Menu
Alexandre Mastrocinque
Que Bolsa é essa?
Alexandre Mastrocinque
É economista, contador e especialista em investimento em ações
Dados da Bolsa por TradingView
2019-01-04T17:12:01-02:00
Ações

De volta para o futuro? Por que você deve investir na bolsa em 2019

Se a nova equipe econômica conseguir entregar reformas estruturais em meio a um ciclo positivo de crescimento e se (e esse é um grande “se”) os mercados externos ajudarem, Brasil pode virar uma Coreia sem K-Pop

5 de janeiro de 2019
6:07 - atualizado às 17:12
De Volta Para O Futuro B3
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Se na semana passada cumpri o protocolo e fiz uma retrospectiva, não poderia deixar a chance passar na primeira semana do ano – o que vem pela frente?

Antes de começar a fazer minhas previsões para 2019, um spoiler: elas estão fatalmente erradas.

Como ainda ninguém inventou o capacitor de fluxos e minha bola de cristal parou de funcionar desde a final do Brasileiro de 2002, eu não acredito muito nesse negócio de adivinhar o futuro.

Mas, da mesma forma que fiz um monte de planos para gastar o prêmio da Mega da Virada, acho bacana tentar pensar em como vai ser 2019 e de que forma ganhar dinheiro no ano que está começando.

O ano nasceu muito bem, obrigado – o discurso inaugural de Paulo Guedes quase me fez chorar, mas segurei as lágrimas porque, se menino veste azul e menina veste rosa, então deve ser errado menino chorar, ainda mais com uma barba deste tamanho.

Se o Guedão entregar 30% de tudo o que prometeu, meus filhos um dia saberão o que é viver em um país desenvolvido – se a gente virar a Coreia do Bem sem K-Pop, até paro de apostar na Mega.

O ciclo ajuda

Além das promessas do novo ministro, atravessamos um momento especial – todas as economias se comportam em ciclos: crescimento, topo, declínio e depressão se repetem inexoravelmente porque é da natureza humana cair em euforia, investir demais, criar excesso de oferta, cortar produção, ficar muito pessimista e achar que o alçapão depois do fundo do poço é, na verdade, um poço sem fundo.

Depois dos estragos da era dilmista, as empresas cortaram custos, ajustaram a capacidade e se tornaram muito mais eficientes. A utilização da capacidade produtiva ainda é baixa (em torno de 80%) e a concorrência diminuiu – muita empresa ruim fechou as portas.

Em paralelo, temos uma massa enorme de desempregados – são quase 13 milhões de pessoas – o que reduz a pressão sobre os salários.

Essa combinação de capacidade ociosa e sobre oferta de mão de obra é muito positiva para as empresas – dá para aumentar a produção sem investir em nova capacidade e sem grande aumento de custos. Se não tem pressão de custos, não tem pressão de preços.

Isso é muito interessante do ponto de vista da inflação – vai ter crescimento (maior produção) sem aumento de preços, o que deixa o Banco Central livre para manter e, quem sabe, até baixar os juros.

Bolsa leve

Aumento da produção sem investimento em capacidade adicional significa forte geração de caixa, que é música para os ouvidos dos investidores: um ambiente com crescimento de PIB, juros baixos e forte geração de caixa é absolutamente positivo para ativos de risco – leia-se Bolsa.

Do ponto de vista técnico, os sustos recentes nos mercados externos deixaram a Bolsa “leve” – tem pouco gringo com dinheiro por aqui. Mesmo que o mercado nos EUA dê sinais de cansaço, não há motivos para grande preocupação desde que que não tenhamos uma grande crise (o que AINDA não parece ser o caso).

Se o investidor estrangeiro estiver desiludido com a Bolsa nos EUA, mas não estiver muito assustado para ousar um pouco mais, o que lhe resta é colocar dinheiro nos países emergentes – pesquisas com investidores mostram que o Brasil é o novo queridinho do mercado global!

