Venda da Braskem à Lyondell emperra e complica a situação da Odebrecht
Fator número um para a reticência da Lyondell em comprar a Braskem seria a incerteza gerada pelo projeto de extração de sal-gema em Alagoas

A situação do Grupo Odebrecht, um dos pivôs da Operação Lava Jato, deve ficar ainda mais complicada com os revezes que surgiram no negócio visto como a "tábua de salvação" do conglomerado: a venda da Braskem. Tida como a "joia da coroa" da Odebrecht, a petroquímica está sendo negociada com a holandesa LyondellBasell. Mas, de acordo com quatro fontes próximas à transação, que poderia trazer cerca de R$ 20 bilhões ao grupo, as negociações esfriaram na esteira de uma série de más notícias envolvendo a Braskem.
Segundo o jornal 'O Estado de S. Paulo' apurou, o fator número um para a reticência da Lyondell em comprar a Braskem seria a incerteza gerada pelo projeto de extração de sal-gema em Alagoas. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o processo de obtenção da matéria-prima afetou a estrutura geológica de bairros de Maceió, causando afundamento de terrenos e rachaduras em construções na cidade. Fonte ligada às negociações com a Lyondell classificou a situação como "um desastre".
O Ministério Público de Alagoas pediu bloqueio de R$ 6,7 bilhões da empresa. A Justiça Estadual contingenciou R$ 100 milhões e impediu a distribuição de R$ 2,7 bilhões aos acionistas da Braskem - o que tirou mais de R$ 1 bilhão da holding Odebrecht em momento de dificuldade de caixa. A questão, disse fonte próxima à situação, é que a Lyondell não quer se arriscar em comprar a Braskem enquanto essa conta não for definida. O caso seguiu para a Justiça Federal.
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Em relação à questão da extração de sal-gema, a Braskem diz que vem "realizando uma série de estudos geológicos na região" para definir soluções para o bairro. A empresa afirma estar colaborando com as autoridades na questão.
Outro fator que pesou para o esfriamento da venda foi a suspensão das negociações dos papéis da Braskem na Bolsa de Nova York (Nyse) pela não entrega do formulário 20-F de 2017. A empresa diz que trabalha para resolver a situação, mas precisa que a consultoria PwC avalize as mudanças em processos que está tentando implementar - caso isso ocorra, ela pode voltar a ser negociada na Bolsa, e não mais no mercado secundário.
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Como se os obstáculos não bastassem, houve piora global no setor, o que levou a Braskem a um desempenho mais fraco do que o esperado no primeiro trimestre. Como consequência, as ações da Braskem perderam cerca de um terço de seu valor em relação ao "pico" atingido em outubro do ano passado. Ontem, o papel da companhia fechou a R$ 42,82.
Por fim, a empresa ainda enfrentou novas denúncias de desvio de dinheiro envolvendo Maurício Ferro, cunhado de Marcelo Odebrecht, quando o executivo ainda trabalhava na petroquímica. O Ministério Público fez, em fevereiro, um aditamento a uma denúncia antiga, de envio de US$ 8 milhões que considerou ilícitos ao exterior. A defesa de Ferro pediu a rejeição do aditamento, dizendo tratar-se de remuneração lícita.
Efeitos. As complicações na venda da Braskem atingiram em cheio a Odebrecht, cuja dívida seria de R$ 70 bilhões, sem contar débitos de Braskem e da Ocyan (negócio de soluções para o setor de óleo e gás), apurou o Estado. A Odebrecht, oficialmente, diz que a dívida é de R$ 60 bilhões e inclui a Ocyan.
Boa parte dos débitos do grupo está em fase de renegociação. Embora parte dos credores rejeite a recuperação judicial, pessoas próximas à companhia dizem que, em alguns negócios, talvez essa seja a única alternativa. O bloqueio dos dividendos da Braskem só ampliou os problemas do grupo.
A construtora OEC está reestruturando uma dívida de US$ 3 bilhões com detentores de títulos, chamados de bondholders. As negociações estão lentas e não devem ser concluídas no curto prazo. Nesse caso, por se tratarem de investidores pulverizados, é provável que a empresa tenha de fazer uma recuperação extrajudicial.
Já a Atvos (braço agroindustrial) e a Odebrecht Realizações (do setor imobiliário) são "candidatas" à recuperação judicial. A Atvos, que reestruturou sua dívida em 2016, vive a situação mais complicada. Há alguns meses, a empresa atrasou o pagamento para o fundo americano Lone Star, que entrou na Justiça e conseguiu o arresto de parte de sua produção. A dívida da empresa soma cerca de R$ 11 bilhões. A OR tem dívida menor, mas também não chegou a acordo com credores.
Uma boa notícia para a Odebrecht nesta semana foi a venda do prédio sede da empresa, por R$ 500 milhões, antecipada pela Coluna do Broadcast. O valor do negócio será usado com gastos do dia a dia, segundo fontes próximas a empresa. O dinheiro trouxe alívio momentâneo para a empresa, dizem fontes.
Em nota, a Odebrecht afirmou que "o grupo está confiante no avanço das negociações, que são complexas, demandam tempo e, como ocorre em temas dessa natureza, estão sujeitas a interpretações ou especulações". A Lyondell afirmou à Bloomberg, no dia 15, que "ficaria surpresa" caso não tome decisão sobre a Braskem até o terceiro trimestre.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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