Por que os gringos estão com o pé atrás em relação ao Brasil e à bolsa?
Apesar de o Ibovespa acumular alta em 2019, o fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa no mercado à vista está negativo. Com a reforma da Previdência avançando aos trancos e barrancos, os gringos estão como São Tomé: só acreditam vendo

As incertezas em relação à reforma da Previdência têm pesado sobre o humor dos mercados como um todo — e isso não é nenhuma novidade. Mas, em linhas gerais, pode-se dizer que ainda há certo otimismo por aqui: afinal, o Ibovespa acumula ganhos de mais de 7% em 2019.
Só que esse essa postura não é exatamente compartilhada pelos investidores estrangeiros. Diante da nebulosidade do cenário político, os gringos estão adotando a máxima de São Tomé: precisam ver para crer.
Eu conversei com gestores e analistas com atuação internacional nos últimos dias a respeito das dificuldades de articulação política do governo Bolsonaro ao redor da Previdência — e sobre como isso estaria mexendo com o apetite dos estrangeiros. A avaliação é unânime: quem está lá fora prefere pegar o bonde andando e não se expor muito neste momento.
"Eu estive nos Estados Unidos há pouco tempo e ouvi muito isso. Ninguém vai entrar no país, trazer dinheiro para cá e correr um risco cambial, enquanto não houver a estabilização da trajetória da dívida/PIB", me disse um gestor de um fundo carioca, sob condição de anonimato. "E, se a Previdência não passar, você não consegue esse equilíbrio".
Fluxo vacilante
A análise do fluxo de recursos estrangeiros no segmento à vista da bolsa brasileira em 2019 dá uma ideia dessa hesitação. Em 21 de março, esse saldo chegou a ficar positivo em mais de R$ 3 bilhões — mas, no dia seguinte, entrou em tendência de queda.
Nada acontece por acaso: um turbilhão atingiu Brasília naquela semana, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, dando as primeiras declarações de que poderia deixar a articulação política da Previdência.
Leia Também

Esse fluxo até chegou a se recuperar no começo de abril, mas sofreu um duro golpe no último dia 12: apenas nesse dia, os estrangeiros retiraram R$ 2,1 bilhões da bolsa brasileira — e, com isso, o saldo no ano virou ao campo negativo.
Novamente, nada acontece por acaso: 12 de abril foi a data em que o governo barrou o reajuste dos preços do diesel da Petrobras, ressuscitando o fantasma da interferência estatal na administração da empresa.
"Não há nenhuma tendência. Ao analisar os dados consolidados no ano até agora, não há um fluxo consistente de estrangeiro para a bolsa", diz Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management, ressaltando que o cenário externo tumultuado também prejudica o apetite ao risco.
No ano, até o pregão do dia 16 de abril, o fluxo de estrangeiros em bolsa está negativo em R$ 1,79 bilhão — somente neste mês, a retirada de recursos supera a entrada em R$ 3,04 bilhões. No mesmo período de 2018, o saldo dos gringos estava positivo em pouco mais de R$ 960 milhões.
Bifurcação
Essa hesitação dos estrangeiros se deve ao viés binário da economia brasileira: com a aprovação da Previdência, há a perspectiva de melhora da situação fiscal e de retomada de um crescimento mais amplo da economia. Mas, sem a reforma, o cenário é o oposto.
E as dificuldades enfrentadas pelo governo ainda nos primeiros estágios da tramitação da reforma da Previdência no Congresso — as discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara estão atrasadas — contribuem para trazer mais cautela aos estrangeiros.
"Só reforça a decisão deles de não entrar enquanto não resolver a questão da Previdência", diz Patah, do UBS, referindo-se à deterioração da articulação política. "Os estrangeiros gostam dos mercados emergentes porque eles têm crescimento. Se for para investir num emergente que não cresce, é melhor ficar nos Estados Unidos".
De fato, as projeções para o crescimento da economia brasileira em 2019 estão sendo reduzidas semana a semana. O último boletim Focus, de 15 de abril, prevê aumento de 1,85% do PIB neste ano — em janeiro, a estimativa de expansão chegou a ser superior a 2,5%.
"Não vamos esquecer que estamos com 12 milhões de desempregados. O governo está começando a fazer ajustes e a equipe econômica é excepcional, mas a reforma da Previdência é crucial. A conta precisa fechar", diz Cesar Mikail, gestor da Western Asset.
Preço x atratividade
Mikail ainda pondera que os estrangeiros dão grande atenção à relação entre preço e lucro (P/L) das bolsas globais para decidir suas alocações — e, no momento, o mercado brasileiro está sendo negociado em linha com sua média histórica.
"Os emergentes, principalmente na América Latina, andaram juntos. O Brasil não ficou para trás", diz Mikail, ressaltando que, em dólar, as bolsa brasileira teve desempenho semelhante à do Chile, México e Peru. "Mas, se a reforma da Previdência sair, teremos um belo gatilho".
O gestor da Western explica que a aprovação da reforma elevaria a projeção de lucros das companhias, gerando uma redução nesse índice P/L d o mercado brasileiro — e, assim, aumentando a atratividade da bolsa. "Quando você mexe no denominador, você tem uma correção natural".
Oportunidades
Um gestor que prefere não ser identificado analisa que os estrangeiros até podem fazer movimentos pontuais de entrada na no curto prazo, mas ressalta que tais fluxos estão mais realizados a alguma correção brusca da bolsa brasileira.
Ele cita, por exemplo, a forte queda do Ibovespa no início da crise de articulação política: em oito sessões, o índice saiu do nível dos 100 mil pontos e cau ao patamar de 91 mil pontos.

"Como houve um movimento grande de piora da bolsa e o dólar batendo em R$ 4,00, a gente percebeu uma pequena entrada dos estrangeiros no mercado local. O preço estressou e eles aproveitaram essa janela", diz o gestor.
Já Patah, do UBS, ressalta que os estrangeiros estão receosos com a bolsa, mas seguem de olho em boas oportunidades de investimento no Brasil e nos países emergentes.
"O leilão de aeroportos, por exemplo, teve boa demanda porque é um produto escasso. Se eles não aproveitassem agora, não adiantaria esperar a Previdência", diz Patah. "O fluxo do estrangeiro existe, mas ele é pontual e busca oportunidades raras".
E agora, José?
O fato de os estrangeiros estarem assumindo essa postura cautelosa quer dizer que você também deva seguir essa orientação? Bom, depende.
Por um lado, o imbróglio em Brasília certamente tirou parte do fôlego do Ibovespa — o índice, afinal, só chegou aos três dígitos no intraday, mas ainda não conseguiu terminar um pregão acima dos 100 mil pontos. Quem apostava num Ibovespa ainda mais forte nessa época do ano, portanto, se deu mal.
Mas, por outro, é inegável que quem entrou na bolsa lá atrás está sorrindo à toa. Basta lembrar que, antes do primeiro turno das eleições, o Ibovespa aparecia na faixa dos 82 mil pontos — assim, mesmo com a correção do último mês, ainda acumula um ganho de cerca de 14% desde então. E os gringos que optaram por ficar de fora não aproveitaram esse rali.
Assim, voltamos à velha questão: tudo depende do seu perfil. Mas é importante ter em mente que, conforme a tramitação da reforma avançar no Congresso, a tendência é que os mercados fiquem cada vez mais voláteis, de acordo com os rumos das discussões em Brasília.
Mas e se a reforma da Previdência não passar? Nesse caso, o buraco é mais embaixo.
"Não tenha dúvida de que, além de nao ter fluxo de entrada, vai ter bastante saída de estrangeiro. Aí é um cenário terrível", conclui Patah, do UBS.
DÍVIDA VELHA NA MIRA
Governo prepara nova rodada de renegociação de dívidas antigas, diz jornal. Alívio para os bancos pode virar dor de cabeça?
18 de setembro de 2026 - 12:44PARA TODOS OS GOSTOS
Bolão fatura mais de R$ 100 milhões na Mega-Sena e ofusca prêmios milionários na Lotofácil e na Quina
18 de setembro de 2026 - 6:43POR DENTRO DA CARTEIRA
Brasileiros querem mais que renda fixa: interesse em LCA cresce 119%, mas outro investimento rouba a cena
17 de setembro de 2026 - 20:20VIDEOGAMES
Rockstar anuncia Grand Theft Auto VI: The Album, tracklist oficial do GTA 6 que conta com Travis Scott, Keith Richards, Pinkpantheress e mais
17 de setembro de 2026 - 15:27O QUE A FARIA LIMA NÃO VÊ
Você tem medo de investir? Emoções e bets travam as finanças — mas também podem ser combustível
17 de setembro de 2026 - 14:03APOSTAS ONLINE
O rombo das bets: apostas online podem ter engolido metade do crescimento do PIB em 2025
17 de setembro de 2026 - 13:28PODCAST TOUROS E URSOS
A Faria Lima está errada? ‘Risco de o Brasil quebrar é zero’, diz Felipe Salto, da Warren; o que o mercado não enxerga sobre o risco fiscal
17 de setembro de 2026 - 12:01PRIMEIRO DESDE 2023
Governo anuncia aumento de 15% do Bolsa Família; confira o novo valor
17 de setembro de 2026 - 11:30PELA MADRUGADA
Bancários veem avanço em negociação e marcam assembleia para votar fim de greve na Caixa
17 de setembro de 2026 - 9:43SALVOU A NOITE
Lotofácil tem retorno discreto aos sorteios regulares e Dia de Sorte aproveita para brilhar sozinha; Mega-Sena corre hoje valendo R$ 102 milhões
17 de setembro de 2026 - 6:49É HOJE
Bolsa Família é pago hoje; veja quem receberá em setembro e as regras do benefício
17 de setembro de 2026 - 5:45SEM SURPRESA
Juros cada vez menores: Copom corta Selic para 13,75% e não sinaliza próximos passos, embora mercado espere mais cortes
16 de setembro de 2026 - 18:41SD EXPLICA
O Brasil vai quebrar? Entenda o que é risco fiscal e como as contas públicas afetam os seus investimentos
16 de setembro de 2026 - 17:16BEBIDAS PROTEICAS
NotShake Protein: Anvisa proíbe todos os lotes das bebidas da marca
16 de setembro de 2026 - 16:01MAMMA MIA!
Pizzaria gringa quer ser a mais nova concorrente da Pizza Hut e da Domino’s no Brasil; conheça a Papa Johns
16 de setembro de 2026 - 15:03PRAZO MAIS CURTO
Greve na Caixa dificulta saque de prêmios milionários e pode atrasar pagamento para vencedores da Lotofácil da Independência que dividiram R$ 300 milhões
16 de setembro de 2026 - 11:09APROVEITANDO A CHANCE
Aposta do interior de SP ofusca bola dividida na Lotofácil da Independência e embolsa prêmio de R$ 34 milhões na Quina
16 de setembro de 2026 - 7:33RATEIO
Lotofácil da Independência 2026 tem 72 apostas premiadas e mais de 1.500 de ganhadores, mas apenas 33 ficam milionários
16 de setembro de 2026 - 6:44SD ENTREVISTA
Inflação deve subir com El Niño e petróleo, mas Copom vai cortar juros mesmo assim, diz economista-chefe da Bradesco Asset
16 de setembro de 2026 - 6:03NÃO TEM MAIS VOLTA