O recente anúncio do apoio do PSL à reeleição de Rodrigo Maia é um passo importante para irmos um pouco além: se quisermos mais do que surfar esse crescimento cíclico de médio prazo, é preciso colocar a casa em ordem e garantir a solvência do país no longo prazo.

Reforma da Previdência, simplificação tributária, ampliação de concessões e a tão esperada redução do Estado passam obrigatoriamente pela Câmara e pelo Senado.

Renan Calheiros, que renunciou à presidência do Senado em 2007 para evitar a cassação de seu mandato e que foi, brevemente, afastado da presidência do Senado depois da decisão de Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo, agora oferece “tramitação relâmpago para reformas por apoio do governo na presidência do Senado”.

(Que país estranho esse tal de Brasil)

Hora de comprar

Se a nova equipe econômica conseguir entregar reformas estruturais em meio a um ciclo positivo de crescimento e se (e esse é um grande “se”) os mercados externos ajudarem, fica até difícil pensar o quão alegre será a Faria Lima ao longo de 2019.

O que aconteceu com Eletrobras é didático: em dois pregões, alta de 21,4%!

Eu, sinceramente, não consigo nem pensar no que o Brasil pode se transformar sem as amarras de décadas de intervencionismo, protecionismo e paternalismo.

Quanto custaram os anos de ajuda às montadoras? Qual o tamanho do atraso causado pelas regras na distribuição de combustível? Quão mais cara é a sua conta de luz por causa da famigerada MP 579?

Sério. Compre ativos de risco brasileiros – dê preferência a ativos expostos à atividade doméstica, como varejo, indústria e, por que não, setor imobiliário – juros baixos e confiança em alta são maravilhosos para o setor!

Só lembre de fazer tudo isso sabendo que eu não sei de nada, ou seja, tome cuidado.

A qualquer momento pode aparecer uma delação do Joesley, ou um laranja que venda açaí e carros usados em profusão. A criatividade do político brasileiro faz com que quase todos os tetos em Brasília sejam de vidro.

2019 tem tudo para ser ótimo, mas não acredito que será um ano simples (eles nunca são por aqui). Desconfie de quem te diz que as incertezas serão menores em 2019. É justamente quando a gente acha que não tem incerteza que tudo fica mais complicado – tem riscos que você nem sabe que está correndo e é aí que mora o perigo!

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Novidades da maçã

Apple apresenta novos modelos de MacBook Pro e AirPods; computador vai custar até R$ 45 mil no Brasil

Disponíveis agora em modelos de 14 e 16 polegadas, os dispositivos prometem um processamento ainda mais potente do que os antecessores

Ao Vivo

Apple apresenta novos modelos de MacBook Pro e Airpods; acompanhe o lançamento

Apresentado pelo CEO da companhia, Tim Cook, este é o segundo evento da empresa para lançamento de produtos neste ano

Benefício perto do fim

Sem substituto para o Bolsa Família, Bolsonaro afirma que definição sobre extensão do auxílio emergencial sai nesta semana

O presidente não revelou quantas serão as novas parcelas do benefício, mas afirmou que o valor já foi decidido pelo governo no último sábado

Movimentando o mercado

Fleury (FLRY3) compra Laboratório Marcelo Magalhães; saiba mais sobre aquisição, a segunda maior na história do grupo

O grupo pagará R$ 384,5 milhões pela empresa, que, com 64 anos de história, é referência em medicina diagnóstica no estado de Pernambuco

DIA DE ESTREIA

Getnet (GETT11) ganha vida própria e estreia na B3 com o pé direito; ações ordinárias e preferenciais disparam mais de 100%

As units (GETT11), papéis com maior liquidez, subiam cerca de 59,45%, cotadas a R$ 7,51. Como parte da cisão de SANB11, integrante do Ibovespa, as ações já integram o principal índice da bolsa brasileira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies