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Azul planeja investir R$ 6 bilhões por ano no Brasil, diz CEO da aérea

Plano diz respeito aos próximos “dois ou três anos”; companhia quer ultrapassar a marca de 30 milhões de clientes transportados em 2020

11 de dezembro de 2019
7:08 - atualizado às 10:38
CEO da Azul, John Rodgerson
John Rodgerson, CEO da Azul - Imagem: Raphael Lopes/Seu Dinheiro

O CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que a companhia aérea pretende manter investimento anual de R$ 6 bilhões nos próximos dois ou três anos para continuar sua trajetória de expansão no Brasil.

Para 2020, a empresa, segundo o executivo, quer quebrar novos recordes com a adição de mais aeronaves em sua malha e inaugurar entre seis e oito novas cidades, sendo que uma das novas rotas será para o exterior.

Com cerca de 28 milhões de clientes transportados ao fim deste ano, o objetivo da Azul é ultrapassar a marca de 30 milhões de clientes transportados em 2020.

"Temos 31 novas aeronaves chegando. Vamos receber duas por mês pelo menos. Cada aeronave tem mais assentos e vai permitir a Azul voar mais horas por dia. Com mais assento, teremos muito mais oferta no Brasil, que precisa porque foram muitos anos sem muita oferta", avaliou Rodgerson, em conversa com a imprensa, na tarde desta terça-feira, 10.

Quantidade de voos por dia

A Azul deve alcançar, de acordo com o executivo, quase mil voos por dia em dezembro. Ele lembrou que, no auge, a Varig tinha 250 voos diários. Com mais voos, a empresa, segundo Rodgerson, contratará mais no próximo ano.

Em 2019, foram 2 mil novas pessoas, sendo 800 ex-funcionários da Avianca, em recuperação judicial.

Durante encontro de fim de ano com jornalistas, o presidente da Azul lamentou o fato de a companhia não ter conseguido comprar a concorrente Avianca, que deixou de operar no Brasil.

"Temos uma grande tristeza em relação à Avianca. Depois de não termos conseguido comprá-la, contratamos 800 dos seus ex-funcionários e entramos na ponte aérea", relembrou o CEO da Azul.

Segundo ele, o foco da Azul é doméstico. "Há muitos brasileiros que já foram para Miami e não conhecem Foz do Iguaçu. É uma vergonha. Queremos mudar isso. Nosso foco é doméstico. É o Brasil", ressaltou Rodgerson, acrescentando que a companhia quer aproveitar o atual momento do país. "Queremos ajudar o Brasil a decolar", acrescentou.

Ele destacou ainda que a Azul deve investir mais de R$ 120 milhões em seu novo hangar, que será o maior da América Latina e contará com 800 trabalhadores. A expectativa, diz o CEO da companhia, é de que o novo espaço fique pronto no primeiro trimestre de 2020.

Sobre a oferta de Wi-Fi nos voos, Rodgerson disse que a Azul vai testar o serviço na quarta-feira em um voo comercial. A partir do ano que vem, segundo ele, as aeronaves já saem da fábrica com o serviço de Wi-Fi a bordo. Os executivos da Azul não revelaram, contudo, o preço que será cobrado dos clientes pelo uso do serviço de internet móvel.

Parceria da Azul com a TAP

A Azul espera iniciar a joint venture com a portuguesa TAP em cerca de seis meses, de acordo com o vice-presidente de receitas da empresa, Abhi Shah.

Segundo ele, o tema foi aprovado na segunda-feira, 9, pelo Conselho de Administração da companhia e agora será iniciado o trabalho junto aos órgãos reguladores para tirar do papel a parceria que visa a operar entre Brasil e Europa.

"Agora começa o trabalho junto aos órgãos reguladores, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), para conseguirmos todas as aprovações para a joint venture. Esperamos que em cerca de seis meses possamos começar a implementá-la", explicou Shah.

De acordo com ele, com o início da operação da joint venture com a TAP, o objetivo da Azul é permitir que seus clientes, sejam voando por Azul ou com a parceira portuguesa, não sintam qualquer diferença.

"Nosso foco é aumentar parcerias e dar mais conectividade aos nossos clientes no Brasil e fora daqui", ressaltou o vice-presidente de receitas da Azul, citando ainda a joint venture que a companhia aérea possui com a United.

A Azul anunciou a joint venture com a TAP no mês passado. A relação, contudo, não vem de hoje. Recentemente, ambas estreitaram o relacionamento. Em março, a empresa brasileira e seu fundador, David Neeleman, reforçaram o capital da TAP ao adquirirem os 20% de participação que o conglomerado chinês HNA detinha na Atlantic Gateway (dona de 45% da TAP).

No passado, a Azul adquiriu bonds (dívidas) conversíveis da companhia portuguesa. Somando esses dois investimentos, a brasileira detém 47,3% dos direitos econômicos da TAP.

Com Estadão Conteúdo.

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