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A Bula da Semana: Mercados entre a guerra e a reforma
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2019-08-05T05:00:22-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula da Semana

A Bula da Semana: Mercados entre a guerra e a reforma

Guerra comercial entre EUA e China deve manter a volatilidade no mercado financeiro, mas ativos locais estão atentos à votação da reforma da Previdência na Câmara

5 de agosto de 2019
5:00
tensaoguerraepolitica

Os mercados financeiros devem se preparar para mais uma semana em que a única certeza é a volatilidade. A disputa comercial e geopolítica entre Estados Unidos e China levou Wall Street ao pior desempenho semanal do ano, sendo que os ativos de risco no exterior devem continuar oscilando ao sabor do conflito nos próximos dias.

Os negócios locais não deve ficar alheios a essa turbulência, mas também têm seus próprios temas a monitorar. Após o Banco Central deixar a porta aberta para novas quedas dos juros básicos, o que contrata um novo corte de 0,50 ponto na Selic em setembro, o foco se volta para o Congresso Nacional, que retoma as atividades amanhã.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, marcou para esta terça-feira o início da votação em segundo turno da reforma da Previdência. Caso sejam necessárias, o plenário da Casa já está reservado para apreciação da matéria também na quarta e na quinta-feira. O objetivo é concluir a aprovação nesta semana, encaminhando a pauta ao Senado.

Com isso, espera-se que a tramitação da reforma da Previdência seja concluída no Congresso ao longo deste terceiro trimestre, sem diluições adicionais em relação à versão atual. Entre os investidores, a expectativa é de que o texto aprovado traga uma economia ao redor de R$ 900 bilhões nos próximos dez anos.

No front puramente macroeconômico, os destaques da semana ficam com a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã, e a inflação de julho medida pelo IPCA, na quinta-feira. Também merecem atenção o dados de atividade em junho sobre o varejo e o setor de serviços. (Veja detalhes mais abaixo).

E os mercados?

Encaminhada tal questão sobre as novas regras para aposentadoria, a reforma tributária deve entrar no radar dos parlamentares, que devem continuar querendo ser os protagonistas da agenda econômica. Independente de quem assumir a “paternidade”, o avanço das reformas tende a abrir espaço adicional para valorização dos ativos locais.

Nesse caso, o Ibovespa pode continuar buscando novas máximas, enquanto os juros renovam pisos históricos. Ainda assim, chama atenção o fato de os investidores estrangeiros terem retirado cerca de R$ 6,5 bilhões em recursos da Bolsa apenas em julho, no maior saldo negativo mensal do ano, atrás apenas do recorde apurado em maio de 2018.

No ano, os “gringos” já sacaram R$ 10 bilhões da renda variável local. Tal movimento explica, em parte, o porquê o dólar não consegue se firmar abaixo da marca de R$ 3,80 e também o porquê a qualquer sinal maior de estresse no exterior, a moeda norte-americana se aproxima da faixa de R$ 3,90.

Resta saber quanto mais o Ibovespa consegue avançar na faixa dos 100 mil pontos, em meio à ausência dos “gringos” na ponta compradora, bem como o quanto a posição defensiva (hedge) em dólar pode atrapalhar a queda da moeda norte-americana para níveis mais próximos a R$ 3,70 - ou menos. Ainda mais na “nova era” de juros baixos no país...

Fed sob pressão

Se as coisas por aqui parecem bem “azeitadas”, o mesmo não se pode dizer em relação ao cenário internacional. Depois que o Federal Reserve decepcionou até mesmo o presidente Donald Trump, ao sinalizar que o corte de 0,25 ponto foi uma correção de rota, os investidores torcem para que o Fed esteja errado e inicie um longo ciclo de baixa.

Trump de uma “ajudazinha”, ao anunciar a implantação de tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses importados aos Estados Unidos, dizendo que podem subir até 25%, e com vigência a partir de 1º de setembro. A China já disse que irá retaliar. Apesar de não ter detalhado as medidas a serem tomadas, não há chance de Pequim recuar.

A próxima rodada de negociação entre as duas maiores economias do mundo deve acontecer em setembro. Apesar de dizer que as coisas estão indo “bem” com a China, Trump estragou as expectativas mais otimistas quanto a um acordo após a nova tarifação. Aliás, essas idas e vindas sobre a guerra comercial têm sido citadas pelos bancos centrais.

Enquanto o líder norte-americano parece brincar com o mundo, sob a retórica protecionista, a atividade econômica global continua mostrando que os desafios ao crescimento seguem elevados. Por isso, os mercados financeiros devem passar a semana tentando avaliar a postura dos bancos centrais, diante das incertezas vivenciadas no cenário global.

E se o Fed ainda não sabe o que está fazendo, não é difícil adivinhar o que a autoridade monetária terá de fazer, agora que Trump reativou a guerra comercial. A escalada da disputa com a China deve levar o BC dos EUA a dar apoio econômico completo à atividade doméstica dentro de pouco tempo, enquanto um acordo tende a ficar mais distante…

Aliás, a fraca agenda econômica no exterior nesta semana traz como destaque os números da balança comercial chinesa, ainda sem data definida. Dados de atividade na Europa e no EUA também ajudam a avaliar o impacto da guerra comercial, enquanto alguns dirigentes do Fed discursam.

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:

Segunda-feira: A tradicional pesquisa Focus do Banco Central abre a semana (8h25), com as previsões atualizadas do mercado financeiro para as principais variáveis macroeconômicas do país. Destaque para as estimativas para a taxa básica de juros (Selic), após o início do processo de afrouxamento monetário na semana passada. No exterior, dados de atividade na Europa e nos EUA merecem atenção.

Terça-feira: A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) é o destaque do dia. O documento pode trazer sinais em relação ao tamanho do ciclo de cortes, que passaram a situar a Selic entre 5,25% e 4,75% até o fim do ano, após a queda de 0,50 ponto ao final do mês passado. Também merece atenção a retomada dos trabalhos legislativos, à espera da votação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara. Lá fora, o foco recai no discurso do presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard.

Quarta-feira: O desempenho do comércio varejista brasileiro em junho deve ajudar a dar o tom das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, com riscos crescentes de o país voltar à recessão técnica. Além disso, mais um dirigente do Fed discursa, o comandante da distrital de Chicago, Charles Evans.

Quinta-feira: O cenário benigno da inflação favorece um ajuste adicional no juro básico e o resultado de julho do índice oficial de oficial de preços ao consumidor (IPCA) deve mostrar números ainda confortáveis, sem maiores pressões. A China também informa os números dos preços ao consumidor (CPI) no mês passado. No mesmo dia, saem a leitura atualizada da safra agrícola brasileira e o resultado de julho do IGP-DI.

Sexta-feira: Ao lado das vendas no varejo, o resultado do setor de serviços em junho é relevante para medir o desempenho da economia brasileira ao final do semestre passado. Nos EUA, sai o índice de preços ao produtor (PPI) em julho. Sem data confirmada, é esperada a divulgação dos números da balança comercial chinesa em julho, mostrando o impacto da guerra de tarifas no país.

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