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2019-06-26T09:55:27-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Bolsa

Ações do Banco Pan disparam na B3 com promessa de ser o “novo Inter”

Controlado pelo BTG Pactual e pela Caixa Econômica Federal, o Banco Pan anunciou no começo do ano plano de criar ainda neste ano uma conta digital completa voltada para a população das classes C, D e E

22 de maio de 2019
14:28 - atualizado às 9:55
Imagem representando bancos digitais
Banco digital - Imagem: Shutterstock

É o novo Banco Inter? As ações do Banco Pan (BPAN4) disparam na bolsa desde que anunciou o plano de criar ainda neste ano uma conta digital completa voltada para a população das classes C, D e E.

Controlado pelo BTG Pactual e pela Caixa Econômica Federal, o Pan atua hoje na concessão de crédito consignado, de veículos usados, além de cartões e seguros, e conta com uma carteira de 4,5 milhões de clientes.

As ações do Banco Pan fecharam o dia em alta de 23,32%, cotadas a R$ 4,76. No ano, os papéis acumulam uma valorização de quase 145%. Confira também a nossa cobertura completa de mercados.

A disparada de hoje ocorreu após a publicação de um relatório da empresa de publicações Empiricus no qual indica a compra das ações. A Empiricus também incluiu os papéis do Pan em uma carteira recomendada, divulgada na semana passada.

O plano de oferecer uma conta digital torna inevitável a comparação com o Banco Inter. Com sua conta digital gratuita, a instituição mineira conquistou mais de 2 milhões de clientes. Desde que abriu o capital, há pouco mais de um ano, as ações acumulam ganho de mais de 250%.

Enquanto o Inter criou sua plataforma praticamente do zero, o Banco Pan tem a vantagem de já contar com uma boa musculatura, além dos sócios de peso por trás.

A instituição fechou o primeiro trimestre com R$ 28,5 bilhões em ativos. Para efeito de comparação, mesmo com todo o crescimento o Banco Inter contava com R$ 5,9 bilhões em ativos no fim de março.

Sombras do passado

Apesar das boas credenciais, é cedo para dizer se a estratégia digital do Banco Pan será bem sucedida. A instituição tem ainda o desafio de enterrar de vez o seu passado.

Para quem não se lembra, o Pan é novo nome do antigo Banco Panamericano, que pertencia ao grupo Silvio Santos. Em 2009, a Caixa comprou uma participação na instituição e, no ano seguinte, o Banco Central detectou uma fraude contábil que provocou um rombo de R$ 4,3 bilhões.

O banco foi socorrido com um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a venda da participação de Silvio Santos para o BTG Pactual. Ainda assim, passou anos dando prejuízo.

Os resultados recentes mostram uma recuperação. No primeiro trimestre, o Banco Pan teve lucro de R$ 96,1 milhões, alta de 70% em relação ao mesmo período de 2018. A rentabilidade ainda é baixa, pelo menos na comparação com os grandes de capital aberto, e atingiu 9,3% nos três primeiros meses do ano.

O menor retorno é consequência principalmente os passivos que o banco ainda carrega no balanço. Um deles é o alto custo de captação, graças a CDBs pré-fixados de longuíssimo prazo emitidos antes da descoberta da fraude contábil. Mas esse peso deve começar a diminuir a partir do ano que vem, quando os CDBs começam a vencer.

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