Menu
2019-09-25T08:38:04-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Multimercados

Com juro baixo, gestor de fundos da Kinea aposta em título atrelado à inflação e bolsa

Em vez de tentar acertar até que ponto a Selic vai cair, fundos estão posicionados para um cenário de juros baixos por um período mais prolongado do que o mercado espera, segundo me contou Marco Aurelio Freire, sócio-gestor da Kinea

25 de setembro de 2019
5:58 - atualizado às 8:38
Marco Aurelio Freire, sócio-gestor da Kinea
Marco Aurelio Freire, sócio-gestor da Kinea - Imagem: Youtube / Reprodução

A taxa básica de juros vai cair até os 5% no fim deste ano ou pode testar níveis ainda menores? A discussão ganhou o mercado depois da sinalização de um corte mais agressivo feito pelo Banco Central na reunião do Copom desta semana.

Mas para a gestora de fundos Kinea, controlada pelo Itaú Unibanco, o mercado de juros embute outra oportunidade. Em vez de tentar acertar em que ponto a Selic vai parar, os fundos da casa estão posicionados para um cenário de juros baixos por um período mais prolongado do que o mercado espera.

  • Importante:Fausto Botelho, um dos maiores especialistas de análise gráfica do Brasil, está reunindo um grupo para ganhar ao lado dele. Você pode conseguir um lugar.Veja como aqui.

Estive no escritório da Kinea – que possui um total de R$ 65 bilhões sob gestão – na semana passada (antes da última reunião do Copom) para uma conversa com o sócio-gestor Marco Aurelio Freire. Ele é o responsável pela família de fundos multimercados, que se tornou um dos carros-chefes da casa.

O fundo Chronos, que reúne o maior patrimônio (R$ 9,4 bilhões), acumula rentabilidade de 148% do CDI desde o início, em junho de 2015, e está atualmente fechado para captação.

Mas a Kinea planeja reabrir em outubro outro fundo da família, o Atlas II. Lançado em abril do ano passado, o fundo – que possui um grau de risco maior que o Chronos – acumula ganho de 215% do CDI no acumulado até agosto.

Títulos de médio e longo prazo na carteira

Para se aproveitar desse cenário em que as taxas de juros projetadas pelo mercado estão mais altas do que o esperado, os fundos da Kinea estão posicionados principalmente em títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA) de prazos médios e longos.

Freire me disse que espera os juros em níveis baixos por mais tempo porque a retomada da esperada da economia não deve ser suficiente para pressionar a inflação nos próximos anos. “A queda da Selic será mais perene do que o mercado imagina”, afirma.

A posição dos fundos da Kinea é baseada na expectativa de que a retomada esperada da economia não será suficiente para pressionar a inflação. “O desemprego ainda está em níveis muito altos e deve levar anos para se normalizar”, diz.

As expectativas de inflação, que têm grande influência sobre as ações do Banco Central, também seguem sob controle, o que para o gestor reforça a visão de que os juros devem permanecer em níveis baixos.

A estimativa do mercado para o IPCA neste ano está em 3,44%. Para 2020 e 2021, as projeções estão em 3,80% e 3,75%, respectivamente. Ou seja, em todos os casos estão abaixo ou no centro da meta de inflação.

Vendido em dólar

O gestor da Kinea também não vê a recente alta do dólar como uma ameaça ao cenário de juros baixos. Ao contrário, ele aproveitou a valorização para vender a moeda norte-americana.

Freire lembrou que a valorização da moeda norte-americana foi ainda maior durante o período de tensão pré-eleitoral, no ano passado. E nem mesmo assim houve maiores sustos com a inflação. Em 2019, a alta acumulada do dólar está na casa dos 8%, contra os 26% entre janeiro e setembro do ano passado.

O gestor tem uma teoria interessante sobre o movimento do câmbio, principalmente no mês passado, quando o real se desvalorizou mais do que as divisas de outros países emergentes.

Para ele, a moeda brasileira foi usada como hedge (proteção) por investidores, já que o país é potencialmente afetado tanto pela guerra comercial entre Estados Unidos e China como pela crise argentina. “Com a queda dos juros, ficou mais barato fazer esse hedge”, diz.

Freire avalia que o mercado de um modo geral está “excessivamente pessimista” com o cenário externo. Isso porque o presidente dos EUA, Donald Trump, terá pouco incentivo para agravar a disputa comercial no ano que vem, em que disputará a eleição. “O discurso de endurecimento com os chineses já é dele”, afirma.

O gestor da Kinea também vê como baixo o risco de recessão da economia norte-americana, até porque o Fed (BC dos EUA) tem espaço para estimular a economia, até porque a inflação lá fora também segue comportada.

Bolsa não é Ibovespa

Assim como boa parte das gestoras locais, a Kinea também está otimista com o desempenho da bolsa. Mas Freire faz uma ressalva importante aqui. "A bolsa é diferente do Ibovespa."

O que ele quer dizer é que, embora os fundos estejam comprados em ações, as empresas do portfólio não são aquelas representados pelo principal índice da bolsa, composto principalmente por papéis de grandes bancos e produtores de commodities.

O gestor prefere não mencionar ações específicas, mas afirma que entre os setores favoritos estão os de consumo, serviços financeiros e construção civil. Mesmo que o desempenho da economia ainda deixe a desejar, a aposta da Kinea é que o resultado dessas empresas vai avançar em um ritmo maior do que as vendas.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Estratégias na crise

Moat Capital vê ações de estatais “a preço de Dilma” e segue com Oi e Via Varejo nos fundos

A bolsa não está barata diante da grande incerteza que permanece no radar, mas em termos relativos hoje oferece bastante oportunidade, diz Luiz Aranha, sócio da gestora que possui R$ 4,5 bilhões em patrimônio

SD Premium

Os segredos da bolsa: num mundo intranquilo, não espere vida fácil no mercado de ações

A escalada nas tensões sociais nos EUA e no Brasil podem aumentar a cautela na bolsa — e a agenda econômica carregada aparece como mais um fator de risco a ser considerado pelos investidores

Números trimestrais

Embraer, Braskem e BR Malls divulgam resultados nesta semana; veja o que esperar

Balanços do primeiro trimestre de 2020 mostram começo do impacto do coronavírus para as empresas de capital aberto

Número de casos do novo coronavírus no Brasil ultrapassa 510 mil

Com 480 mortes registradas nas últimas 24 horas, o número de óbitos pela covid-19 chega a 29.314

governo diante da crise

Bolsonaro atrasa promessas contra covid-19

Foram 17 compromissos sobre medidas de combate à pandemia entre 17 de março e 21 de abril. Dessas, 41% não foram cumpridas integralmente

crise em debate

Na China, preço do minério de ferro dispara 24%

Negociadores temem que a situação da pandemia por aqui provoque interrupções na cadeia de fornecimento do material

em meio à pandemia

Em Brasília, Bolsonaro vai a manifestação contra STF; São Paulo tem ato pró-democracia

Supremo tem sido alvo de ataques por parte do presidente após a Corte autorizar o cumprimento de mandados de busca e apreensão de aliados

conflito entre poderes

Ministro do STF compara Brasil à Alemanha de Hitler e diz que bolsonaristas querem ditadura

Em mensagem a ministros da corte, Celso de Melo diz que “é preciso resistir à destruição da ordem democrática”, segundo informações obtidas pela Folha de S. Paulo

histórico

SpaceX, de Elon Musk, chega à Estação Espacial; veja vídeo

Empresa finalizou primeira parte da missão espacial com astronautas da Nasa; operação deve abrir caminho para futuras viagens, inclusive turísticas

caos no país

EUA têm quinta noite seguida de protestos; ao menos 20 cidades declaram toque de recolher

Manifestações insurgiram após a morte de um homem negro de 46 anos, asfixiado por um policial branco no último dia 25; total de prisões é de 1,7 mil

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements