência mais ampla. Mais que isso, os ativos locais celebraram o pulso firme do ministro da Economia, Paulo Guedes, que saiu vitorioso na disputa contra a ala política e o próprio Palácio do Planalto.
As idades mínimas definidas são um “meio-termo” entre a vontade do presidente Jair Bolsonaro, que defendia 62 anos para eles e 57 para elas, e a da equipe econômica. Havia uma proposta ainda mais difícil na mesa, já que Guedes queria igualdade em 65 anos e uma transição menor. O presidente pensou em 60 anos para elas e uma transição maior.
Mas Guedes conseguiu convencer Bolsonaro dos riscos fiscais ao país, caso a idade mínima fosse menor e o prazo, maior. E o mercado doméstico não esperava um aval do presidente para um projeto mais agressivo, especialmente após alguns vazamentos de uma proposta mais fraca.
O governo evitou cravar qual deve ser o impacto fiscal, mas sabe-se que Guedes lutaria por uma proposta capaz de garantir uma economia de R$ 1 trilhão aos cofres públicos em cerca de dez anos. A proposta do governo para a reforma da Previdência deve chegar ao Congresso na próxima quarta-feira, quando serão divulgados os detalhes do texto.
No mesmo dia, o presidente Bolsonaro deve fazer um discurso à nação para explicar a proposta. É aí, então, que começa o jogo. Agora, o desafio do governo é equilibrar os ruídos no processo de aprovação da reforma até a votação final. Nesse caminho, pode haver diluição do texto ou fricção da base aliada, que ainda precisa ser formada.
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Ainda resta ao governo administrar a política interna tumultuada pelo caso Bebianno. O suposto envolvimento do então presidente do PSL durante as eleições de 2018 e atual secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, em esquemas de “candidaturas laranjas” gerou a primeira crise do Executivo, após 45 dias de mandato.
É fato que existe uma curva de aprendizado do novo governo, oriundo de um grupo político que nunca esteve no poder. Mas os ruídos políticos causados pelo tema afetaram a dinâmica dos ativos locais ontem. Tanto que, pela manhã, o dólar aproximou-se da marca de R$ 3,80, em meio à declarações contundentes e dos bastidores sobre o caso Bebianno.
Mas no fim do dia, o mercado doméstico ignorou essas rixas - e até mesmo ameaças veladas - e reforçou o otimismo que têm prevalecido entre os investidores - locais, principalmente - impulsionando os ativos. A reação negativa pela manhã comparada com o rali a tarde mostra que o sentimento nos negócios segue de alta (bullish).
Já nos Estados Unidos, quem dará a palavra final é Donald Trump. O presidente norte-americano vai declarar “emergência nacional” hoje (13h) para financiar a construção de um muro na fronteira com o México, após o acordo selado entre democratas e republicanos no Congresso não ter sido suficiente para financiar toda a obra.
Como o acordo não inclui toda a verba de US$ 5,7 bilhões para a construção, Trump vai recorrer à declaração para usar recursos sem a aprovação do Congresso e forçar o início da obra. Com a medida, Trump não precisa rejeitar o Orçamento aprovado no Senado, evitando uma nova paralisação do governo (shutdown).
A Câmara avaliou a decisão de Trump como um “abuso grosseiro de poder”, mas também aprovou a lei que mantém a administração federal funcionando. O texto segue, agora, para sanção de Trump. Ao declarar emergência nacional, ele deve deslocar recursos aprovados para ajudar Porto Rico e 12 estados norte-americanos, entre eles Califórnia e Texas.
O aviso feito pela Casa Branca inverteu o sinal positivo que prevalecia nas bolsas de Nova York ontem, pouco antes do fechamento da sessão, e esse sinal negativo se mantém em Wall Street nesta manhã. Os investidores estão temerosos de que a postura dura de Trump, de forçar a construção do muro, pode não funcionar nas negociações com a China.
Aliás, as principais bolsas asiáticas encerram em queda firme, de quase 2% em Hong Kong e de mais de 1% em Tóquio e em Xangai, em meio à espera do desfecho das negociações entre EUA e China, em Pequim. Os investidores estão receosos do impacto da disputa entre as duas maiores economias do mundo no crescimento econômico global.
Os dados fracos do varejo norte-americano em pleno mês de Natal, com as vendas registrando a maior queda desde setembro de 2009, reacenderam o medo de recessão nos EUA. Para o órgão que calcula o desempenho do setor, a tensão comercial sino-americana e o shutdown afetaram o resultado do comércio no período.
Mas o tempo está passando e o prazo final para o fim da trégua tarifária entre EUA e China está se aproximando, ainda sem sinais de um acordo. Questões-chave relacionadas à tecnologia chinesa e às políticas de comércio do país seguem em aberto. Com isso, os investidores ficam na defensiva e buscam proteção em ativos seguros.
O dólar mede forças em relação às moedas rivais, mas perde terreno para o iene japonês, ao passo que o petróleo ensaia alta, com o barril do tipo WTI cotado acima da faixa de US$ 54. Já o rendimento (yield) do título norte-americano de 10 anos (T-note) segue ao redor de 2,65%, depois de afundar ontem, na esteira do varejo fraco nos EUA.
Ou seja, tanto no Brasil quanto no exterior, o problema parece ser a visão muito otimista dos mercados, seja em relação à aprovação da reforma da Previdência, seja em relação às negociações entre EUA e China ou entre republicanos e democratas. E há espaço para decepções no curto prazo, pois, por ora, as incertezas permanecem.
Novos indicadores sobre o ritmo da atividade econômica pelo mundo serão conhecidos nesta sexta-feira. No Brasil, o Banco Central publica o IBC-Br de dezembro e a expectativa é de estabilidade no dado mensal, após os números decepcionantes sobre o desempenho dos setores industrial, de serviços e do varejo no período.
Com isso, o Produto Interno Bruto (PIB) do país no quatro trimestre de 2018 deve ser muito fraco, com a economia brasileira devendo registrar um crescimento modesto no acumulado do ano passado, talvez até abaixo de 1%. Os dados efetivos do BC serão conhecidos às 8h30. Antes, às 8h, sai o primeiro IGP deste mês, o IGP-10.
Já no exterior, o dia começa com dados da balança comercial na zona do euro em dezembro (8h) e traz como destaque a produção industrial nos EUA em janeiro (12h15). Também será conhecido o desempenho regional da indústria em Nova York (11h30), além da leitura preliminar sobre a confiança do consumidor norte-americano neste mês (13h).
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