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Fernando Pivetti

Fernando Pivetti

Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP). Foi repórter setorista de Banco Central no Poder360, em Brasília, redator no site EXAME e colaborou com o blog de investimentos Arena do Pavini.

Pessimismo onde?

Para Pedro Cerize, o gestor de um dos fundos mais rentáveis em 2018, não há motivos para crise na bolsa

Gestor da Skopos fez uma live com Luciana Seabra e contou um pouco sobre suas perspectivas para o próximo ano

Fernando Pivetti
Fernando Pivetti
26 de dezembro de 2018
19:46 - atualizado às 10:01

Se tem uma coisa que Pedro Cerize não é, é pessimista com a bolsa brasileira. O gestor de um dos fundos de ações mais rentáveis do mercado neste ano não vê motivos para que o atual ciclo de alta termine antes da hora, apesar de achar que a crise dos mercados externos pode impactar os ativos de maneira negativa.

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Cerize participou de uma live com a colunista Luciana Seabra nesta quarta-feira, 26. Ele contou um pouco do que vem fazendo nos fundos da Skopos do ano passado para cá, quando obteve um retorno de mais de 100% no fundo BRK, e como ele projeta o mercado de ações para os próximos anos. Veja a conversa novamente no vídeo abaixo:

Para ele, períodos de crescimento das ações costumam apresentar três "pernas". No atual ciclo, a primeira perna ocorreu entre 2016 e 2017, e aquele era o momento de pesquisar as empresas que foram bem em crises anteriores e ficar posicionado nelas.

A partir de 2018, o mercado entrou na segunda perna - que estamos vivendo até hoje. O início desse período se pautou no processo eleitoral, do julgamento do ex-presidente Lula à eleição de Jair Bolsonaro. Enquanto muita gente fugia do risco, Cerize buscava posições em ações de grande liquidez, como Petrobras e Banco do Brasil (nada de small caps!). Resultado: ganhos que fizeram o patrimônio dos cotistas dobrar de valor.

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Tá, mas e o futuro?

O gestor da Skopos acredita que a segunda perna de todo ciclo positivo na bolsa é a que define os ativos que de fato vão “puxar o bonde”. Ele destacou que o desempenho do Ibovespa neste último mês de 2018 foi positivo no relativo, diante de um dos piores dezembros da história para a bolsa de Nova York.

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E de onde vem toda essa euforia? Das eleições. O gestor conta que há muito tempo não via grande parte da população brasileira envolvida no processo eleitoral e na política. E nesse processo, a vitória de Bolsonaro consolidou a vontade de uma parcela da população que de fato movimenta a economia do Brasil. A consequência disso é uma vontade dos brasileiros de voltar a crescer, algo que se torna combustível para o lucro das empresas e, por consequência, o combustível para a valorização das ações.

É claro que os riscos vindos lá do exterior podem dar uma amenizada no otimismo por aqui. Nesse sentido, Cerize chama a atenção para dois fatores: o preço dos produtos exportados pelo Brasil e o acesso ao crédito que o país terá para conseguir crescer nos próximos anos. Ele acredita que, sem a aprovação de reformas, o país terá pouca margem para chegar nesse capital.

Dólar caro?

Aproveitando para falar um pouco de câmbio, Pedro teceu uma crítica à performance do Banco Central nos últimos tempos. Na visão dele, a atuação em “doses homeopáticas” do BC contribui para uma sensação de “crise onde não existe” e faz o dólar se manter em níveis elevados. “É inabilidade do BC. Não vejo motivos para o dólar se comportar dessa forma”, afirmou.

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Cerize acredita que parte desse comportamento do câmbio se dá pela falta de uma atuação mais forte da autoridade monetária. “O Ilan já está na praia e não tem ninguém cuidando do BC”, brincou. Segundo ele, a chegada de Roberto Campos Neto à presidência do banco, um PHD e trader ao mesmo tempo, deve dissipar essa situação de pressão naturalmente.

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