BTG inicia cobertura da C&A com recomendação de compra e otimismo para os papéis
Desde o IPO realizado em 28 de outubro, quando as ações foram vendidas no piso da faixa pretendida, os papéis tiveram uma valorização de 0,11%, mas o BTG vê espaço para mais

Em relatório divulgado nesta terça-feira (03), o BTG informou o início da cobertura da varejista C&A (CEAB3), que estreou na bolsa no dia 28 de outubro. E a primeira análise do banco é extremamente positiva.
Além da recomendação de compra, o banco também traz um preço-alvo de R$ 23 para os próximos 12 meses. Um espaço de valorização de cerca 34% com base na cotação de ontem, que era de R$ 17,15.
No IPO feito em outubro, a C&A captou R$ 1,6 bilhão dos investidores. Na época, a varejista vendeu as suas ações no preço mínimo da faixa indicativa (que variava de R$ 16,50 a R$ 20). E, desde a sua estreia na bolsa, as ações, no geral, não saíram do 0 a 0 e tiveram uma valorização de 0,11%.
Vale lembrar que o BTG Pactual foi um coordenadores da oferta da varejista, então não chega a ser uma surpresa que os analistas iniciem sua cobertura de forma positiva.
Questão de estratégia
De origem holandesa, a companhia chegou ao Brasil em 1976, foi uma das pioneiras no setor de fast-fashion e obteve muito sucesso sabendo se ajustar ao cenário brasileiro onde muitas empresas estrangeiras acabam encontrando entraves burocráticos e regulatórios não tão comuns fora do país.
A C&A é uma das exceções na lista de estrangeiras que se deram bem em terras tupiniquins. Com 283 unidades no país e três centros de distribuição, a C&A é a segunda maior loja de departamentos do Brasil e possui 5% do total do mercado, quase empatada com a Riachuelo.
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Mas, nos últimos anos, principalmente motivada pelos problemas econômicos do país a partir de 2015, a sua controladora, Cofra, decidiu focar em atrair uma maior lucratividade. Assim, a companhia desacelerou o seu processo de abertura de novas lojas e procurou renovar a experiência do consumidor e expandir a sua presença on-line. Tudo isso liderado por um time de diretores experientes e que se provou ser um sucesso.
Nesse período, 11 lojas foram fechadas, e a empresa aumentou a sua margem de contribuição e receita de suas lojas. Agora, neste cenário pós-otimização, o foco é outro.
"A companhia quer voltar (e acelerar) sua expansão de novas lojas enquanto investe na implementação do modelo Push&Pull e apresenta um crescimento de suas vendas no e-commerce", cita o relatório assinado por Luiz Guanais e Gabriel Savi. Atualmente, as vendas on-line representam 2% do total da companhia.
Os analistas do BTG lembram que, embora o cenário do e-commerce brasileiro seja dominado por B2W e Maganize Luiza, ainda há muito espaço para companhias de nicho como a C&A.
Já o modelo Push&Pull proposto pela empresa não é uma tarefa fácil de ser concluída. Neste modelo, a companhia busca implementar com menor tempo para design, produção e distribuição.
Os designs modernos a preços acessíveis são uma combinação potente, já que evitariam possíveis remarcações e manteriam os estoques cheios. Se bem sucedido, o plano pode aumentar a margem bruta da companhia e acelerar o seu crescimento orgânico perante o resto do mercado.
Seguindo os líderes
O plano da C&A é investir cerca de R$ 300 milhões até 2024 e implementar sua base de tecnologia on-line e offline. Mas para que tudo isso ocorra, é preciso um DNA inovador, coisa que a companhia já se provou capaz de oferecer.
O relatório destaca alguns projetos da companhia de construir uma plataforma multicanais para impulsionar a experiência, com canais simplificados para compras, integração com lojas físicas e programas de fidelidade.
O BTG vê oportunidades reais para que a companhia se aproxime de outros players líderes do setor ao focar em seu projeto de expansão. A C&A espera abrir 165 novas lojas até 2025: 11 ainda em 2019 e outras 115 outras unidades já mapeadas pela companhia.
"Sim, ainda é preciso se aproximar dos concorrentes, e existem alguns riscos de execução que não podem ser ignorados, mas na avaliação atual, onde os papéis são negociados com grande desconto frente aos concorrentes, a companhia oferece uma vantagem atraente aos investidores", concluem os analistas.
De olho nos números
Embora a visão do BTG seja positiva para a companhia, o primeiro balanço pós-abertura de capital não agradou muito os investidores. Após a divulgação, as ações chegaram a cair 10,71% e ficaram cotadas na faixa dos R$ 15.
Um dos pontos que chamaram a atenção foi a queda de 40,5% no lucro líquido do terceiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 19,1 milhões. Se excluído o efeito da norma IFRS16 e equalizada a taxa efetiva de imposto de renda, a queda no lucro líquido no terceiro trimestre teria sido de 2,7%.
A companhia também sofreu uma queda da eficiência, com a diminuição de 1,1 ponto percentual na margem líquida. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado também teve contração de 3,8% e terminou o trimestre em R$ 116,7 milhões.
A receita líquida da companhia teve um crescimento de 2,6% no período e fechou o trimestre em R$ 1,252 bilhão.
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