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Renato Franklin, presidente da locadora de veículos cujas ações (MOVI3) são destaque na bolsa neste ano, me contou sobre os esforços para melhorar as margens no negócio de seminovos, o “calcanhar da Aquiles” da companhia
Fugindo um pouco do tradicional laranja que sempre dominou os corredores do nono andar de um edifício comercial em São Paulo, agora a sala do presidente da Movida, Renato Franklin, está mais colorida.
Os itens alaranjados dividem espaço também com uma camisa, relógio e um par de meias roxos, que ele exibe com orgulho. A nova cor é fruto da marca recém-criada pela empresa controlada pela JSL em setembro do ano passado, a Movida Seminovos. Conhecido como o "calcanhar de Aquiles" da companhia, o segmento de seminovos melhorou, mas ainda não chegou onde o mercado deseja.
O crescimento na venda de automóveis desse tipo foi de 39,4% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Para melhorar ainda mais esse número, Franklin disse que pretende atuar mais no varejo do que no atacado e que espera alcançar a geração de caixa suficiente para a manutenção das operações, já desconsiderando pagamentos de juros e de impostos (margem Ebitda), ainda neste ano.
O mercado reconheceu o avanço da companhia. Desde o início do ano, as ações da Movida (MOVI3) acumulam a maior valorização entre as empresas do segmento listadas na B3, com uma valorização de mais de 36%.
Depois de iniciar negociação de recibos de ações (ADRs) no exterior, Franklin disse também que pode fazer nova emissão de papéis a depender de como estará o mercado nos próximos meses, só que desta vez no Brasil.
Outra aposta da empresa é o aluguel mensal, uma tendência que vem crescendo junto com a mudança nos hábitos dos consumidores. A Movida também anunciou recentemente uma parceria com o Sem Parar para instalar sistemas de pedágio automático em toda a frota de 96 mil veículos.
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Saiba mais sobre as perspectivas para a locadora de veículos nesta conversa que eu tive com o presidente da Movida:

O trabalho na área de seminovos teve início no ano passado e já trouxe resultados no primeiro trimestre de 2019. Desde a implantação do plano, evoluímos 2,7 pontos percentuais na margem Ebitda (potencial geração de caixa) e essa evolução tem sido constante. Nos próximos meses, a expectativa é que o volume de vendas aumente ainda mais, fazendo com que a despesa fixa se dilua e que a margem cresça.
Vamos vender mais no varejo do que no atacado. E com o volume que estamos conseguindo, teremos uma melhora na idade do carro vendido, o que vai se refletir em melhora de preço. Com isso, esperamos aumentar o valor médio dos carros. Por meio dessa estratégia, faremos com que a linha de negócios voltada para os seminovos gere caixa suficiente para a manutenção de suas operações, já desconsiderando pagamentos de juros e de impostos (margem Ebitda), ainda neste ano.
Sei que a média de idade dos nossos veículos seminovos está em 18 meses, mas queremos voltar ao patamar que praticávamos no passado, que era entre 14 e 15 meses. A expectativa é que o volume que vendemos no primeiro trimestre e o que vamos vender nos próximos devem nos ajudar a trazer essa idade para baixo. À medida em que formos vendendo mais cedo o carro, com uma idade menor, a margem vai melhorar. O resultado que tivemos de janeiro a março já nos permitiu reduzir a idade média dos carros de aluguel de carros para menos de nove meses.
No caso dos segmentos de seminovos, estamos com duas ações saindo do forno. A primeira é o test-drive 27 horas, que busca dar maior segurança a quem compra. Dessa forma, o consumidor vai conseguir testar o veículo e levar o carro a um mecânico de confiança para avaliação. O aluguel é de uma diária. Em um mês de operação, foram feitos 94 testes e a ativação foi de 5% em vendas.
Outro tema que deve estrear já nas próximas semanas é uma parceria com a rede Ipiranga em São Paulo para aumentar a cobertura de oferta de veículos. Vai funcionar assim: durante três meses, os postos credenciados vão receber um caminhão da Movida. Dentro dele, o cliente poderá agendar um test drive e escolher modelos de seminovos. O projeto terá início em São Paulo, mas a expectativa é que ele seja ampliado para outras cidades no segundo semestre deste ano.
Esse público está crescendo mês a mês. Não é à toa que, em abril, lançamos o Movida Mensal Flex Nacional. Por meio dele, a pessoa física consegue retirar veículos em diferentes cidades e Estados com um único contrato. Não abrimos os números do aluguel mensal de carros para pessoa física, mas ele é um produto bastante demandado. Se não é o maior, é um dos que mais tem crescido percentualmente em relação aos demais produtos da companhia.
O consumidor está percebendo a vantagem de fazer um aluguel mensal, em vez de comprar um carro. É como se fosse um leasing melhorado, porque sai bem mais barato do que comprar um veículo. O processo de contratação dispensa registro do veículo, licenciamento e outras obrigações. Essa é uma das apostas da Movida. Além dela, estamos apostando forte nos seminovos.
Há sim alguns percalços no caminho. Não é uma linha reta, mas a expectativa é positiva. Acredito que a aprovação de qualquer nível de reforma já será boa para o país. E a arrancada só deve vir mesmo no segundo semestre. Do ponto de vista do investidor, os preços já estão subindo e tem alguns gatilhos que ninguém sabe quando eles serão pressionados.
O que a gente fez até hoje foi sem ela. Eu não vejo possibilidade de a nossa demanda não crescer. O nosso plano de negócios não considera a aprovação ou não da reforma.
Ainda há um universo que não foi alcançado por nenhuma das companhias de aluguel de carros. Hoje, as três grandes possuem por volta de 55% do mercado. Ou seja, dá para dobrar de tamanho. A indústria de carros como serviço está crescendo a mais de dois dígitos. E o que temos atualmente na Movida nos permite crescer uns dois ou cinco anos. O mercado hoje cresce mais rápido do que a gente consegue oferecer. A nossa taxa de crescimento médio de receita é de 54% ao ano.
Estamos discutindo novas operações que melhoram o custo e alongam o prazo da nossa dívida, mas ainda não dá para comentar sobre isso. Iniciamos negociação de recibos de ações na bolsa dos Estados Unidos (ADRs) em fevereiro deste ano. Mas agora a nossa ideia é que a próxima emissão de papéis seja no Brasil para evitar o risco do câmbio.
Estamos pensando, mas a emissão de debêntures conversíveis que fizemos foi bem-sucedida e há espaço para fazer melhores. Hoje, existe a possibilidade de fazer novas emissões por aqui, mas isso vai depender de como vai se comportar o mercado nos próximos meses. Acreditamos que há várias pessoas que estão com dinheiro, mas sem lugar para alocá-lo por aqui.
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