2019-12-11T18:48:41-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Antes tarde do que nunca?

No dia do IPO da XP, CVM lança proposta para facilitar listagem de BDR

Se já estivesse em vigor, a regra permitiria a listagem de recibos de ações da XP na bolsa brasileira. CVM também pretende liberar investimento em BDR para o varejo

11 de dezembro de 2019
17:14 - atualizado às 18:48
Imagem: Shutterstock

No dia da estreia das ações da XP Investimentos na bolsa norte-americana Nasdaq, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançou uma proposta para flexibilizar as regras para a emissão de recibos de ações de empresas listadas em outras bolsas. Esses papéis são conhecidos pela sigla BDR (Brazilian Depositary Receipts, na sigla em inglês).

A proposta colocada em audiência pública nesta quarta-feira elimina a restrição para a emissão de BDRs de empresas que tenham a maior parte dos ativos e receitas no Brasil.

Se já estivesse em vigor, a regra permitiria a listagem de recibos de ações da XP na B3. O investidor que deseja ser sócio da corretora hoje precisa abrir uma conta em uma corretora no exterior e comprar os papéis diretamente na Nasdaq.

Outra opção é aplicar por meio dos fundos criados pela Vitreo e pela própria gestora da XP. Mas por restrições regulatórias, os produtos destinados ao varejo só podem ter 20% do patrimônio aplicado nos papéis da corretora na Nasdaq.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

Histórico

A autarquia vetou a emissão de BDRs de empresas que tenham a maior parte das receitas no Brasil depois que algumas companhias, como Laep e Agrenco, se valeram da regra para listar papéis em bolsas lá fora para escapar da regulação brasileira.

Mas nos últimos anos várias empresas nacionais "sérias", como PagSeguro e Stone e os grupos educacionais Afya e Arco optaram por abrir o capital lá fora.

A mudança nas regras é uma demanda antiga do mercado, e havia a expectativa de que ocorresse antes do IPO da XP, o que acabou não se confirmando.

A proposta da CVM para permitir a listagem do BDR prevê que os ativos que servem de lastro precisam ser negociados em “mercado reconhecido” e que deve ser aprovado pela autarquia.

BDR para todos

A CVM também pretende permitir que qualquer investidor aplique em BDRs nível 1. A negociação desses papéis hoje é restrita a investidores qualificados, que possuem pelo menos R$ 1 milhão para aplicar, e a fundos de investimento.

Pela proposta da CVM, a condição para a negociação dos BDRs nível 1 para o público de varejo é a divulgação das informações sobre os emissores em português.

A minuta colocada em audiência pública vai permitir ainda a criação de dois novos tipos de BDR no mercado brasileiro. O primeiro com lastro em fundos de índice (ETFs) negociados em bolsas no exterior.

A CVM propôs ainda a possibilidade da criação de certificados com lastro em títulos de dívida. Hoje os BDRs só podem ter ações como lastro.

As mudanças nas regras, porém, ainda vão levar um tempo para entrar em vigor. A autarquia vai receber sugestões e comentários do mercado até o dia 10 de fevereiro e só depois irá editar uma norma sobre o tema.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Tendências da bolsa

AGORA: Ibovespa futuro avança em dia de alta volatilidade pós-Fed e dólar recua hoje

Após a decisão de juros do Fed, os mercados operam voláteis em um forte movimento de ajuste de carteiras hoje

O melhor do Seu Dinheiro

Mais um alarme de preço baixo, Tesla em queda, bear market do bitcoin, novo fundo do Itaú e outras notícias que mexem com o seu bolso

Apesar de resultados sólidos no quarto trimestre, papéis de construtoras seguem em queda. Confira se é hora de comprar ações do setor e quais informações você precisa levar em conta antes de decidir

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas no exterior tentam se recuperar da queda após decisão do Fed e Ibovespa busca manter ritmo de alta mesmo com risco fiscal no radar

Depois de tocar os 112 mil pontos ontem (26), a bolsa brasileira precisa enfrentar o ajuste de carteiras ao novo cenário de juros altos

Exclusivo

Na “caça aos unicórnios”, Itaú lança fundo para aplicar em gestores de investimentos alternativos

O banco acaba de abrir para captação o Polaris, fundo com objetivo de retorno de até 25% ao ano e foco em investimentos que vão bem além do “combo” tradicional de bolsa, dólar e juros

CONSTRUTORAS COM DESCONTO

Vendas de imóveis em alta, ações em baixa. A queda das incorporadoras abriu uma oportunidade de compra na bolsa?

Os resultados do quarto trimestre mostram que as empresas do setor entregaram desempenhos sólidos, mas as ações caminham na direção contrária